O chocolate, há muito tempo presente na rotina e no afeto dos brasileiros, tem se tornado um item cada vez mais caro e, consequentemente, menos acessível. A elevação nos preços ao longo do último ano transformou esse doce popular em um produto quase de luxo para parte da população.
Você está pagando mais pelo chocolate? Veja por que ele virou luxo
Em 2024, o preço do chocolate no Brasil subiu quase 12%, impactando o consumo e tornando o doce um artigo de luxo.
Essa nova realidade tem provocado mudanças perceptíveis nos hábitos de consumo, como revela uma pesquisa da Nexus, que identificou uma forte influência da renda na frequência de consumo e na escolha dos formatos preferidos.
O impacto do aumento do preço do chocolate no consumo

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| Faixa de renda | Percentual de jovens que gostam muito de chocolate (%) |
|---|---|
| Acima de 5 SM | 54 |
| 2 a 5 SM | 50 |
| Até 2 SM | 47 |
A frequência de consumo também reflete essa desigualdade: 10% dos jovens mais ricos comem chocolate diariamente, enquanto apenas 5% dos mais pobres mantêm essa rotina. Entre os que consomem o doce de 4 a 6 vezes por semana, o percentual é igual nos dois grupos (6%).
Especialista explica a influência do preço no consumo
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o alto custo do cacau encareceu o chocolate e reduziu seu acesso entre os mais pobres. Ele destaca que o preço influencia diretamente o gosto e o consumo, sobretudo entre os idosos, que já costumam ingerir menos doces.
Preferências por formatos
A escolha do formato do chocolate também está relacionada à renda. A barra permanece como o formato preferido nacionalmente, mas os bombons são a opção de 39% dos consumidores. Essa preferência por bombons cresce entre grupos de baixa renda:
| Faixa etária | Preferência por bombons (%) – Baixa renda | Preferência por bombons (%) – Alta renda |
|---|---|---|
| Jovens (até 24 anos) | 37 | 28 |
| Adultos (25 a 59 anos) | 44 | 35 |
| Idosos (60 anos ou mais) | 42 | 31 |
Entre as mulheres idosas de baixa renda, 51% preferem bombons em comparação a 48% que optam pelas barras.
A ascensão do chocolate artesanal

O chocolate artesanal vem ganhando mercado, especialmente entre os consumidores de maior poder aquisitivo e os jovens. A pesquisa da Nexus revelou que 34% dos idosos de baixa renda nunca consomem chocolates artesanais, número que cai para 26% entre os idosos com renda superior a cinco salários mínimos.
| Faixa etária e renda | Consumo frequente de chocolate artesanal (%) |
|---|---|
| Mulheres idosas alta renda | 28 (sempre) + 11 (frequente) = 39 |
| Mulheres idosas baixa renda | 4 (sempre) + 2 (frequente) = 6 |
| Jovens alta renda | 11 (sempre) |
| Jovens baixa renda | 10 (sempre) |
| Jovens renda média (2 a 5 SM) | 7 (sempre) |
Jovens impulsionam a popularidade do chocolate artesanal
O consumo do chocolate artesanal é mais homogêneo entre os jovens, independentemente da renda, o que demonstra uma tendência de valorização do produto pela qualidade e exclusividade, mesmo diante da alta nos preços.
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FAQ
O artesanal está mais caro?
Geralmente sim, por utilizar ingredientes de maior qualidade e processos mais cuidadosos, o que eleva seu preço final.
Como o aumento do preço influencia o consumo?
Consumidores de baixa renda tendem a reduzir a frequência e preferir formatos menores, enquanto os mais ricos mantêm o consumo ou até valorizam chocolates artesanais.
Considerações finais
Esse cenário reforça a relação direta entre poder aquisitivo e acesso a produtos considerados não essenciais, como é o caso do chocolate, que acaba se tornando um item de luxo para uma parcela significativa da população.
