A história de Frederico, filho do empresário gaúcho Fernando Goldsztein, evidencia os desafios enfrentados por famílias diante do câncer infantil. Aos nove anos, o menino começou a apresentar dores de cabeça e vômitos sem explicação. Após exames, veio o diagnóstico: meduloblastoma, um tumor cerebral maligno.
Projeto de brasileiro ajuda a acelerar pesquisas sobre câncer infantil
Empresário brasileiro cria iniciativa que acelera pesquisas sobre câncer infantil e meduloblastoma. Saiba como essa ação transforma vidas.
O caminho até a confirmação não foi simples. “Não é regra geral, mas, às vezes, os médicos seguem uma tendência de não realizar exames de imagem de imediato para descartar um tumor cerebral, porque é considerado uma doença rara”, conta Goldsztein.
Apesar das tentativas de tratamento padrão — cirurgia, quimioterapia e radioterapia — os médicos indicaram que o filho estava entre os 20 a 30% dos pacientes que não respondem ao tratamento.
Goldsztein, porém, não aceitou o prognóstico. Ele decidiu buscar soluções por conta própria, mirando não apenas o bem-estar de Frederico, mas de todas as crianças acometidas pelo mesmo problema.
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A criação da Medulloblastoma Initiative (MBI)

A partir dessa motivação, surgiu a Medulloblastoma Initiative (MBI), em 2021. A organização alia ciência de ponta, financiamento direto e cooperação internacional para acelerar a pesquisa sobre o meduloblastoma.
Em apenas 30 meses, a MBI arrecadou US$ 11 milhões (aproximadamente R$ 59 milhões) e firmou parcerias com 17 instituições de prestígio nos Estados Unidos, Canadá e Alemanha. Essa rede colaborativa permite que descobertas que antes levavam mais de uma década cheguem mais rápido aos pacientes.
O Consórcio Cure Group 4, desenvolvido junto ao neurocirurgião pediátrico Roger Packer, é a peça central dessa aceleração. Goldsztein explica: “Não existem silos [de informação], não existe trabalho duplicado. Essa sinergia faz com que as nossas pesquisas consigam ter um ritmo maior do que se cada um dos laboratórios estivesse fazendo seu trabalho de forma isolada.”
Inovações e próximos passos
O modelo da MBI já recebeu reconhecimento do Massachusetts Institute of Technology (MIT) como referência para financiamento de pesquisas em doenças raras. Um diferencial é o censo de urgência: ao contrário de iniciativas criadas em homenagem a pacientes já falecidos, a MBI atua para salvar vidas ativamente, dando prioridade à velocidade nos estudos.
Nos próximos meses, a iniciativa dará início ao primeiro ensaio clínico com imunoterapia avançada aprovada pelo FDA, que estimula a própria resposta imunológica das crianças contra as células tumorais. Outro estudo em andamento desenvolve uma vacina baseada em RNA mensageiro, tecnologia semelhante à usada contra a Covid-19, com potencial de distribuição global.
“Não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’ encontraremos a cura”, afirma Goldsztein, reforçando a esperança no futuro do câncer infantil.
Entenda o meduloblastoma
O meduloblastoma é um tumor agressivo que se desenvolve no cerebelo, responsável pelo equilíbrio e coordenação motora. É o câncer cerebral mais comum na infância, representando cerca de 20% dos tumores pediátricos.
O diagnóstico geralmente ocorre entre 5 e 9 anos, com ligeira predominância em meninos. Os sintomas incluem:
- Dor de cabeça matinal persistente
- Vômitos sem causa aparente
- Alterações de equilíbrio e visão
- Aumento do perímetro da cabeça em bebês
O hematologista e oncologista pediátrico Cláudio Galvão de Castro Junior alerta: “Detecção precoce faz toda a diferença no prognóstico”.
Tratamentos atuais e seus desafios
O tratamento padrão combina cirurgia, radioterapia e quimioterapia, mas os efeitos colaterais são significativos: déficits cognitivos, alterações hormonais e perda auditiva.
Atualmente, a medicina busca terapias mais direcionadas para reduzir esses impactos. Entre as estratégias estão:
- Redução da dose de radiação em crianças de baixo risco
- Uso de imunoterapias avançadas
- Desenvolvimento de novas drogas direcionadas
O objetivo é não apenas prolongar a sobrevida, mas também melhorar a qualidade de vida dos pequenos pacientes.
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Como a MBI acelera pesquisas
O sucesso da MBI está na combinação de três pilares:
- Financiamento direto e estratégico: investimentos imediatos em pesquisas prioritárias
- Colaboração internacional: eliminação de duplicidades e compartilhamento de dados
- Foco em urgência clínica: cada dia de estudo é planejado para acelerar resultados
Essa abordagem permite avanços significativos em menos tempo, dando esperança a milhares de famílias que enfrentam o câncer infantil.
Impacto social e científico

Além de buscar tratamentos inovadores, a MBI cria um modelo sustentável que pode ser aplicado a outras doenças raras.
A iniciativa demonstra que famílias motivadas podem transformar o cenário da pesquisa científica, unindo esforços privados e públicos em prol de resultados concretos.
Como acompanhar e apoiar a iniciativa
Pais, pesquisadores e investidores interessados podem acompanhar os avanços da MBI por meio de publicações científicas e do site oficial da instituição. A participação da comunidade e de financiadores privados é essencial para manter o ritmo das pesquisas e expandir o alcance global das soluções.
O esforço de Goldsztein mostra que câncer infantil não precisa ser uma sentença. A união de ciência de ponta, financiamento estratégico e cooperação internacional está acelerando tratamentos que antes demoravam anos, oferecendo esperança real a milhares de crianças em todo o mundo.
Com informações de: CNN Brasil
