O Procon Carioca deu início nesta quarta-feira (2) à operação “CPF Protegido”, uma ação de fiscalização em farmácias e drogarias da cidade do Rio de Janeiro com foco no cumprimento das novas normas sobre o uso de dados pessoais dos consumidores. A iniciativa ocorre em parceria com a Secretaria Municipal de Integridade e Transparência (SMIT) e tem como base a legislação vigente, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Procon inicia fiscalização para acabar com exigência de CPF em farmácias
Procon Carioca fiscaliza farmácias por exigir CPF em descontos; ação busca proteger dados com base na LGPD.
Durante os primeiros 60 dias, a operação terá caráter educativo, período no qual os estabelecimentos deverão adequar seus procedimentos às regras da nova resolução municipal. O objetivo é assegurar que os consumidores não sejam obrigados a fornecer o CPF ou qualquer outro dado pessoal como condição para obter descontos ou consultar preços de medicamentos.
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O que determina a nova resolução municipal
Proibição da exigência de dados para acesso a descontos
Com a nova norma, farmácias e drogarias estão proibidas de exigir o número do CPF ou outros dados pessoais do consumidor como condição prévia para:
- Conceder descontos
- Apresentar valores promocionais
- Oferecer benefícios de programas de fidelidade
Essa prática, comum em redes varejistas do setor farmacêutico, fere os princípios da LGPD, que exige consentimento claro e informado para coleta e uso de dados, e pode configurar violação aos direitos do consumidor, caso não haja alternativa para o cliente.
Transparência no uso dos dados
Outra exigência importante é que os estabelecimentos passem a informar de forma clara e visível como os dados dos consumidores serão utilizados, armazenados e eventualmente compartilhados. Essa medida segue os princípios de:
- Finalidade
- Necessidade
- Transparência
- Segurança
- Responsabilização
A ausência dessas informações pode levar à caracterização de infração à LGPD, sujeita a sanções administrativas após o período de adequação.
Fiscalização com foco educativo nos primeiros 60 dias
Fiscais visitarão farmácias em todas as regiões da cidade
Durante os dois primeiros meses da operação, equipes do Procon Carioca e da SMIT farão visitas a pontos de venda em todas as regiões do Rio de Janeiro para orientar os responsáveis sobre as novas diretrizes e verificar se há comprometimento com a adaptação das práticas comerciais.
O secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, João Pires, destacou a importância do momento:
“A operação busca proteger os dados pessoais dos consumidores e promover uma relação mais transparente entre farmácias e clientes.”
Após o prazo, sanções serão aplicadas
Passado o período educativo, o Procon poderá aplicar multas e sanções administrativas a estabelecimentos que não cumprirem as determinações da resolução. As penalidades serão definidas com base na:
- Gravidade da infração
- Reincidência
- Porte da empresa
- Danos causados ao consumidor
O contexto legal: LGPD e CDC
O que diz a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)?
Em vigor desde 2020, a LGPD (Lei nº 13.709/2018) regula o uso de dados pessoais por empresas e órgãos públicos. No contexto das farmácias, a coleta do CPF deve obedecer aos seguintes critérios:
- Consentimento explícito do titular
- Clareza sobre a finalidade
- Garantia de que o dado não será compartilhado indevidamente
- Possibilidade de o consumidor recusar o fornecimento sem prejuízo
A exigência do CPF sem opção de escolha e sem informação clara sobre o uso do dado pode configurar abuso, passível de punições pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e órgãos locais de defesa do consumidor.
O que prevê o Código de Defesa do Consumidor?

O CDC estabelece que o consumidor não pode ser constrangido ou coagido a fornecer dados pessoais para acessar serviços essenciais. Também garante o direito à:
- Informação clara e adequada
- Liberdade de escolha
- Proteção contra práticas abusivas
A imposição do fornecimento do CPF para conceder descontos, sem alternativa, é considerada uma forma de venda casada indireta, o que é proibido pela legislação.
Como denunciar irregularidades
Canais de denúncia disponíveis
Consumidores que identificarem práticas ilegais nas farmácias do Rio de Janeiro podem denunciar diretamente ao Procon Carioca pelos seguintes meios:
- Site: proconcarioca.prefeitura.rio (sem link ativo no texto, por solicitação do usuário)
- Central 1746 da Prefeitura do Rio
- Redes sociais: @proconcariocaoficial
É importante que o consumidor informe:
- Nome e endereço do estabelecimento
- Data e horário da ocorrência
- Detalhes da prática irregular (ex: recusa em conceder desconto sem CPF)
- Fotos ou comprovantes, se disponíveis
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O que acontece após a denúncia
As denúncias recebidas serão analisadas pelas equipes de fiscalização, que poderão:
- Visitar o local
- Solicitar esclarecimentos formais
- Aplicar penalidades em caso de descumprimento após o prazo de adaptação
Impactos para o setor farmacêutico
Necessidade de readequação sistêmica
Redes de farmácias que utilizam sistemas integrados de fidelização ou descontos atrelados ao CPF precisarão reconfigurar seus sistemas para oferecer condições equitativas a todos os consumidores. Isso inclui:
- Reformular sistemas de check-out
- Atualizar aplicativos e bases de dados
- Criar políticas de privacidade visíveis nas lojas
- Capacitar os atendentes para prestar esclarecimentos
Boas práticas recomendadas
- Oferecer a opção de acesso aos descontos sem necessidade de identificação
- Utilizar cartões ou códigos de desconto genéricos
- Garantir anonimização de dados quando possível
- Ter uma política de privacidade clara e acessível
A importância da proteção de dados no consumo cotidiano
O CPF como dado sensível
Embora o CPF não seja classificado tecnicamente como dado sensível, ele é considerado um dado pessoal identificável, que pode ser usado para cruzamentos com outras informações, possibilitando:
- Abertura de contas fraudulentas
- Golpes de crédito
- Perfilamento comercial sem consentimento
Por isso, seu uso precisa ser restrito, transparente e justificável — o que nem sempre ocorre em programas de fidelidade ou sistemas de desconto no varejo farmacêutico.
O papel do consumidor

Os próprios consumidores também devem estar atentos ao fornecimento de seus dados, questionando:
- Por que o CPF está sendo solicitado?
- Existe alternativa para obter o desconto?
- Como os dados serão usados e armazenados?
- Existe política de privacidade visível?
Imagem: Divulgação / Procon Uberlândia
