A defasagem da tabela do imposto de renda tem levado a uma situação em que os tributos cobrados acabam sendo desproporcionais entre os grupos. Uma das consequências mais notáveis dessa defasagem é que milionários pagam menos impostos do que profissionais que atuam em setores essenciais, como a área de educação.
Além dos professores, outras profissões, como médicos e policiais, também sofrem com essa desproporcionalidade. Esses dados alarmantes foram revelados através de um levantamento inédito do sindicato que representa os auditores fiscais da Receita Federal, isto é, o Sindifisco Nacional.
Para chegar a esse resultado, a pesquisa considerou o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) do ano passado, cujo calendário-base foi o ano de 2021. Confira, ao longo do texto, mais detalhes sobre esse levantamento que aponta que os milionários pagam menos impostos.
Alíquota de 5,5% para os milionários e de 8,1% para professores

A pesquisa levou em conta um grupo de contribuintes que informou ter ganhos totais acima de R$ 2,1 milhões por ano, isto é equivalente a R$ 176 mil por mês. Isso também significa dizer que se ganhou mais de 160 salários mínimos.
O fato revelado é que esse grupo pagou uma alíquota efetiva de IRPF inferior a 5,5%. Por outro lado, professores do ensino fundamental tiveram que arcar com 8,1%. Além deles, assistentes sociais, bancários e enfermeiros tiveram alíquotas semelhantes.
Contribuintes militares ou médicos pagaram a alíquota mais alta do que o grupo citado acima, mas, mesmo assim, a taxa foi mais alta que a dos milionários. Neste caso, ela ficou entre 8,9% e 9,4%.
Comparando rendas de diferentes faixas
Os contribuintes que enfrentam maiores taxas são aqueles com renda mensal entre 10 e 40 salários mínimos. Nesses cenários, a média efetiva das alíquotas ultrapassa 10%. Esse grupo inclui profissões de alta remuneração, como cargos de destaque na carreira pública.
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Portanto, a proporção da renda que é efetivamente destinada ao pagamento de IR é mais do que o dobro daquilo que é pago por indivíduos milionários. Contudo, o presidente do Sindifisco, o auditor-fiscal Isac Falcão, considera justas as alíquotas efetivas aplicadas a essas categorias com altos salários. Confira alguns exemplos:
- Juízes – 13%;
- Servidores do Banco Central – 14,5%;
- Auditores fiscais – 15,6%.
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