O Procon-SP anunciou, no final de junho de 2025, a aplicação de multas milionárias às empresas Uber e 99 por ofertarem de forma irregular o serviço de transporte de passageiros por motocicleta, conhecido como mototáxi, na cidade de São Paulo. A Uber foi multada em R$ 13.791.524,54, enquanto a 99 recebeu uma penalidade de R$ 3.533.836,00.
Procon multa Uber e 99 por irregularidade em serviço
Procon-SP multa Uber em R$ 13,7 mi e 99 em R$ 3,5 mi por ofertarem mototáxi irregular em SP, desrespeitando decisão judicial e o CDC.
A decisão do órgão paulista de defesa do consumidor se baseia na constatação de que ambas as plataformas mantiveram a oferta do serviço mesmo diante de uma proibição expressa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e sem regulamentação municipal vigente. A conduta é considerada uma infração ao artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que trata da segurança dos serviços prestados.
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Entenda o caso

Decisão judicial ignorada
Em maio de 2025, o TJ-SP determinou, por meio de decisão judicial, a suspensão imediata do serviço de mototáxi na capital paulista, por falta de regulamentação da Prefeitura. Mesmo assim, as empresas continuaram oferecendo a opção nos aplicativos, permitindo que usuários solicitassem viagens de motocicleta em diversos bairros da cidade.
Na ocasião, o Procon-SP notificou as plataformas, solicitando esclarecimentos sobre o descumprimento da ordem judicial. As empresas alegaram que estavam aguardando orientações complementares das autoridades para reavaliar a continuidade do serviço. No entanto, para o órgão de defesa do consumidor, esse argumento não se sustenta diante de uma decisão judicial vigente.
Declaração do Procon-SP
O diretor executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti Filho, foi claro ao comentar a postura das empresas:
“O arcabouço legal brasileiro garante ampla defesa e permite a todas as partes de um processo etapas recursais, na defesa de suas teses. Mas, no entendimento do órgão paulista de defesa do consumidor, sempre a partir do cumprimento de decisão judicial, seja ela em caráter liminar ou definitiva, ainda mais advinda do Tribunal de Justiça, que é soberano na estrutura estadual. Portanto, o argumento das empresas […] não é justificável.”
Cálculo das multas e fundamentos legais
Com base no Código de Defesa do Consumidor
As penalidades foram calculadas de acordo com critérios estabelecidos no CDC. O Procon-SP levou em conta dois fatores principais para fixar os valores:
- Gravidade da infração: Oferecer serviço não regulamentado, colocando em risco a segurança dos usuários.
- Porte econômico das empresas: Considerando o faturamento e a dimensão das operações das plataformas.
Ao descumprirem normas legais e decisões judiciais, as empresas infringiram direitos básicos dos consumidores, incluindo o direito à segurança e à informação adequada.
A legalidade do serviço de mototáxi
O que diz a lei federal
Desde 2009, a Lei Federal nº 12.009 permite o serviço de mototáxi no Brasil. No entanto, a regulamentação depende de legislação municipal. Ou seja, a autorização para operar o serviço deve ser concedida por cada prefeitura, que define as regras locais, como exigências de segurança, cadastro de veículos e condutores.
Situação em São Paulo
Na capital paulista, não existe legislação específica que regulamente o mototáxi, o que significa que a operação do serviço é considerada ilegal. Mesmo assim, as empresas seguiram oferecendo corridas por motocicleta aos usuários da cidade.
A posição do Tribunal de Justiça de São Paulo é de que o serviço, além de não regulamentado, representa riscos à segurança dos passageiros, compromete o trânsito e pode impactar negativamente o sistema de mobilidade urbana da cidade.
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Conflito entre inovação e regulação

Plataformas alegam aguardar resposta do poder público
Uber e 99 argumentam que estão abertas ao diálogo com os órgãos reguladores e que apenas aguardavam um posicionamento mais claro da Prefeitura para ajustar ou desativar a funcionalidade dos mototáxis. No entanto, esse posicionamento foi considerado insuficiente pelo Procon-SP, uma vez que desrespeita diretamente uma decisão judicial vigente.
A tensão entre empresas e órgãos públicos
O episódio reforça a tensão crescente entre plataformas digitais e autoridades locais, que exigem maior responsabilidade e alinhamento com normas estaduais e municipais. Especialistas apontam que, enquanto a inovação tecnológica avança em ritmo acelerado, o marco regulatório urbano e de transporte ainda caminha lentamente, gerando brechas que podem comprometer a segurança da população.
O que acontece agora?
Direito de defesa e recursos
As empresas têm o direito de apresentar recursos administrativos contra a decisão do Procon-SP. O processo pode se estender, mas o órgão já sinalizou que a penalidade foi aplicada com base em critérios objetivos e dentro dos limites legais.
Caso os recursos não sejam acatados, Uber e 99 deverão arcar com os valores das multas e poderão sofrer novas sanções caso persistam na oferta do serviço.
Imagem: master1305 – Freepik

