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Café custando R$ 40? Saiba mais sobre os novos preços

Preço do café em 2024 disparou devido a fatores climáticos e alta demanda. Saiba o que esperar para 2025 e as razões por trás dessa alta.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
café fake

Nos últimos meses de 2024, o preço do café passou por uma alta significativa, impactando diretamente o bolso dos consumidores brasileiros.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o café moído teve um aumento de quase 40%, um dos maiores registrados entre as commodities. Com a perspectiva de que a tendência de alta persista, a pergunta que fica é: o que está acontecendo com o preço do café e o que esperar em 2025?

Fatores climáticos e o impacto no café

Café mais caro
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Uma das principais razões para a alta dos preços do café em 2024 é a combinação de condições climáticas desfavoráveis e a escassez de água nas regiões produtoras, especialmente no Brasil, maior produtor mundial do grão. As secas severas e as altas temperaturas afetaram negativamente a produção de café, diminuindo a oferta global.

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A falta de chuvas, além de prejudicar o crescimento dos grãos, também afetou o controle de pragas, como o bicho mineiro e a cigarra, exigindo maiores investimentos por parte dos produtores para preservar a qualidade da lavoura.

A quebra de safra e o aumento da demanda

Além dos fatores climáticos, a quebra de safra no Vietnã, o segundo maior produtor de café do mundo, intensificou a pressão sobre o mercado global. Como resultado, o Brasil se viu em uma posição privilegiada para atender a uma demanda crescente. A exportação de café, impulsionada por uma forte procura internacional, especialmente da Europa, contribuiu para a alta dos preços. Em 2024, a Alemanha ultrapassou os Estados Unidos como o maior importador de café brasileiro, o que nunca havia acontecido antes.

A nova legislação da União Europeia, que visa reduzir a entrada de algumas commodities devido a critérios ambientais, também desempenhou um papel importante na elevação da demanda pelo café brasileiro. Com a incerteza sobre a aplicação da lei, os compradores se anteciparam, comprando o grão brasileiro para garantir seus estoques.

O impacto da desvalorização do Real

Outro fator que contribuiu para o aumento do preço do café foi a desvalorização do real frente ao dólar. A cotação do dólar elevou o custo das commodities, incluindo o café, tornando os preços mais altos no mercado interno. O efeito cambial foi um dos componentes cruciais que impactaram o custo de produção e, consequentemente, o preço final para o consumidor.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção brasileira de café pode sofrer uma redução de 5,8% em relação à safra anterior, o que gerará mais pressão sobre os preços.

Além disso, o custo logístico também continua sendo um obstáculo. O fechamento do Canal de Suez, no Egito, impactou o transporte internacional, forçando a redireção dos fretes para o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que elevou o custo do transporte de café, especialmente o originário de países como Vietnã, Indonésia e Índia.

O que esperar para o consumidor em 2025

Com o aumento contínuo dos custos de produção, a expectativa é que o preço do café no mercado brasileiro continue a subir nos primeiros meses de 2025. Pacotes de 500 gramas de café tradicional ou extraforte, que já custam entre R$ 38 e R$ 40, devem ter novos reajustes.

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A combinação de uma produção reduzida, uma demanda crescente, especialmente da Europa, e o impacto do câmbio e da logística internacional resultará em um mercado mais restrito e caro para o café no Brasil. A alta no preço das commodities e as questões climáticas também seguem como desafios para os próximos meses.

Impacto no mercado interno e o futuro do café

Xícara de café da marca Duralex
Imagem: NoemiEscribano/Shutterstock

Os aumentos sucessivos no preço do café refletem uma mudança estrutural no mercado. O café, antes um produto de consumo cotidiano e relativamente acessível, tornou-se um item mais caro devido a uma série de fatores internos e externos. Para os consumidores, isso pode significar menos acesso ao grão ou a busca por alternativas, como cafés mais baratos ou diferentes tipos de grãos.

O aumento no preço do café também levanta questões sobre o futuro da indústria. Se os preços continuarem a subir, será necessário um esforço conjunto entre produtores, governo e indústria para equilibrar a oferta e a demanda, evitando que o café se torne um produto elitizado. Além disso, a diversificação das exportações e o apoio à produção sustentável podem ajudar a garantir uma produção de café mais resiliente e capaz de enfrentar as adversidades climáticas e econômicas.

Considerações finais

O preço do café em 2024 refletiu uma série de fatores interligados, desde a escassez de grãos devido às condições climáticas adversas até a alta demanda global. Com as previsões apontando para mais aumentos em 2025, o consumidor brasileiro precisará se adaptar a um novo cenário.

A alta no preço do café, combinada com os desafios climáticos e logísticos, mostra que a commodity continuará a ser um item de alto custo no mercado interno. Para os próximos anos, a chave será garantir a sustentabilidade da produção e equilibrar as variáveis externas para evitar novos reajustes drásticos.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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