Após anos de aumentos expressivos nos preços do café, consumidores brasileiros e o mercado global podem ter motivos para otimismo. A previsão do Itaú BBA indica que o preço do café deve apresentar queda nos próximos meses, principalmente devido ao avanço da colheita e à ampliação da oferta do café robusta (conilon), variedade que ganha força no mercado.
Café pode ficar mais acessível no mercado, afirma Itaú BBA
Itaú BBA prevê queda no preço do café, impulsionada pelo avanço da safra e maior oferta do robusta em 2025.
Esse cenário surge em meio a um contexto de forte volatilidade cambial e desafios globais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que pressionam o setor. Este artigo analisa os principais fatores que podem tornar o café mais acessível em 2025 e os impactos para consumidores, produtores e a indústria.
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A dinâmica das safras: robusta cresce enquanto arábica recua

Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra brasileira de café para 2025/26 deve totalizar aproximadamente 40,9 milhões de sacas de arábica e 24 milhões de sacas de robusta. Embora a produção de arábica apresente queda de 6,4% em relação ao ciclo anterior, a safra do robusta terá aumento expressivo de 14,8%.
Esse crescimento no robusta, que nos últimos anos enfrentou quebras severas no Brasil e no Vietnã, tende a ampliar a oferta global da variedade, favorecendo a recomposição dos blends usados pela indústria. Essa mudança pode aliviar a pressão de custos que marcou o setor recentemente e abrir espaço para preços mais competitivos no varejo.
Impacto da alta histórica nos preços do café moído e solúvel
Apesar da expectativa positiva, o mercado ainda convive com os efeitos do aumento significativo dos preços nos últimos anos. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o café moído acumulou alta de 42,9% no ano e 77,88% nos últimos 12 meses. O café solúvel também subiu, com acréscimo de 15,81% no ano e 16,55% em um ano.
Esses reajustes obrigaram a indústria a repassar custos ao varejo, elevando os valores pagos pelo consumidor final. A previsão de maior disponibilidade de robusta pode ser um fator decisivo para conter essa tendência, tornando o café mais acessível.
Desafios externos: tarifas e volatilidade cambial ameaçam recuperação
Embora a oferta crescente possa ser benéfica, o mercado de café enfrenta desafios internacionais importantes. Entre eles, as tarifas impostas pelos Estados Unidos em julho de 2025, anunciadas pelo governo Trump, que oneram o café brasileiro e complicam a competição.
O Itaú BBA ressalta que substituir o Brasil como principal fornecedor de café, especialmente da variedade arábica, não é simples, dado o baixo volume produtivo dos demais países. Caso os EUA busquem outras origens, o efeito poderá ser inflacionário, impactando o consumo local.
Outro fator de risco é a volatilidade cambial. Uma eventual desvalorização do real pode neutralizar os benefícios da queda nos preços internacionais, elevando custos para empresas brasileiras com dívidas e insumos dolarizados.
A importância do Brasil no mercado mundial do café
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O Brasil mantém posição de liderança na produção global, especialmente do café arábica, com 42% de participação mundial. Em seguida, vêm Colômbia (13%) e Etiópia (12%). Os Estados Unidos são o maior consumidor, com cerca de 25 milhões de sacas anuais, majoritariamente de arábica.
Esse protagonismo confere ao país papel fundamental na formação dos preços e no equilíbrio do mercado internacional, apesar das pressões tarifárias e climáticas que afetam as safras.
Perspectivas para o consumidor e a indústria cafeeira

Para os consumidores, a combinação de safra robusta em alta e possível redução nos preços internacionais pode traduzir-se em produtos mais acessíveis no mercado doméstico, principalmente no segmento do café moído e solúvel.
Do lado da indústria, o cenário sugere menor competição pela matéria-prima e maior flexibilidade para ajustes nos blends, ampliando a margem para inovação e expansão do portfólio.
Ainda assim, a recuperação da demanda interna deve ser gradual, já que o alto custo acumulado nos últimos anos levou muitos consumidores a optar por cafés mais baratos, uma mudança de comportamento que pode permanecer.
