A montadora chinesa BYD está prestes a dar um passo importante no Brasil: a empresa inicia, ainda este mês, a operação de montagem de veículos elétricos na nova fábrica instalada em Camaçari, Bahia. Com o objetivo de reduzir as importações e enfrentar o aumento nas tarifas alfandegárias, a companhia aposta no mercado brasileiro para consolidar sua presença fora da China — atualmente, o maior destino de seus automóveis.
BYD inicia operação de montagem de veículos na Bahia para reduzir importações
BYD começa operação de montagem na Bahia para reduzir importações e criar empregos. Saiba mais detalhes.
Em entrevista, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, confirmou que os preparativos para o início das atividades estão concluídos, restando apenas as últimas aprovações regulatórias para que a produção local se inicie oficialmente.
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Redução de importações e estratégia fiscal

Com o aumento das tarifas de importação para veículos, que passou a vigorar em 1º de julho, a BYD se adiantou enviando cerca de 22 mil carros prontos da China ao Brasil nos primeiros cinco meses de 2025. Essa manobra, segundo Baldy, garantiu que a empresa mantivesse os preços competitivos até que a fábrica pudesse operar em pleno ritmo.
A meta para 2025 é montar cerca de 50 mil veículos a partir de kits CKD (complete knock down), importados da matriz, enquanto negocia com o governo uma alíquota menor de imposto para essa modalidade de produção. O executivo afirmou que a companhia já “importou tudo o que precisava para este ano” antes da alta nas tarifas, aproveitando o momento para fortalecer seu estoque.
De fábrica da Ford a complexo elétrico
A unidade fabril da BYD ocupa as instalações de uma antiga planta da Ford, desativada em 2021. Desde a aquisição, em 2023, a montadora chinesa investe na modernização e adaptação do espaço para atender à demanda por veículos elétricos. Quando totalmente operacional — o que está previsto para julho de 2026 — o complexo deve empregar até 20 mil pessoas direta e indiretamente.
Apesar das expectativas elevadas, o cronograma sofreu atrasos nos últimos meses. Fortes chuvas na Bahia e investigações sobre irregularidades trabalhistas abalaram os planos. Um secretário estadual do Trabalho chegou a declarar, em maio, que a fábrica só estaria “plenamente funcional” ao final de 2026.
Acusações trabalhistas mancham a reputação
Em dezembro de 2024, o Ministério Público do Trabalho (MPT) acusou empreiteiras chinesas contratadas para erguer a fábrica de submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, além de práticas relacionadas ao tráfico de pessoas. As denúncias resultaram em uma ação judicial movida em maio, responsabilizando a BYD e suas empreiteiras.
Segundo o MPT, as negociações para um acordo extrajudicial fracassaram. Questionado sobre o assunto, Baldy afirmou que a empresa está empenhada em respeitar a lei brasileira e resolver as pendências jurídicas, mas não detalhou os motivos do impasse nas negociações com o órgão.
Empregos e perspectivas para o mercado brasileiro
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A instalação da BYD na Bahia promete aquecer o mercado de trabalho regional. As projeções iniciais apontam para a geração de até 20 mil postos de trabalho, o que representa uma importante contribuição para a economia local. Além disso, a montadora se torna uma alternativa aos consumidores brasileiros que buscam carros elétricos em um mercado ainda incipiente no país.
A estratégia da BYD também busca atender a crescente demanda por mobilidade sustentável, alinhada às metas globais de redução de emissões de carbono. Com produção nacional e menos dependência de importações, a marca espera ampliar sua fatia no mercado brasileiro.
O futuro da mobilidade elétrica no Brasil

A chegada da BYD à Bahia reforça o papel do Brasil na transição para um transporte mais limpo e eficiente. O início da montagem local é um indicativo de que a eletrificação automotiva avança, mesmo diante de desafios como a alta carga tributária e a infraestrutura limitada de recarga.
O plano de expansão da BYD no Brasil inclui, futuramente, a nacionalização de componentes e, possivelmente, a fabricação de veículos 100% feitos no país, em vez de apenas montados a partir de kits importados. Segundo especialistas do setor, isso pode representar um divisor de águas para a indústria automotiva brasileira.
Com informações de: InfoMoney
