A safra de café de 2025/2026, estimada em cerca de 60 milhões de sacas de 60 quilos, ganha novo impulso com a liberação de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Produtores de café mantêm otimismo apesar dos juros maiores no Plano Safra
A safra de café de 2025/2026, estimada em cerca de 60 milhões de sacas de 60 quilos, ganha novo impulso com a liberação de recursos do Fundo de Defesa da Econom
Segundo o Conselho Nacional do Café (CNC), os valores chegam em um momento considerado “estratégico” para os produtores, que atravessam o período de maior demanda por recursos financeiros, sobretudo para a colheita e aquisição de insumos.
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O papel do Funcafé no suporte ao produtor

Criado em 1986, o Funcafé oferece linhas de crédito voltadas às diferentes fases da cadeia produtiva do café. Entre as principais finalidades estão:
- Custeio da lavoura: financiamento para aquisição de insumos, defensivos e pagamento de mão de obra;
- Colheita: cobertura dos custos com maquinário, trabalhadores temporários e transporte;
- Estocagem: viabilização de espaços adequados para armazenagem, evitando a venda imediata em períodos de baixa;
- Comercialização: apoio à negociação de contratos com base nos preços de mercado.
Segundo o CNC, os primeiros contratos com base nos novos recursos devem ser fechados ainda neste mês, o que poderá aliviar a pressão sobre os custos operacionais da safra.
Fase crítica exige atenção estratégica
O Conselho chama atenção para o momento delicado vivido pelos cafeicultores: a chamada fase crítica de gastos, que coincide com a colheita e maior movimentação na lavoura. É nesse período que os investimentos são mais intensos, com contratação de pessoal, aluguel de máquinas e aquisição de produtos agrícolas.
A orientação da entidade é para que os produtores adotem uma estratégia de comercialização gradual, evitando a colocação de grandes volumes no mercado de forma concentrada. A medida busca evitar a pressão sobre os preços e garantir maior retorno ao produtor, aproveitando possíveis valorizações sazonais no mercado interno e internacional.
Comercialização com cautela
De acordo com o CNC, vender a produção logo após a colheita pode resultar em perdas financeiras, especialmente se houver excesso de oferta no mercado. Assim, os cafeicultores são incentivados a utilizar os recursos do Funcafé para financiar a estocagem e, com isso, escalonar a oferta ao longo do ano, aproveitando períodos de valorização.
Funcafé e o Plano Safra 2025/2026
A liberação dos recursos do Funcafé integra a estratégia nacional de financiamento da agricultura, que se consolida com o lançamento do Plano Safra 2025/2026. Ao todo, o governo federal destinou R$ 605,2 bilhões para impulsionar a produção agropecuária brasileira.
Agricultura empresarial
A maior parcela, R$ 516,2 bilhões, é voltada à agricultura empresarial, com recursos do BNDES, Banco do Brasil e instituições financeiras credenciadas. Os valores contemplam linhas de custeio, investimento, comercialização e industrialização de produtos do campo.
Agricultura familiar
Além disso, outros R$ 89 bilhões foram anunciados para o Plano Safra da Agricultura Familiar, com foco no fortalecimento da produção de base familiar e sustentável. Desses, R$ 78,2 bilhões estão destinados ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que possui taxas de juros muito inferiores à média de mercado.
Taxas de juros abaixo da Selic
Para financiamento da produção de alimentos essenciais como arroz, feijão, frutas, verduras, ovos e leite, o Pronaf mantém taxa de 3% ao ano. Já para cultivos orgânicos ou em sistema agroecológico, a taxa cai para 2% ao ano. O percentual é considerado “juro ultra negativo” pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, especialmente se comparado à Selic atual, fixada em 15% ao ano.
A combinação entre Funcafé e Pronaf amplia a capacidade de ação do produtor rural, permitindo que pequenos, médios e grandes produtores tenham acesso a crédito em condições favoráveis.
Estímulo à produção e redução de preços
Segundo o ministro, a liberação dos recursos vai garantir não só o estímulo à produção agrícola, como também refletir positivamente nos preços dos alimentos ao consumidor. A meta do governo é fortalecer a segurança alimentar nacional e reduzir o impacto da inflação sobre a mesa das famílias brasileiras.
Colheita, armazenagem e estabilidade de preços
Com a chegada dos recursos, o CNC espera que os cafeicultores possam:
- Executar a colheita com maior tranquilidade;
- Investir em infraestrutura de secagem e armazenagem;
- Planejar a venda da safra com base em estratégias de valorização do produto.
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A medida, além de amparar financeiramente os produtores, busca dar estabilidade ao mercado, evitando oscilações bruscas nos preços do café.
Safra robusta em 2025
A estimativa de que a safra brasileira de café alcance 60 milhões de sacas reforça a importância de linhas de crédito estruturadas. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, e movimentações internas têm impacto direto nos mercados internacionais, especialmente na cotação da variedade arábica.
A manutenção da produtividade, sem prejuízos na qualidade do grão, depende de investimentos constantes — o que torna o acesso ao crédito fundamental para a competitividade internacional do produto brasileiro.
O que os produtores devem fazer agora
Diante do cenário favorável à contratação de crédito, o CNC recomenda aos cafeicultores:
- Buscar informações junto às cooperativas e instituições financeiras sobre as condições atualizadas das linhas do Funcafé;
- Mapear os custos reais da produção, priorizando colheita, mão de obra e estocagem;
- Evitar a venda imediata da safra, exceto em casos de necessidade urgente;
- Monitorar o mercado interno e externo, acompanhando a evolução dos preços;
- Planejar a comercialização ao longo do segundo semestre, aproveitando janelas de oportunidade.
Perspectivas para o segundo semestre

A expectativa é de que a entrada da safra brasileira nos próximos meses movimente significativamente o mercado. Com a possibilidade de armazenagem financiada pelo Funcafé, os produtores devem equilibrar oferta e demanda de maneira mais eficiente.
Especialistas apontam que a retomada da economia global e o fortalecimento de mercados asiáticos podem sustentar bons preços para o café brasileiro, especialmente nas variedades gourmet e especiais.
Considerações finais
O anúncio da liberação dos recursos do Funcafé e do novo Plano Safra representa um alívio importante para os cafeicultores brasileiros, sobretudo em um momento sensível como o da colheita. A política de incentivo ao crédito rural, associada a taxas de juros atrativas, oferece condições para que a produção seja realizada com maior eficiência, qualidade e retorno econômico.
A recomendação de comercialização gradual, defendida pelo CNC, sinaliza um movimento de maturidade no setor, buscando maximizar o valor da safra e proteger os produtores contra oscilações do mercado.
Com uma safra promissora e apoio financeiro robusto, o Brasil reforça sua posição como potência mundial na cafeicultura, consolidando um modelo produtivo que alia tradição, inovação e sustentabilidade.
