A recente proposta de correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) tem gerado preocupações significativas entre os prefeitos de diversas cidades do Brasil.
Prefeitos pedem compensação para perda com correção da tabela do IR
Prefeitos solicitam compensação de R$ 11,6 bilhões pelo impacto da correção da tabela do Imposto de Renda. A FNP defende que o ressarcimento seja individual para cada município, para evitar perdas significativas nas receitas municipais
A Frente Nacional de Prefeitos (FNP), uma das principais entidades que representam as administrações municipais, estima que a mudança, prevista para começar em 2026, pode resultar em uma perda de arrecadação de até R$ 11,6 bilhões para os municípios.
Esse valor se refere ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), uma das principais fontes de receita para os entes municipais. Diante disso, a FNP solicita que o governo federal compense essas perdas com base no impacto individual de cada cidade, evitando que as grandes metrópoles sejam prejudicadas.
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O Impacto da Correção na Tabela do Imposto de Renda
O Que Muda com a Correção da Tabela?
A principal mudança proposta pelo governo federal é a correção da faixa de isenção do IRPF para R$ 5.000, o que representa um alívio fiscal para grande parte dos contribuintes. Com isso, muitas pessoas que atualmente pagam Imposto de Renda passarão a ser isentas, o que reduzirá a arrecadação geral do IR, incluindo a parte que vai para os municípios por meio do IRRF.
O IRRF é a parcela do imposto que é retida diretamente nas fontes de rendimento, como salários e pensões, e repassada para os municípios, estados e a União. Para os prefeitos, essa perda é especialmente preocupante, pois, em muitos casos, o imposto retido na fonte representa uma porcentagem considerável das receitas municipais.

O Pedido de Compensação de R$ 11,6 Bilhões
De acordo com a FNP, o valor estimado de R$ 11,6 bilhões corresponde à perda de arrecadação para os municípios, que terão sua participação no IRRF diminuída com a correção da tabela do Imposto de Renda.
Para os prefeitos, é fundamental que o governo federal compense esse montante, pois a medida poderá afetar diretamente a prestação de serviços públicos essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
O Impacto da Medida nas Diferentes Cidades
A Perda para Municípios de Pequeno Porte
De acordo com cálculos feitos pela FNP, a perda de arrecadação é mais acentuada nos municípios de menor porte, que possuem uma base tributária mais limitada. Em cidades com menos de 10 mil habitantes, por exemplo, estima-se que a perda do IRRF pode chegar a até 64,8% da arrecadação desse tributo.
Para esses municípios, que atualmente arrecadam 1,79% de sua receita corrente com o IRRF, o impacto será de cerca de 1,16% no total de sua receita. Esses números revelam um desafio enorme para os pequenos municípios, que podem enfrentar dificuldades para manter os serviços públicos em níveis aceitáveis sem o ressarcimento das perdas com o IRRF.
O Impacto nas Grandes Cidades
Por outro lado, as grandes cidades, com populações acima de 500 mil habitantes, também serão afetadas, mas de forma diferente.
Embora a perda do IRRF nas grandes cidades seja de 36,4%, a dependência desse tributo na receita corrente dessas localidades é significativamente maior. O impacto total nas finanças municipais será de aproximadamente 1,71%, o que, considerando o porte dessas cidades, pode resultar em uma perda financeira considerável.
As grandes cidades são mais dependentes da arrecadação de tributos como o IRRF devido ao volume de salários e rendimentos mais elevados. Portanto, o impacto para essas cidades será substancial e exigirá uma compensação financeira proporcional ao seu porte e à sua dependência do IRRF.
A Questão da Compensação via FPM
O Que é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM)?
O FPM é um mecanismo de distribuição de recursos financeiros do governo federal para os municípios, destinado a equilibrar a capacidade de arrecadação entre os entes federados, compensando a disparidade nas fontes de receita.
No entanto, a FNP alerta que o uso do FPM para compensar as perdas do IRRF pode prejudicar as cidades maiores, que seriam afetadas negativamente pela redistribuição do fundo, em detrimento das cidades menores.
O Modelo Proposto pela FNP
A FNP defende que a compensação das perdas seja feita de forma individualizada, levando em consideração o impacto real da correção da tabela do Imposto de Renda em cada município. Isso garantiria uma compensação mais justa e eficaz, sem prejudicar as cidades maiores que, em muitos casos, dependem de recursos significativos do IRRF para manter a prestação de serviços básicos.
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De acordo com Gilberto Perre, secretário-executivo da FNP, a proposta de compensação via FPM não é ideal, pois poderia gerar um desequilíbrio nas finanças municipais, favorecendo as pequenas prefeituras e prejudicando as grandes. Por isso, a entidade solicita que o governo federal adote um modelo de ressarcimento baseado no impacto individual de cada cidade.
O Impacto nas Pequenas Prefeituras
A Visão da CNM
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que representa as pequenas prefeituras, também manifesta preocupação com as perdas que deverão ser enfrentadas por esses municípios com a correção da tabela do Imposto de Renda.
Segundo a CNM, as perdas anuais podem atingir até R$ 9 bilhões, além do impacto incerto do FPM. Sem uma compensação adequada, a situação financeira dessas prefeituras pode se tornar insustentável. O levantamento realizado pela CNM indica que as pequenas cidades podem ver uma perda de até 70% a 80% da sua arrecadação com o IRRF, o que representa um impacto considerável em suas finanças.

A Necessidade de Diálogo e Soluções
A Justiça Fiscal e Tributária
A FNP defende que a correção da tabela do Imposto de Renda é uma medida positiva do ponto de vista da justiça fiscal, pois alivia a carga tributária para as pessoas de baixa e média renda. No entanto, a medida precisa ser acompanhada de um mecanismo de compensação que proteja as finanças dos municípios e evite que a prestação de serviços essenciais seja comprometida.
O secretário-executivo da FNP, Gilberto Perre, destaca que o ressarcimento deve ser proporcional à perda de arrecadação de cada município, com base na quantidade de IRRF que cada cidade deixa de receber com a correção da tabela. Assim, seria possível garantir que as prefeituras mantenham sua capacidade de investir em serviços públicos essenciais para a população.
O Papel do Governo Federal
O governo federal, por sua vez, ainda não divulgou detalhes sobre como será feita a correção da tabela do Imposto de Renda, o que torna as estimativas de impacto ainda preliminares. No entanto, é esperado que o Executivo apresente um plano de compensação para os municípios, levando em conta as demandas de entidades como a FNP e a CNM.
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
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