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Empresários reduzem projeção do dólar em 6 meses de R$ 6,00 para R$ 5,80

Pesquisa Firmus do BC aponta dólar a R$5,80 em seis meses e IPCA de 5,5% em 2025. Empresas seguem projetando inflação acima da meta.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Mesmo diante de um cenário cambial mais favorável, empresas brasileiras seguem projetando inflação acima do centro da meta definida pelo Banco Central (BC) para os próximos anos. A conclusão vem da mais recente edição da pesquisa Firmus, divulgada nesta segunda-feira (30), que compila trimestralmente as percepções de companhias fora do setor financeiro sobre os rumos da economia brasileira.

A sondagem mostra que a mediana das expectativas para a taxa de câmbio seis meses à frente caiu de R$6,00 para R$5,80 por dólar, refletindo um otimismo moderado diante da estabilidade recente do real. Ainda assim, a inflação estimada segue descolada da meta perseguida pelo BC, atualmente fixada em 3% ao ano, com IPCA de 5,5% em 2025, 4,5% em 2026 e 4% em 2027, segundo a mediana das projeções.

A pesquisa Firmus representa um novo instrumento de monitoramento da autarquia, complementar ao tradicional Boletim Focus, e busca mapear as expectativas econômicas de empresas não financeiras, que muitas vezes respondem de maneira diferente dos analistas do mercado financeiro.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Recuo na expectativa cambial

A expectativa do setor produtivo para o câmbio no horizonte de seis meses passou por ajuste relevante, caindo de R$6,00 na edição de fevereiro para R$5,80 em maio. O dado reflete menor percepção de risco externo e maior confiança no equilíbrio das contas externas brasileiras, mesmo com os desafios fiscais.

O movimento acompanha a tendência do mercado à vista, onde o dólar operava nesta segunda-feira abaixo de R$5,45, pressionado por entradas de capital estrangeiro e maior apetite ao risco global.

Efeito sobre a inflação

A queda nas projeções para o dólar tende a ser desinflacionária, ao baratear produtos importados e insumos industriais. Ainda assim, isso não foi suficiente para alterar a percepção inflacionária das empresas ouvidas pela pesquisa Firmus.

“Mesmo com a revisão cambial, as projeções para o IPCA seguem acima do centro da meta, sugerindo cautela quanto ao comportamento dos preços internos”, destaca o relatório do BC.

Inflação segue acima da meta

Expectativas para o IPCA

A mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — principal indicador da inflação no país — permaneceu em 5,5% para 2025, 4,5% para 2026 e 4,0% para 2027, exatamente os mesmos valores observados na rodada anterior da pesquisa Firmus.

Esses percentuais extrapolam o centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ainda que estejam dentro do intervalo de tolerância permitido (1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

Comparação com a pesquisa Focus

Os resultados da Firmus coincidem com os da pesquisa Focus, que coleta projeções de instituições financeiras. Segundo o boletim Focus também divulgado nesta segunda, o mercado prevê:

  • IPCA de 5,20% em 2025
  • IPCA de 4,50% em 2026
  • IPCA de 4,00% em 2027

Ou seja, há alinhamento entre setor produtivo e mercado financeiro quanto ao risco de a inflação persistir acima da meta, o que pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic.

PIB: expectativa de crescimento segue em 2%

Previsão PIB
Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

As empresas mantiveram a expectativa de crescimento de 2,00% do PIB em 2025, repetindo a projeção da edição de fevereiro da pesquisa Firmus. O número é inferior à estimativa do Boletim Focus, que aponta expansão de 2,21%, e à própria projeção do Banco Central, de 2,1% para o ano.

Essa estabilidade nas expectativas para a atividade econômica sugere visão cautelosa sobre o ritmo de crescimento, diante de condições financeiras apertadas, inflação persistente e incertezas sobre a política fiscal.

Custo da mão de obra e repasse de preços

Pressão sobre salários

Outro ponto sensível monitorado pela pesquisa é a expectativa para os custos de mão de obra, com impacto direto nas margens das empresas e nos preços finais ao consumidor.

  • 17,6% das empresas projetaram alta superior a 6% nos salários nos 12 meses seguintes, ligeiramente acima dos 17,3% em fevereiro;
  • 60,4% esperam reajustes entre 4% e 6%, ante 66,0% no trimestre anterior.

Apesar da leve elevação nas projeções de aumentos salariais mais expressivos, a maioria ainda espera pressões moderadas sobre os custos de pessoal.

Menor intenção de repassar inflação

Outro dado relevante é que diminuiu o número de empresas que pretendem repassar integralmente a inflação aos preços de seus produtos:

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  • Em maio, 43,3% das companhias indicaram essa intenção, contra 46,8% em fevereiro.

Esse recuo pode refletir um ambiente de menor poder de precificação ou maior sensibilidade da demanda a aumentos de preços, especialmente em setores mais concorridos ou voltados ao consumo.

Influência da política comercial dos EUA

A pesquisa Firmus também abordou a percepção das empresas em relação à política comercial dos Estados Unidos, especialmente no contexto de aumento de tarifas e tensões comerciais globais.

De acordo com o BC, a maioria dos participantes citou o aumento da incerteza econômica como principal reflexo da política comercial norte-americana, mas poucos relataram efeitos diretos, como alta nos custos de insumos ou elevação da concorrência com importados.

Esse dado sugere que, ao menos no curto prazo, o Brasil ainda não foi fortemente impactado por medidas protecionistas internacionais, embora o risco permaneça no radar.

Firmus: uma nova ferramenta para entender o setor produtivo

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Imagem: Freepik e Canva

O que é a pesquisa Firmus?

A Firmus é uma pesquisa trimestral conduzida pelo Banco Central desde 2023, como parte de um projeto piloto voltado para ampliar o diálogo com empresas não financeiras. O objetivo é captar expectativas econômicas diretamente do setor produtivo, complementando os dados do mercado financeiro captados pela pesquisa Focus.

A edição de maio contou com a participação de 187 empresas, que responderam entre os dias 12 e 30 de maio.

Relevância da sondagem

A pesquisa Firmus é considerada estratégica por permitir ao BC:

  • Antecipar movimentos de preços e investimentos;
  • Avaliar expectativas sobre câmbio, inflação e PIB com base no ambiente real de negócios;
  • Observar condições de oferta e demanda no mercado de trabalho e nos preços.

Com isso, o BC pode ajustar sua comunicação e calibrar melhor suas decisões de política monetária, considerando não apenas os analistas financeiros, mas também a percepção de empresários.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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