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Café pode ficar mais acessível no mercado, afirma Itaú BBA

Itaú BBA prevê queda no preço do café, impulsionada pelo avanço da safra e maior oferta do robusta em 2025.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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Após anos de aumentos expressivos nos preços do café, consumidores brasileiros e o mercado global podem ter motivos para otimismo. A previsão do Itaú BBA indica que o preço do café deve apresentar queda nos próximos meses, principalmente devido ao avanço da colheita e à ampliação da oferta do café robusta (conilon), variedade que ganha força no mercado.

Esse cenário surge em meio a um contexto de forte volatilidade cambial e desafios globais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que pressionam o setor. Este artigo analisa os principais fatores que podem tornar o café mais acessível em 2025 e os impactos para consumidores, produtores e a indústria.

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A dinâmica das safras: robusta cresce enquanto arábica recua

café
Imagem: 8photo / Freepik

Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra brasileira de café para 2025/26 deve totalizar aproximadamente 40,9 milhões de sacas de arábica e 24 milhões de sacas de robusta. Embora a produção de arábica apresente queda de 6,4% em relação ao ciclo anterior, a safra do robusta terá aumento expressivo de 14,8%.

Esse crescimento no robusta, que nos últimos anos enfrentou quebras severas no Brasil e no Vietnã, tende a ampliar a oferta global da variedade, favorecendo a recomposição dos blends usados pela indústria. Essa mudança pode aliviar a pressão de custos que marcou o setor recentemente e abrir espaço para preços mais competitivos no varejo.

Impacto da alta histórica nos preços do café moído e solúvel

Apesar da expectativa positiva, o mercado ainda convive com os efeitos do aumento significativo dos preços nos últimos anos. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o café moído acumulou alta de 42,9% no ano e 77,88% nos últimos 12 meses. O café solúvel também subiu, com acréscimo de 15,81% no ano e 16,55% em um ano.

Esses reajustes obrigaram a indústria a repassar custos ao varejo, elevando os valores pagos pelo consumidor final. A previsão de maior disponibilidade de robusta pode ser um fator decisivo para conter essa tendência, tornando o café mais acessível.

Desafios externos: tarifas e volatilidade cambial ameaçam recuperação

Embora a oferta crescente possa ser benéfica, o mercado de café enfrenta desafios internacionais importantes. Entre eles, as tarifas impostas pelos Estados Unidos em julho de 2025, anunciadas pelo governo Trump, que oneram o café brasileiro e complicam a competição.

O Itaú BBA ressalta que substituir o Brasil como principal fornecedor de café, especialmente da variedade arábica, não é simples, dado o baixo volume produtivo dos demais países. Caso os EUA busquem outras origens, o efeito poderá ser inflacionário, impactando o consumo local.

Outro fator de risco é a volatilidade cambial. Uma eventual desvalorização do real pode neutralizar os benefícios da queda nos preços internacionais, elevando custos para empresas brasileiras com dívidas e insumos dolarizados.

A importância do Brasil no mercado mundial do café

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O Brasil mantém posição de liderança na produção global, especialmente do café arábica, com 42% de participação mundial. Em seguida, vêm Colômbia (13%) e Etiópia (12%). Os Estados Unidos são o maior consumidor, com cerca de 25 milhões de sacas anuais, majoritariamente de arábica.

Esse protagonismo confere ao país papel fundamental na formação dos preços e no equilíbrio do mercado internacional, apesar das pressões tarifárias e climáticas que afetam as safras.

Perspectivas para o consumidor e a indústria cafeeira

Café safra de café
Imagem: Mark Daynes / Unsplash

Para os consumidores, a combinação de safra robusta em alta e possível redução nos preços internacionais pode traduzir-se em produtos mais acessíveis no mercado doméstico, principalmente no segmento do café moído e solúvel.

Do lado da indústria, o cenário sugere menor competição pela matéria-prima e maior flexibilidade para ajustes nos blends, ampliando a margem para inovação e expansão do portfólio.

Ainda assim, a recuperação da demanda interna deve ser gradual, já que o alto custo acumulado nos últimos anos levou muitos consumidores a optar por cafés mais baratos, uma mudança de comportamento que pode permanecer.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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