O tomate voltou a pesar no bolso dos brasileiros em abril. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fruto teve uma alta de 32,36% na prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), sendo responsável por 18,6% do aumento total da inflação no mês.
Preço do tomate sobe 32% em abril e impacta inflação; veja os motivos
O tomate subiu mais de 32% e liderou a inflação em abril de 2025, segundo o IPCA-15. Entenda as causas da alta, impactos no consumo e alternativas adotadas.
A escalada de preços torna o tomate o item com maior impacto individual no índice de inflação. Essa é a segunda alta consecutiva de dois dígitos no preço do produto, que já havia registrado aumento de 12,57% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do tomate chega a 3,93%, indicando um comportamento volátil, porém preocupante.
Leia mais:
Alimentos pressionam a inflação, e o tomate lidera o IPCA-15 como vilão
Juiz de Fora sente impacto: tomate dobra de preço

Na cidade mineira de Juiz de Fora, o aumento também foi sentido com força. Na Central de Abastecimento (Ceasa), o tomate subiu 25% entre os dias 18 de março e 14 de abril. Já nos mercados municipais, consumidores relataram aumentos ainda mais expressivos.
Vendedores confirmam repasse ao consumidor
Márcio Henrique Pereira Poçal, do Box Nutri Sempre, afirma que o preço ao consumidor saltou de R$ 6 para R$ 12 o quilo, representando uma alta de 100%. “O reajuste foi significativo. Tivemos que repassar”, explica.
Já Carlayle Francisco Lopes Barros, do Box São Francisco, optou por manter o preço em R$ 9/kg, mas ainda assim notou redução nas vendas. “As pessoas compram menos. Quem levava dois quilos, agora leva um ou meio”, observa.
Impactos no consumo: saladas mais caras, mesas mais vazias
A alta do tomate já afeta o padrão alimentar de milhares de famílias. A consumidora Joyce de Souza Lisboa, que consumia tomate diariamente, teve que reduzir as compras. “Antes levava um para cada dia da semana. Agora comprei só dois. Está muito caro”, afirma.
Esse comportamento se repete em todo o país: menos tomate no prato, mais busca por alternativas.
Entenda as causas da alta: clima, oferta e entressafra
De acordo com especialistas, a principal razão para a disparada do preço está na redução da oferta causada por problemas climáticos e instabilidade nas safras.
Oferta reduzida eleva preços
Carlayle explica que a variação da oferta impacta diretamente o preço. “Quando entra muito tomate, o preço cai. Quando falta, dispara. E agora está faltando bastante”, relata.
Márcio reforça: “O hortifrúti depende de muitos fatores. A temperatura, os feriados, tudo influencia. Com o calor fora de época, os tomates sofrem e a colheita diminui.”
O papel das mudanças climáticas
O economista da UFJF, Fernando Agra, destaca o impacto das condições climáticas. “O tomate, por ser um produto de ciclo curto, é altamente afetado por alterações no clima. O calor excessivo atrapalhou a produção. Isso influencia diretamente no preço.”
Pequenos produtores afetados
Renata Negromonte, da cooperativa Cooperafame JF, relata os efeitos das mudanças climáticas nos pequenos agricultores. “Muitos perderam lavouras inteiras por causa da instabilidade entre seca e chuva. O tomate é muito sensível.”
Além disso, ela destaca que outras culturas também estão em período de entressafra, o que contribui para elevar o custo geral dos alimentos.
Consumidores buscam substitutos mais baratos
Com os preços em alta, muitos brasileiros têm substituído o tomate por outros alimentos, como batata-doce, inhame, beterraba e até legumes em conserva.
Alternativas no prato
A consumidora Angelita Carvalho afirma que substituiu o tomate por beterraba. “Uso cozida, ralada, até farinha. Mas gosto mesmo é do tomate.”
Eduardo Knaipm, por sua vez, decidiu reduzir o consumo por um tempo. “Dá para substituir até o preço voltar a um patamar razoável.”
Segundo Agra, esse movimento é comum em períodos inflacionários. “Alimentos com valor nutricional similar acabam ganhando espaço. A classe média e baixa são as mais afetadas e, por isso, adaptam mais rapidamente o cardápio.”
Outros vilões da inflação: café e leite também sobem
O tomate não foi o único alimento a encarecer em abril. A prévia do IPCA-15 apontou também aumentos relevantes em:
- Café moído: +6,73%
- Leite longa vida: +2,44%
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O grupo alimentação e bebidas foi um dos principais responsáveis pela inflação do mês, respondendo, junto ao grupo de saúde e cuidados pessoais, por 88% do índice.
Inflação acumulada em 2025
- Abril: 0,43%
- Acumulado no ano: 2,43%
- Acumulado em 12 meses: 5,49%
Embora o número de abril represente desaceleração em relação a março (0,64%), o peso dos alimentos segue como fator de pressão sobre o índice geral.
Comer fora também está mais caro
Além da alimentação em casa, o custo de comer fora também subiu:
- Lanche: +1,23%
- Refeições em geral: +0,50%
Agra explica que a praticidade dos aplicativos de entrega impulsiona a demanda, mesmo com preços mais altos. “Muita gente não tem tempo de cozinhar e acaba recorrendo à entrega, mesmo com o preço elevado.”
Entretanto, ele ressalta que os donos de restaurantes não conseguem repassar 100% da alta ao consumidor, por medo de perder clientela para a concorrência.
“Eles acabam absorvendo parte do custo.”
Expectativas para os próximos meses

Como o tomate é um produto de safra rápida, especialistas não descartam a possibilidade de reversão nos preços, caso a oferta aumente com a chegada do frio e o clima se estabilize.
“O tomate pode cair de preço tão rápido quanto sobe”, observa Agra. “Mas tudo vai depender das próximas colheitas e do comportamento do clima.”
Considerações finais
A disparada no preço do tomate em abril de 2025 trouxe de volta um velho desafio ao orçamento das famílias brasileiras: a pressão dos alimentos sobre a inflação. Com alta de mais de 32%, o fruto se tornou o símbolo da perda do poder de compra no mês, obrigando consumidores a adaptarem hábitos alimentares e buscarem substitutos mais acessíveis.
A situação reflete uma combinação de fatores como instabilidade climática, entressafra e menor oferta, que atingem especialmente os pequenos produtores. Para os próximos meses, a esperança está na regularização do clima e retomada da produção, que podem trazer algum alívio ao bolso do consumidor.
