O preço da carne bovina deve continuar elevado no Brasil em 2025, mesmo com as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros. Em tese, a medida poderia reduzir as exportações e aumentar a oferta de carne dentro do país, o que pressionaria os preços para baixo. No entanto, especialistas destacam que a dinâmica global do mercado de proteína animal impede essa queda.
Carne bovina segue em alta e deve pesar no bolso do consumidor
Mesmo com tarifas dos EUA, a carne bovina continuará cara no Brasil em 2025, impulsionada pela demanda externa e novos mercados.
Segundo Felipe Fabbri, analista de mercado e da cadeia de produção animal da Scot Consultoria, os EUA tradicionalmente reduzem as importações no segundo semestre porque atingem o limite das cotas de carne que podem receber com tarifas menores. Assim, mesmo sem a imposição de novas taxas, a compra norte-americana já cairia no período.
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Por que os preços não devem cair?

Diversificação dos mercados
Nos últimos anos, o Brasil ampliou de forma significativa os destinos da carne bovina. China, Oriente Médio e países da União Europeia tornaram-se parceiros estratégicos, absorvendo boa parte da produção nacional. Essa diversificação garante que, mesmo com barreiras comerciais de um país, a carne encontre compradores em outros mercados.
Demanda interna aquecida
Além da exportação, a própria demanda interna se mantém relevante. Apesar da inflação e do poder de compra reduzido em algumas camadas da população, o consumo de carne bovina no Brasil ainda é culturalmente elevado. A carne continua sendo item essencial nas mesas das famílias, sustentando preços firmes no mercado doméstico.
Custos de produção
Outro fator que sustenta o preço é o custo da pecuária. Alimentação do gado, insumos agrícolas e energia continuam em alta. Como consequência, os produtores não têm margem para reduzir valores de forma significativa, o que impede a queda do preço final ao consumidor.
Impacto das tarifas dos EUA
Redução nas exportações
Os Estados Unidos são um mercado importante, mas não o principal destino da carne brasileira. As tarifas impostas podem reduzir o fluxo de exportações para o território norte-americano, mas a perda tende a ser compensada pela procura de outros países.
Efeito limitado no Brasil
Na prática, o impacto das tarifas é limitado no mercado interno. Caso não houvesse demanda internacional diversificada, haveria uma sobreoferta no Brasil e, consequentemente, uma queda nos preços. Entretanto, como a carne pode ser redirecionada para outros compradores, a tendência é de manutenção da alta.
O peso da China no mercado de carnes

Principal destino da carne brasileira
A China é, atualmente, o maior importador da carne bovina do Brasil. O país asiático aumentou significativamente suas compras nos últimos anos, especialmente após problemas sanitários que reduziram a oferta interna.
Dependência estratégica
O peso da China é tão grande que, em momentos de suspensão temporária das exportações brasileiras devido a casos de “vaca louca atípica”, o mercado interno brasileiro sente reflexos imediatos. Assim, a força chinesa na absorção do produto tem sido um dos principais sustentadores do preço elevado.
Perspectivas para o consumidor brasileiro
Tendência de preços firmes
Para os consumidores, a expectativa é de que os preços da carne bovina continuem elevados ao longo de 2025. Mesmo que haja variações pontuais em períodos de maior oferta, a tendência estrutural é de preços firmes.
Substituição por outras proteínas
Com os preços altos, muitos consumidores podem optar por proteínas mais baratas, como frango e suínos. Esse movimento já é percebido nos supermercados e açougues, onde a venda de frango, por exemplo, cresce em momentos de disparada do preço da carne bovina.
Perspectivas para o produtor
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Margens mais equilibradas
Do lado dos produtores, os preços elevados significam margens de lucro mais estáveis, especialmente para os que conseguem acessar o mercado externo. A exportação garante preços mais atrativos em comparação ao mercado interno.
Investimentos e sustentabilidade
A expectativa é que o setor continue investindo em tecnologia, rastreabilidade e sustentabilidade. Com a pressão internacional por cadeias de produção mais limpas e sustentáveis, o Brasil precisa atender a essas exigências para não perder competitividade.
Fatores que podem alterar o cenário

Questões sanitárias
Problemas relacionados a doenças animais, como casos de vaca louca, podem alterar de forma brusca o mercado. Qualquer suspensão temporária das exportações impacta diretamente o preço interno.
Variações cambiais
A taxa de câmbio também exerce papel relevante. Quando o real está desvalorizado, a exportação se torna mais atrativa, sustentando preços mais altos no Brasil.
Clima e produção agrícola
A qualidade das pastagens e o preço dos grãos usados na alimentação do gado (como milho e soja) são determinantes para o custo de produção. Seca ou excesso de chuvas podem encarecer os insumos e pressionar ainda mais os preços.
Conclusão
Mesmo com a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, a carne bovina no Brasil deve continuar com preços elevados em 2025. A combinação de demanda externa diversificada, custos de produção altos e procura interna consistente impede uma queda significativa nos valores. Para o consumidor brasileiro, isso significa que a carne bovina seguirá como um produto caro, enquanto os produtores podem comemorar margens mais favoráveis e oportunidades no mercado global.
