Quem costuma comprar chocolate já percebeu que o produto ficou mais caro nos últimos anos. Agora, um novo alerta do mercado internacional indica que os preços podem continuar pressionados caso a produção mundial de cacau enfrente novos problemas climáticos na safra 2026/27.
Clima e doenças ameaçam produção de cacau na temporada 2026/27
Quem costuma comprar chocolate já percebeu que o produto ficou mais caro nos últimos anos. Agora, um novo alerta do mercado internacional indica que os preços p
Embora especialistas ainda projetem que haverá cacau suficiente para abastecer o mercado global, a margem de segurança diminuiu drasticamente. A principal preocupação envolve o clima na África Ocidental, responsável por cerca de 70% da produção mundial da matéria-prima utilizada na fabricação do chocolate.
Mas o que exatamente está acontecendo? O risco significa que o chocolate vai faltar nas prateleiras? O Brasil também pode ser afetado? E o consumidor deve esperar novos aumentos nos preços?
Entenda os principais fatores que explicam o cenário.
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O principal motivo para a preocupação é a redução da expectativa de excedente mundial de cacau.
A consultoria StoneX revisou sua previsão para a safra 2026/27 e reduziu o superávit global de 149 mil toneladas para apenas 25 mil toneladas.
Na prática, isso significa que a diferença entre a quantidade produzida e a demanda mundial ficou muito menor.
Esse tipo de redução torna o mercado mais vulnerável. Basta uma quebra de safra, um evento climático extremo ou problemas logísticos para que a oferta fique abaixo do consumo, pressionando os preços internacionais.
Como funciona o mercado mundial de cacau
Assim como acontece com café, soja e milho, o cacau é uma commodity agrícola, ou seja, uma matéria-prima negociada internacionalmente.
Seu preço depende principalmente do equilíbrio entre oferta e demanda.
Quando a produção cresce mais do que o consumo, os preços tendem a cair.
Quando ocorre o contrário — produção menor ou demanda maior — as cotações costumam subir.
No caso do cacau, esse equilíbrio é ainda mais delicado porque poucos países concentram grande parte da produção mundial.
Por que a África Ocidental é tão importante
Grande parte do cacau consumido no planeta vem de quatro países africanos:
- Costa do Marfim;
- Gana;
- Nigéria;
- Camarões.
A Costa do Marfim, sozinha, responde pela maior produção mundial.
Por isso, qualquer problema climático na região afeta diretamente o mercado internacional.
É exatamente isso que preocupa os analistas neste momento.
O fenômeno El Niño pode reduzir a produção
Um dos principais riscos apontados pela StoneX é a possibilidade de um El Niño de forte intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de chuva em diversas partes do mundo.
Na África Ocidental, ele pode provocar mudanças importantes nas condições ideais para o desenvolvimento dos cacaueiros.
Além disso, as chuvas intensas registradas em junho de 2026 já afetaram parte das lavouras, aumentando a preocupação com a próxima colheita.
A produção dos maiores países foi revisada para baixo
Com o aumento dos riscos climáticos, a StoneX reduziu suas estimativas para praticamente todos os principais produtores africanos.
Costa do Marfim
A previsão caiu para 1,775 milhão de toneladas, abaixo das cerca de 2 milhões de toneladas estimadas para a safra anterior.
Segundo a consultoria, a revisão considera tanto os impactos das chuvas quanto o risco climático associado ao El Niño.
Gana
A estimativa passou de 650 mil para 585 mil toneladas.
O país também enfrenta desafios relacionados às condições climáticas e ao envelhecimento de parte das plantações.
Nigéria
A projeção foi reduzida de 355 mil para 335 mil toneladas.
Camarões
A expectativa caiu de 300 mil para 290 mil toneladas.
Embora as reduções pareçam pequenas individualmente, o efeito conjunto representa centenas de milhares de toneladas a menos na principal região produtora do planeta.
Por que os produtores estão preocupados
Além do clima, existe outro problema importante.
Na Costa do Marfim, o sistema de comercialização limita o quanto os produtores conseguem receber quando os preços internacionais sobem.
Na prática, mesmo quando o cacau fica mais caro no mercado mundial, parte dos agricultores não recebe esse aumento integral.
Isso reduz o incentivo para investir em:
- renovação das lavouras;
- compra de mudas mais produtivas;
- controle de doenças;
- melhorias tecnológicas.
Com menos investimentos, a produtividade tende a crescer mais lentamente.
O consumo mundial continua aumentando
Mesmo após anos de preços elevados, o consumo de chocolate continua mostrando capacidade de recuperação.
A StoneX estima crescimento próximo de 2% na moagem mundial de cacau durante a safra 2026/27.
