O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou na última sexta-feira (5) que o Brasil vende para quem quer comprar seus produtos, ao comentar sobre a relação comercial com a China.
Lula sobre parceria com China: “Vendemos para quem quer comprar”
Presidente Lula destaca comércio com China e defende vendas bilaterais diante de tarifas dos EUA.
Em entrevista ao SBT Brasil, Lula destacou que o país tem capacidade de produção e busca diversificação nas exportações. “O Brasil produz, quer vender seus produtos, e a gente vende pra quem quer comprar”, afirmou.
A declaração surge em meio a discussões sobre a tarifa de 50% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida considerada punitiva e parte de uma disputa comercial entre os países.
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Comparação entre comércio com China e EUA

O presidente destacou diferenças estratégicas entre as relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos e a China.
Segundo Lula:
- O comércio Brasil-China é o dobro do comércio com os EUA;
- Com a China, o Brasil apresenta superávit comercial, enquanto com os EUA há déficit;
- A taxação americana sobre produtos brasileiros é de 50%, motivada por alegada relação comercial “desequilibrada”.
A comparação evidencia o interesse brasileiro em fortalecer parcerias comerciais vantajosas, garantindo maior equilíbrio na balança comercial.
Missões diplomáticas e diálogo bilateral
Nos últimos meses, o Brasil intensificou o diálogo com a China. Entre as ações recentes:
- O assessor especial de Lula, Celso Amorim, participou do desfile militar chinês, discutindo multilateralismo e fortalecimento do Sul Global com o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi;
- Amorim entregou uma carta de Lula a Xi Jinping, parabenizando o presidente chinês pelo “Dia da Vitória”;
- Em agosto, Lula conversou por telefone com Xi, tratando de parceria bilateral e oportunidades de novos negócios, em contato que durou cerca de uma hora.
Essas iniciativas reforçam a estratégia de cooperação diplomática e econômica com o país asiático.
Memorando de cooperação com China e Rússia
Em julho de 2025, o Brasil assinou no Rio de Janeiro um memorando de cooperação com China e Rússia, incluindo:
- Sinergias estratégicas para o desenvolvimento brasileiro;
- Projetos nacionais como a NIB (Nova Indústria Brasil) e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento);
- Plano de Transformação Ecológica;
- Programa Rotas da Integração Sul-Americana e participação na Iniciativa Cinturão e Rota.
O acordo mostra a intenção de integrar o Brasil a cadeias globais de produção e inovação, reforçando parcerias comerciais e tecnológicas.
Viagem de Lula à China e acordos comerciais
Em maio, o presidente realizou uma viagem à China, resultando na assinatura de cerca de 36 acordos com empresas chinesas. Entre os setores contemplados:
- Farmacêutico: cooperação em produção e distribuição de medicamentos;
- Automóveis: parcerias com a montadora GWM;
- Delivery e tecnologia: entrada da companhia Meituan no Brasil, competindo com serviços locais como iFood.
A agenda reforçou a estratégia brasileira de atrair investimentos estrangeiros, ampliar exportações e gerar emprego e inovação.
Estratégia de vendas e diversificação
Lula reforçou que o Brasil não depende de um único mercado. O objetivo é vender para países que valorizem os produtos nacionais, garantindo:
- Superávit comercial em negociações estratégicas;
- Redução de impactos de tarifas externas, como as aplicadas pelos EUA;
- Fortalecimento do setor industrial e agrícola brasileiro;
- Estabilidade econômica diante de crises comerciais internacionais.
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O discurso do presidente evidencia a busca por autonomia econômica e fortalecimento das exportações.
Impacto das tarifas dos Estados Unidos
O chamado “tarifaço” americano afetou exportações de produtos brasileiros, sendo justificado pelos EUA como consequência de uma relação comercial desequilibrada.
O governo brasileiro, por meio de Lula, sinaliza que:
- O Brasil busca equilíbrio comercial;
- A diversificação de parceiros comerciais, principalmente a China, minimiza impactos;
- Políticas de incentivo à exportação e acordos bilaterais são instrumentos para manter o crescimento econômico.
Essa postura reforça a narrativa de que o país vende para quem quer comprar, sem comprometer relações estratégicas com múltiplos mercados.
Perspectivas para o comércio bilateral

Especialistas apontam que a relação Brasil-China tende a se consolidar ainda mais, considerando:
- Crescimento das exportações brasileiras de commodities e produtos industrializados;
- Interesse chinês em investir em setores estratégicos do Brasil;
- Expansão de projetos como NIB e PAC, que fortalecem a infraestrutura nacional;
- Cooperação em áreas de tecnologia, energia e logística, integrando cadeias produtivas globais.
O fortalecimento da parceria bilateral contribui para desenvolvimento econômico sustentável, geração de empregos e maior competitividade internacional.
Com informações de: CNN Brasil
