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Soja ganha força e registra maior cotação da segunda quinzena do mês

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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O preço da soja mantém trajetória de valorização no mercado brasileiro em setembro de 2026, com a referência Cepea/Esalq para Paranaguá operando acima de R$ 160 por saca de 60 quilos. O movimento chama atenção porque ocorre em um período de forte comercialização externa da oleaginosa brasileira.

Na segunda quinzena do mês, a cotação chegou a superar R$ 162 por saca. Em 18 de setembro, o indicador Cepea/Esalq-Paranaguá fechou em R$ 161,89, conforme levantamento baseado nos dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

O cenário combina fatores domésticos e internacionais. De um lado, o Brasil mantém ritmo elevado de exportações. De outro, o mercado global acompanha as perspectivas para a nova safra, o comportamento da demanda e as condições de produção nos principais países produtores.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A valorização observada em setembro não pode ser atribuída a um único fator. O preço recebido pelo produtor é influenciado pela combinação entre oferta e demanda internacional, câmbio, custos de frete, prêmios de exportação e referências formadas nos mercados futuros.

A demanda externa é particularmente importante para o Brasil, que está entre os principais fornecedores mundiais da commodity. Dados oficiais do comércio exterior mostram que as exportações brasileiras de soja somaram 9,8 milhões de toneladas em agosto de 2026, movimentando US$ 4,41 bilhões. Na comparação com agosto de 2025, o volume cresceu 5,2% e o valor exportado aumentou 14%.

Esse fluxo ajuda a sustentar a formação de preços em regiões produtoras e nos principais corredores de comercialização. A Conab também apontou crescimento dos embarques de soja no acumulado até julho, quando o país havia exportado 82,9 milhões de toneladas, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

O papel do dólar e das exportações

Como a soja brasileira é negociada no mercado internacional, a taxa de câmbio também influencia a conversão das referências externas para reais.

Quando o dólar se valoriza frente ao real, mantendo-se os demais fatores constantes, o preço doméstico tende a receber suporte. O efeito contrário também pode ocorrer quando a moeda brasileira ganha força.

Por isso, acompanhar somente a cotação internacional da soja não é suficiente para entender o preço recebido no Brasil. O produtor precisa considerar também câmbio, prêmio de exportação, custos logísticos e condições locais de oferta.

Exportações brasileiras seguem relevantes

Os dados oficiais do governo reforçam a importância do comércio exterior para o mercado da soja. O Ministério da Agricultura mantém estatísticas específicas sobre as exportações do agronegócio, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disponibiliza as séries do Comex Stat.

Em agosto, a soja respondeu por 13,3% do valor total das exportações brasileiras, segundo os dados consolidados de comércio exterior. O preço médio de exportação ficou em US$ 449,70 por tonelada, 8,3% acima do registrado um ano antes.

Além do volume embarcado, o ritmo das vendas internacionais também merece atenção. O mercado acompanha especialmente a demanda chinesa, principal destino da soja brasileira, e as compras antecipadas para o ciclo seguinte.

Nos Estados Unidos, o USDA registrou em setembro novas vendas privadas de soja para a China. Em 18 de setembro, foram anunciadas vendas de 111 mil toneladas para entrega no ano comercial 2026/27.

Oferta mundial limita uma alta mais intensa

Apesar da força da demanda, o cenário internacional também apresenta um fator que pode conter movimentos mais acentuados de valorização: a expectativa de oferta elevada.

O USDA continua projetando uma produção significativa de soja para a temporada 2026/27 e revisa periodicamente suas estimativas conforme surgem novos dados de área, produtividade, clima e comercialização. O relatório de setembro foi divulgado em 11 de setembro.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o USDA elevou a estimativa de produtividade média da soja para 52,8 bushels por acre e aumentou a previsão de produção para aproximadamente 4,5 bilhões de bushels. A projeção de exportações americanas também foi elevada.

Isso significa que o mercado precisa equilibrar dois movimentos: uma demanda internacional ainda relevante e uma perspectiva de oferta mundial elevada.

O que a cotação acima de R$ 160 representa para o produtor

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Para o produtor rural, uma cotação acima de R$ 160 por saca em Paranaguá representa um patamar relevante, mas não deve ser interpretada automaticamente como margem de lucro elevada.

O resultado efetivo depende do custo de produção de cada propriedade, produtividade por hectare, despesas de armazenagem, transporte, financiamento e condições do contrato de venda.

Também é preciso considerar que o indicador de Paranaguá não representa necessariamente o valor recebido por todos os agricultores brasileiros. Uma propriedade localizada no interior de Mato Grosso, Paraná ou Rio Grande do Sul, por exemplo, está sujeita a diferenças de frete, qualidade, disponibilidade de compradores e condições regionais de comercialização.

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