A moagem é um dos principais indicadores da demanda da indústria, pois representa a quantidade de grãos processados para produzir manteiga, pasta e pó de cacau.
A expectativa é que o volume global alcance aproximadamente 4,75 milhões de toneladas, acima das cerca de 4,66 milhões registradas na temporada anterior.
O chocolate vai ficar mais caro?
Ainda não existe uma resposta definitiva.
Os preços dependem de diversos fatores, como:
- tamanho da próxima safra;
- intensidade do El Niño;
- estoques mundiais;
- câmbio;
- custos industriais;
- demanda dos consumidores.
No entanto, um mercado com margem de segurança menor costuma apresentar maior volatilidade.
Isso significa que qualquer notícia negativa relacionada à produção pode provocar novas altas nas bolsas internacionais, refletindo posteriormente no preço pago pelos consumidores.
O Brasil pode ajudar a equilibrar a oferta?
Embora esteja longe dos maiores produtores mundiais, o Brasil vem ampliando sua importância no mercado de cacau.
Segundo a StoneX, a produção brasileira deve ficar entre 210 mil e 215 mil toneladas na safra 2026/27.
O crescimento ocorre graças a fatores como:
- expansão da área cultivada;
- uso de variedades mais produtivas;
- investimentos em tecnologia;
- modernização das propriedades rurais.
Ainda assim, o país também enfrenta riscos climáticos.
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Como o El Niño pode afetar o Brasil
O principal estado produtor brasileiro continua sendo a Bahia.
Dependendo da intensidade do El Niño, algumas regiões podem registrar alterações no regime de chuvas e nas temperaturas.
Mesmo assim, a consultoria avalia que o avanço tecnológico das lavouras brasileiras reduz parte desse risco.
Nos últimos anos, produtores investiram em:
- irrigação;
- manejo mais eficiente;
- controle fitossanitário;
- renovação dos plantios.
Esses fatores ajudam a aumentar a resiliência da produção.
O consumidor brasileiro deve se preparar?
Quem compra chocolates, bombons, ovos de Páscoa, achocolatados e outros produtos derivados pode continuar observando oscilações nos preços ao longo dos próximos meses.
Isso não significa necessariamente falta de produtos.
Na maior parte dos casos, o impacto aparece primeiro no custo da matéria-prima, sendo repassado gradualmente pela indústria.
Além do cacau, o preço final também depende de outros componentes, como:
- açúcar;
- leite;
- embalagens;
- energia elétrica;
- transporte;
- taxa de câmbio.
Por isso, mesmo quando o preço internacional do cacau sobe, o impacto no supermercado pode variar de acordo com diversos fatores econômicos.
O que esperar para os próximos meses
O mercado agora acompanha atentamente o desenvolvimento da safra principal da África Ocidental, cuja colheita começa entre setembro e outubro.
Se as condições climáticas forem favoráveis, a produção poderá se recuperar e aliviar parte das pressões sobre os preços.
Por outro lado, caso o El Niño se intensifique ou ocorram novos problemas nas lavouras, a oferta mundial poderá ficar ainda mais apertada, elevando novamente as cotações internacionais do cacau.
Para consumidores e empresas do setor alimentício, os próximos meses serão decisivos para definir o comportamento dos preços do chocolate em 2027.
Conclusão
O risco de o chocolate ficar mais caro em 2026 e 2027 está diretamente ligado às incertezas sobre a produção mundial de cacau. Embora ainda exista expectativa de superávit na safra, a margem ficou muito menor após a revisão das estimativas da StoneX, tornando o mercado mais sensível a problemas climáticos.
Ao mesmo tempo, o crescimento gradual da demanda e a dependência da produção da África Ocidental mantêm o setor em estado de atenção. Enquanto isso, o Brasil segue ampliando sua participação na produção global, mas ainda não tem escala suficiente para compensar eventuais perdas dos maiores produtores mundiais.
Perguntas frequentes
O chocolate vai ficar mais caro em 2026?
Ainda não há confirmação, mas o risco aumentou porque a produção mundial de cacau pode ficar abaixo do esperado caso ocorram novos problemas climáticos.
Por que o cacau está mais caro?
Os preços refletem principalmente a menor expectativa de produção na África Ocidental, região responsável pela maior parte do cacau mundial.
O Brasil produz cacau?
Sim. O Brasil é um importante produtor, principalmente nos estados da Bahia e do Pará, e deve produzir entre 210 mil e 215 mil toneladas na safra 2026/27.
O que é o El Niño?
É um fenômeno climático que altera o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta, podendo afetar a agricultura.
Pode faltar chocolate?
No momento, não há previsão de desabastecimento. A principal preocupação é com novas oscilações nos preços caso a oferta mundial diminua.
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