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Milho recupera US$ 4,50 em Chicago e inicia novembro com valorização no mercado internacional

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
milho chicago

O mercado internacional do milho começou novembro de 2026 com uma recuperação nas cotações da Bolsa de Chicago (CBOT). Depois de registrar perdas superiores a 10% em alguns contratos durante outubro, o cereal voltou a atrair compradores, em um movimento de recuperação técnica que levou o vencimento dezembro novamente acima de US$ 4,50 por bushel.

A valorização, entretanto, ainda não representa uma mudança consolidada na tendência do mercado. A expectativa de uma oferta expressiva nos Estados Unidos, o ritmo das exportações e a concorrência entre os principais países produtores continuam limitando o avanço dos preços.

Para o Brasil, as movimentações internacionais são importantes porque influenciam as referências utilizadas na comercialização do cereal. Entretanto, a cotação doméstica também depende do dólar, dos custos logísticos, dos estoques regionais e da demanda das indústrias de ração e etanol.

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refinaria
Imagem: Guilherme Granez/Ascom SDR

Na manhã desta segunda-feira, 2 de novembro, os contratos futuros do milho operavam em alta na CBOT. Por volta das 9h05, no horário de Brasília, as principais posições apresentavam os seguintes valores:

ContratoCotaçãoVariação
Dezembro/2026US$ 4,5075+3 cents
Março/2027US$ 4,6425+3,25 cents
Maio/2027US$ 4,7225+3,25 cents
Julho/2027US$ 4,7850+2,75 cents

A recuperação chamou atenção porque ocorreu depois de um período de desvalorização significativa. O contrato dezembro, por exemplo, havia encerrado setembro cotado a US$ 5,0075 por bushel, mas terminou outubro em US$ 4,4775.

Isso representa uma retração de aproximadamente 10,58% em apenas um mês. Os vencimentos de março e maio de 2027 também acumularam perdas superiores a 10%, enquanto julho registrou queda de 9,81%.

Nesse cenário, parte dos investidores aproveitou os preços mais baixos para recompor posições compradas, favorecendo a valorização observada no início de novembro.

Colheita nos Estados Unidos influencia o mercado do milho

Um dos principais fatores que determinam a direção dos preços internacionais é o avanço da colheita norte-americana. Os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais de milho, o que faz com que as condições das lavouras tenham influência direta sobre as negociações em Chicago.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% da área cultivada havia sido colhida até 25 de outubro. Na semana anterior, o índice estava em 44%.

Apesar da aceleração dos trabalhos, o resultado permanecia abaixo da média histórica de 66% para o período. A diferença mantém o clima no radar dos investidores, principalmente diante das previsões de chuvas para regiões produtoras do Meio-Oeste americano.

Quando a umidade prejudica a entrada de máquinas nas propriedades, a retirada dos grãos pode atrasar. Entretanto, como uma parcela expressiva da produção já havia sido colhida, eventuais interrupções climáticas precisariam ser avaliadas considerando o tamanho da área ainda pendente.

O mercado também aguardava a divulgação de uma nova atualização do relatório Crop Progress, com informações sobre o avanço da colheita até 1º de novembro.

Exportações americanas mostram sinais mistos

Outro componente importante para a formação dos preços é a demanda internacional. Mesmo com uma safra volumosa, os Estados Unidos precisam manter um ritmo consistente de vendas externas para evitar uma pressão ainda maior sobre as cotações.

Os dados do USDA indicaram que as vendas líquidas de milho da temporada 2026/27 chegaram a 1,303 milhão de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro.

O volume representou uma redução de 15% em relação à semana anterior. Por outro lado, ficou 32% acima da média das últimas quatro semanas, sinalizando que ainda existe procura pelo cereal americano.

Os embarques efetivos somaram 552,9 mil toneladas, com recuo semanal de 29%.

A diferença entre vendas e embarques é importante: enquanto as vendas representam compromissos comerciais assumidos pelos compradores, os embarques mostram quanto efetivamente deixou os Estados Unidos.

Além disso, os compromissos acumulados de exportação permaneciam abaixo dos registrados no mesmo período da temporada anterior. Essa situação indica que a recuperação da demanda ainda precisa ganhar força para oferecer sustentação mais consistente às cotações.

Brasil e Argentina disputam espaço no mercado internacional

A competitividade entre os exportadores também influencia o comportamento dos contratos futuros.

O Brasil e a Argentina possuem participação relevante no comércio internacional de milho e disputam compradores com os Estados Unidos. Quando o cereal sul-americano apresenta condições comerciais mais atrativas, os importadores podem direcionar parte das compras para esses fornecedores.

Nesse ambiente, os exportadores americanos precisam ajustar preços e diferenciais comerciais para preservar sua participação no mercado.

Para os produtores brasileiros, essa disputa tem consequências importantes. Mesmo quando Chicago apresenta valorização, a existência de milho competitivo na América do Sul pode limitar a transmissão da alta para os preços negociados internamente.

Como a alta em Chicago afeta o preço do milho no Brasil?

milho agro 1
Foto Divulgação.

A cotação internacional é apenas uma das referências utilizadas na formação do preço do milho brasileiro. O mercado doméstico também considera a taxa de câmbio, os prêmios de exportação e a disponibilidade regional do produto.

O dólar, por exemplo, influencia diretamente a competitividade das exportações. Uma moeda americana valorizada em relação ao real pode favorecer as vendas externas e melhorar as referências de preço em determinadas regiões produtoras.

Por outro lado, a demanda das fábricas de ração, dos produtores de proteína animal e das usinas de etanol de milho também interfere nas negociações.

Em regiões com grande concentração de indústrias consumidoras, a procura pelo cereal pode sustentar os valores mesmo quando as referências internacionais estão pressionadas.

Outro ponto importante é a diferença entre os preços futuros e o mercado físico. Uma alta na CBOT não significa que o produtor brasileiro receberá imediatamente mais pelo milho armazenado ou disponível para entrega.

Nesta segunda-feira, o feriado de Finados também deixou a B3 sem negociação regular, enquanto Chicago manteve suas atividades. Por isso, os investidores brasileiros acompanharam principalmente as referências externas.

Imagem gerada por IA

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