Os preços futuros do milho começaram novembro com sinal positivo na Bolsa de Chicago (CBOT), recuperando parte das perdas acumuladas durante outubro. Na segunda-feira (2), o contrato com vencimento em dezembro de 2026 voltou a superar US$ 4,50 por bushel, impulsionado por compras de oportunidade após a forte desvalorização do cereal nas semanas anteriores.
Apesar da reação, o mercado ainda enfrenta obstáculos para sustentar uma valorização mais expressiva. A perspectiva de uma oferta abundante nos Estados Unidos, o ritmo das exportações e a concorrência de países como Brasil e Argentina continuam pressionando as expectativas dos investidores.
Para os produtores brasileiros, a movimentação internacional merece atenção porque as cotações de Chicago ajudam a formar as referências de comercialização, embora os preços internos também dependam do dólar, dos custos logísticos e dos prêmios pagos nos portos.
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Na manhã de 2 de novembro, por volta das 9h05, no horário de Brasília, os contratos futuros apresentavam valorização em diferentes vencimentos.
O milho para dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,5075 por bushel, com avanço de 3 centavos em relação ao fechamento anterior. Já o contrato para março de 2027 subia 3,25 centavos, alcançando US$ 4,6425.
Os vencimentos de maio e julho de 2027 também operavam no positivo, cotados a US$ 4,7225 e US$ 4,7850 por bushel, respectivamente.
A reação representa uma tentativa de recuperação depois de um outubro bastante negativo. No último dia de setembro, o contrato dezembro/26 havia encerrado a US$ 5,0075 por bushel. Em 30 de outubro, a cotação terminou em US$ 4,4775, uma retração de aproximadamente 10,58% no período.
Os demais vencimentos também acumularam perdas superiores a 10%, com exceção do contrato julho/27, que recuou 9,81%.
Esse cenário abriu espaço para investidores voltarem a comprar contratos após a sequência de baixas. Entretanto, a recuperação ainda não representa uma mudança consolidada de tendência.
Colheita nos Estados Unidos influencia as cotações
Um dos principais fatores que explicam a pressão sobre o milho é o avanço da colheita norte-americana. Os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais do cereal, de modo que o volume disponível no país influencia diretamente as negociações internacionais.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% da área cultivada com milho havia sido colhida até 25 de outubro. Na semana anterior, o índice estava em 44%.
Apesar da aceleração dos trabalhos, o resultado permanecia abaixo da média histórica de 66% para o período.
O mercado acompanhava a divulgação de uma nova atualização do relatório Crop Progress, com informações sobre o andamento da colheita até 1º de novembro. O documento é importante porque permite avaliar a velocidade de retirada dos grãos das lavouras e possíveis impactos das condições climáticas.
Previsões de chuvas mais abrangentes no Meio-Oeste americano também estavam no radar dos operadores. Caso as precipitações dificultem o acesso das máquinas às propriedades rurais, a colheita poderá sofrer interrupções temporárias.
Por outro lado, como uma parcela significativa da produção já havia sido retirada, eventuais atrasos precisam ser avaliados considerando o volume ainda disponível nas lavouras.
Exportações de milho mostram sinais mistos
Além da oferta, a demanda internacional é determinante para a formação dos preços. Quando os compradores ampliam as aquisições, o mercado tende a encontrar sustentação. Quando as vendas perdem força, a abundância de estoques pode intensificar a pressão sobre as cotações.
Dados divulgados pelo USDA indicaram que as vendas líquidas de milho norte-americano da temporada 2026/27 alcançaram 1,303 milhão de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro.
O resultado ficou 15% abaixo do registrado na semana anterior. Entretanto, superou em 32% a média das últimas quatro semanas, indicando que o desempenho não foi inteiramente negativo.
Os embarques efetivos somaram 552,9 mil toneladas, uma queda semanal de 29%.
Outro ponto de atenção é o volume acumulado de compromissos de exportação, que permanecia inferior ao observado no mesmo período do ciclo anterior. Isso significa que os Estados Unidos ainda precisam demonstrar capacidade de ampliar suas vendas externas para sustentar uma recuperação mais consistente.
Brasil e Argentina aumentam a concorrência no mercado internacional
A disputa entre os principais exportadores também limita o potencial de valorização do milho em Chicago.
Brasil e Argentina possuem participação relevante no comércio internacional e competem diretamente com os Estados Unidos pelo fornecimento do cereal. Quando conseguem oferecer preços mais atrativos, podem conquistar compradores que, em outras circunstâncias, recorreriam à produção norte-americana.
Nesse cenário, os exportadores dos Estados Unidos procuram recuperar competitividade por meio de ajustes nos diferenciais do mercado físico.
A avaliação de Chau Hue, responsável pela inteligência de mercados da Stag Securities, destaca justamente a influência dessa disputa comercial sobre as perspectivas para os preços.
Mesmo com o retorno das cotações próximas de US$ 4,50 por bushel, a disponibilidade de milho e a concorrência entre fornecedores continuam sendo obstáculos para uma valorização mais forte.
O que a alta do milho em Chicago significa para o produtor brasileiro?
A recuperação na Bolsa de Chicago pode melhorar o ambiente de negociação para os produtores brasileiros, mas não significa que os preços recebidos nas propriedades subirão automaticamente.
No Brasil, a formação das cotações depende de uma combinação de fatores. Entre os principais estão o preço internacional do cereal, a cotação do dólar, os custos de transporte, a oferta regional e os prêmios de exportação.
Um dólar mais valorizado, por exemplo, pode favorecer a remuneração das exportações brasileiras, mesmo quando as cotações internacionais apresentam pouca variação.
Também é importante observar a disponibilidade de milho em cada região. Estados com maior oferta podem enfrentar pressão sobre os preços locais, especialmente quando a demanda das indústrias de ração e dos produtores de proteína animal não acompanha o volume disponível.
Outro fator relevante é o consumo interno, impulsionado principalmente pela produção de aves, suínos e bovinos, além da indústria de etanol de milho.
Portanto, acompanhar apenas a Bolsa de Chicago não é suficiente para decidir o melhor momento de comercialização. O produtor precisa considerar também as condições do mercado físico brasileiro.
Quais fatores devem movimentar o preço do milho em novembro?

Ao longo de novembro, a evolução da colheita norte-americana e os próximos números de exportação estarão entre os principais indicadores acompanhados pelo mercado.
Uma colheita mais rápida e uma oferta elevada podem limitar novas altas. Em contrapartida, dificuldades climáticas, crescimento das vendas externas ou aumento da procura internacional podem oferecer sustentação às cotações.
No Brasil, a atenção também estará voltada ao comportamento do dólar, à demanda das indústrias e à competitividade do milho nacional no mercado externo.
Como não houve negociação regular na B3 em 2 de novembro, devido ao feriado de Finados, as movimentações internacionais concentraram as atenções dos agentes brasileiros.
A valorização registrada em Chicago representa uma recuperação inicial após um mês de perdas expressivas. Para que o movimento ganhe força, porém, será necessário observar uma melhora mais consistente na relação entre oferta e demanda mundial.
Foto: Divulgação/Arquivo OPR
