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Brasil registra alta de 7,8% na produção de veículos no primeiro semestre, diz Anfavea

Alta de 7,8% na produção de veículos em 2025 anima setor, mas cenário para o segundo semestre preocupa.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Apreensão de veículos

A indústria automotiva brasileira encerrou o primeiro semestre de 2025 com um balanço positivo, mas permeado por alertas. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados nesta segunda-feira (7), revelam que a produção de veículos no país cresceu 7,8% em comparação ao mesmo período de 2024, alcançando 1,226 milhão de unidades.

Apesar do resultado animador no acumulado, o setor enfrenta sinais de desaceleração nos últimos meses, o que projeta um segundo semestre desafiador para a indústria, segundo a própria Anfavea.

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Vendas e exportações impulsionam o semestre

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Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Além do aumento na produção, as vendas internas também apresentaram crescimento, embora mais modesto. Entre janeiro e junho de 2025, foram vendidos 1,199 milhão de veículos no mercado nacional, alta de 4,8% sobre o mesmo período do ano passado.

Já as exportações registraram desempenho bastante expressivo: avanço de 59,8% no semestre, totalizando 264,1 mil unidades vendidas ao exterior. O bom resultado é atribuído em grande parte à recuperação econômica da Argentina, principal destino das exportações brasileiras no setor. No semestre, cerca de 60% dos embarques tiveram o país vizinho como destino.

Em contrapartida, as importações também aumentaram, somando 228,5 mil unidades no período, uma alta de 15,6%. O crescimento das compras externas, principalmente de veículos chineses, acendeu um alerta na indústria nacional.

Dependência da Argentina e risco das importações

Apesar do crescimento nas exportações, a forte dependência do mercado argentino é motivo de preocupação para a indústria automotiva brasileira. Com poucos avanços em vendas para outros países, a concentração das exportações no país vizinho fragiliza o setor diante de eventuais crises econômicas ou políticas na Argentina.

Além disso, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, criticou o aumento da entrada de veículos importados da China, que chegam ao Brasil com um imposto abaixo da média global. Para ele, essa prática compromete a geração de empregos e enfraquece o projeto de neoindustrialização nacional.

“É cada vez mais evidente que estamos recebendo um fluxo perigoso de veículos chineses para o nosso mercado, com um Imposto de Importação abaixo da média global. Não ficaremos passivos com a interrupção de um projeto de neoindustrialização do país e com o avanço de propostas, como essa de redução da alíquota para montagem de veículos semi-desmontados, que não geram valor agregado nacional e geram pouquíssimos empregos”, enfatizou Calvet.

Junho aponta para queda no ritmo

Os números de junho trouxeram um tom de cautela ao setor. A produção no mês ficou em 200,8 mil unidades, queda de 6,5% em relação a maio e retração de 4,9% em comparação com junho de 2024.

As vendas internas também diminuíram, totalizando 212,9 mil unidades em junho — 5,7% a menos que em maio e 0,6% abaixo do mesmo mês do ano passado. Já as exportações, apesar de registrarem crescimento anual de 75% em relação a junho de 2024, caíram 1,7% frente a maio.

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Para Calvet, as quedas mensais não podem ser atribuídas apenas ao menor número de dias úteis. Segundo ele, o desempenho do mês evidencia uma desaceleração preocupante, inclusive com o fechamento de mais de 600 vagas diretas no setor.

Cenário desafiador para o segundo semestre

Veículos taxa de licenciamento
Imagem: Burdun Iliya/shutterstock.com

A Anfavea projeta um segundo semestre menos favorável para a indústria automotiva, com possíveis impactos vindos de incertezas econômicas, aumento das importações e flutuações na demanda interna e externa.

A entidade defende medidas para proteger a indústria nacional, estimulando a competitividade e evitando que a dependência de mercados externos e as importações desestruturem a cadeia produtiva.

O setor automotivo continua sendo um dos maiores empregadores da indústria brasileira, e cada fábrica em operação representa milhares de empregos diretos e indiretos. Manter a vitalidade do setor é considerado essencial para a economia do país.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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