Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Cobrança de IOF derruba aportes no VGBL e muda o jogo da previdência privada

Com a cobrança de IOF nos aportes em VGBL, seguradoras intensificam a disputa por portabilidades, benefícios e estratégias para reter recursos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
iof 015

A indústria de previdência privada no Brasil atravessa um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. O setor, que por anos cresceu impulsionado pela entrada constante de dinheiro novo, agora opera em um ambiente de competição intensa por recursos já existentes. A mudança foi provocada pela cobrança do imposto sobre operações financeiras (IOF) nos aportes em planos VGBL, medida que alterou profundamente a dinâmica do mercado e obrigou seguradoras a adotarem estratégias mais agressivas de ataque e defesa.

Leia mais:

Audiência sobre IOF acaba sem consenso entre governo e Congresso

IOF nos VGBLs muda o jogo da previdência privada

Desde junho de 2025, o governo passou a cobrar 5% de IOF sobre aportes em VGBL que ultrapassem R$ 300 mil por CPF ao ano em uma mesma seguradora. A partir de 1º de janeiro de 2026, esse limite sobe para R$ 600 mil por CPF ao ano, considerando o total aplicado em todas as seguradoras.

Impacto direto sobre a captação

A medida travou a entrada de novos recursos e atingiu em cheio o principal produto do setor, já que o VGBL responde por cerca de 90% da indústria de previdência privada. Com menos dinheiro novo entrando, as seguradoras passaram a disputar um estoque superior a R$ 1,5 trilhão em ativos já existentes no sistema.

Dados mostram desaceleração inédita

Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), os resgates somaram R$ 3,1 bilhões em outubro e R$ 4,2 bilhões no acumulado do ano, uma queda de 92% em relação a 2024. A captação bruta chegou a R$ 132 bilhões, representando recuo anual de 18,6%.

Concorrência se intensifica com foco em portabilidade

Sem perspectiva de reversão do IOF no curto prazo, as seguradoras passaram a apostar fortemente na portabilidade como principal estratégia de crescimento.

Campanhas promocionais e benefícios financeiros

Cashback, redução de taxas, pontos em programas de fidelidade, prêmios e até sorteios de viagens passaram a fazer parte das campanhas para atrair investidores dispostos a transferir seus planos de previdência.

“Esperamos um mercado ainda mais competitivo em relação às portabilidades”, afirma Amâncio Paladino, diretor da XP Seguros, destacando que a empresa reforçou suas estratégias para manter a captação líquida positiva.

Educação financeira e aportes recorrentes

Além da disputa direta por recursos existentes, o setor também tenta estimular aportes recorrentes, estratégia que exige maior educação financeira dos clientes, especialmente em um país onde grandes aplicações costumam ocorrer apenas em eventos extraordinários de liquidez, como heranças, venda de imóveis ou programas de demissão voluntária.

Gigantes do setor mudam postura

Nem mesmo as maiores seguradoras escaparam da nova realidade competitiva.

BrasilPrev amplia foco em portabilidade

Líder do mercado, com cerca de 27% de participação e R$ 454 bilhões em ativos, a BrasilPrev passou a olhar com mais atenção para a portabilidade, ampliando sua prateleira de fundos e reforçando a assessoria financeira em parceria com o Banco do Brasil.

Bradesco aposta em relacionamento e comunicação

A Bradesco Vida e Previdência, que administra R$ 365 bilhões em reservas, intensificou sua presença digital, contratou influenciador para falar de previdência de forma mais acessível e ampliou parcerias com escritórios de investimentos.

Itaú foca na experiência integrada

Com mais de R$ 335 bilhões em ativos, o Itaú Vida e Previdência aposta na combinação entre sua ampla rede bancária, especialistas em investimentos e canais digitais para conter saídas e avançar sobre concorrentes.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Seguradoras independentes ganham espaço

Entre as independentes, a Icatu e a XP ampliam canais de distribuição e facilitam o acesso.

Redução de tíquete e expansão de parcerias

A Icatu reduziu o valor mínimo de entrada para R$ 50 e ampliou parcerias com mais de 2 mil escritórios de investimentos e corretores. A XP, por sua vez, utiliza sua ampla rede de assessoria e estuda campanhas específicas para 2026.

Segundo dados da Susep até setembro de 2025, XP, Itaú, BTG Pactual, Bradesco e Icatu lideraram o recebimento de portabilidades em VGBL, enquanto BrasilPrev, Icatu, Bradesco, SulAmérica e XP foram as que mais cederam recursos.

Debate sobre a reversão do IOF continua

Paralelamente à disputa comercial, o setor mantém diálogo com o governo, a Susep e o Congresso Nacional para tentar eliminar a cobrança do IOF nos aportes em VGBL.

Argumentos do setor

Entidades como FenaPrevi e CNseg defendem que a medida penaliza a poupança de longo prazo da classe média, cria insegurança jurídica e empurra recursos para aplicações de curto prazo ou até para fora do país.

Especialistas alertam que não existe, no cenário internacional, um modelo previdenciário que tribute o principal no momento da entrada, o que compromete a confiança do investidor de longo prazo.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados