O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), protagonizou um momento de forte emoção nesta quinta-feira (16) ao comentar o escândalo que envolve supostas fraudes em descontos indevidos nas aposentadorias e pensões de milhares de segurados.
Emocionado, presidente da CPI do INSS chora ao falar sobre escândalo que atingiu aposentados
Carlos Viana se emociona na CPI do INSS ao denunciar fraudes milionárias que afetaram aposentados e critica silêncio das autoridades.
Durante a sessão, Viana chegou às lágrimas ao lembrar de sua própria origem e da luta de milhões de brasileiros que dependem do benefício previdenciário. “Faço tudo isso na lembrança do meu pai, motorista de caminhão, da minha mãe e dos meus avós”, disse o parlamentar, com a voz embargada.
O senador ressaltou que a CPMI tem como missão romper o silêncio institucional que teria permitido a movimentação de mais de R$ 500 milhões em apenas dois anos por entidades suspeitas de envolvimento nas irregularidades.
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“Cada desconto é uma ferida”, diz Carlos Viana

Ao longo de seu discurso, o presidente da comissão descreveu a indignação com o contraste social revelado pelo caso. “Cada desconto ilegal é uma ferida, cada fraude é uma traição, cada silêncio é um tapa na cara do povo”, afirmou, visivelmente abalado.
Segundo ele, as investigações da CPMI já reuniram indícios de que instituições e confederações ligadas a sindicatos e associações estariam atuando de forma irregular ao autorizar ou facilitar descontos automáticos em benefícios do INSS, muitas vezes sem o consentimento dos aposentados.
“Enquanto uns vivem em mansões, muitos idosos contam moedas para comprar seus remédios no fim do mês”, lamentou o senador, ao destacar o impacto humano das fraudes.
As investigações da CPMI
A CPMI foi criada em meio a denúncias de descontos indevidos e fraudes em consignados realizados contra aposentados e pensionistas em todo o país. O colegiado tem convocado representantes de associações e confederações suspeitas de intermediar esses descontos de forma irregular, além de buscar esclarecer a possível omissão de órgãos federais, como o Ministério da Previdência e a Controladoria-Geral da União (CGU).
Nesta quinta-feira (16), a comissão ouviu Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como assessor do presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil), entidade citada em diversas denúncias.
De acordo com os parlamentares, a Conafer teria movimentado valores expressivos de forma obscura, levantando suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos. Carlos Viana afirmou que há provas documentais e indícios de ligação entre a confederação e empresas privadas que lucraram com os descontos indevidos.
Silêncio das autoridades e críticas à omissão
Em seu pronunciamento, o presidente da CPMI fez críticas diretas à postura de órgãos federais que, segundo ele, não reagiram com a devida rapidez diante das denúncias.
“Ficou evidente o elo entre entidades que movimentaram mais de R$ 500 milhões de reais em apenas dois anos, enquanto a CGU e o Ministério da Previdência ficaram em silêncio”, destacou.
O senador afirmou que esse comportamento contribuiu para a expansão das fraudes e reforçou a necessidade de que a CPMI atue de forma independente e transparente. “Essa comissão existe para romper esse silêncio e mostrar o que fizeram com o dinheiro de quem construiu este país com as próprias mãos”, declarou.
Entidades sob suspeita

Entre as organizações investigadas pela CPMI estão associações de aposentados, cooperativas e confederações que teriam firmado convênios com o INSS para facilitar o acesso a benefícios e serviços. No entanto, conforme apurações preliminares, muitas dessas entidades teriam usado os dados dos segurados para aplicar cobranças indevidas, inserindo contribuições ou mensalidades sem autorização.
Há suspeitas de que parte dos valores arrecadados tenha sido desviada para contas particulares ou utilizada para financiar campanhas políticas e benefícios pessoais. As transações, segundo documentos apresentados à comissão, teriam ocorrido por meio de contratos opacos e triangulações financeiras.
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O impacto sobre os aposentados
Os maiores prejudicados são os aposentados e pensionistas de baixa renda, que frequentemente percebem pequenas reduções mensais em seus benefícios e, por desconhecimento, não conseguem identificar a origem das cobranças.
Em muitos casos, os descontos são feitos por códigos genéricos no extrato do INSS, dificultando a contestação. A CPMI também recebeu relatos de idosos que tiveram parte significativa da aposentadoria comprometida por cobranças ilegais, o que tem agravado o endividamento e a insegurança financeira na terceira idade.
De acordo com dados apresentados por parlamentares, mais de 1 milhão de beneficiários podem ter sido afetados por esse tipo de fraude, o que representaria um rombo bilionário no sistema previdenciário.
O papel da CPMI e os próximos passos
A CPMI do INSS foi instalada no Congresso Nacional com o objetivo de investigar e responsabilizar os envolvidos nas irregularidades. O colegiado, composto por deputados e senadores, deve reunir relatórios técnicos, documentos bancários e depoimentos para encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF).
Carlos Viana enfatizou que a intenção não é apenas punir os culpados, mas reconstruir a confiança dos brasileiros no sistema previdenciário. “O que está em jogo é a dignidade de quem trabalhou a vida toda e agora sofre com o descaso e a ganância”, afirmou.
Nos próximos dias, estão previstos novos depoimentos e a análise de contratos firmados entre o INSS e as entidades suspeitas. A expectativa é que o relatório final da CPMI seja concluído até o fim do ano, com recomendações de mudanças nas regras de convênios e maior transparência nos descontos em folha.
Imagem: Saulo Cruz / Agência Senado
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