A decisão de estender o horário de votação até as 19h provocou confusão em diferentes cidades brasileiras. Embora a medida tenha criado expectativa entre eleitores que ainda pretendiam votar, muitas pessoas encontraram escolas fechadas ou foram informadas de que as urnas já haviam sido encerradas.
O principal problema relatado foi a demora na transmissão das orientações aos responsáveis pelas seções eleitorais. Em alguns locais, os procedimentos de fechamento começaram às 17h, horário originalmente previsto para o encerramento da votação. Quando a informação sobre a prorrogação chegou, parte das equipes já havia concluído as etapas finais.
O episódio gerou frustração entre eleitores, dúvidas sobre a aplicação da determinação judicial e questionamentos sobre a coordenação entre as instituições envolvidas. Os relatos também mostraram diferenças entre locais que permaneceram abertos até as 19h e aqueles em que a votação foi encerrada no horário inicial.
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Por que alguns eleitores encontraram os portões fechados?

A ampliação do horário foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), diante de relatos de dificuldades de deslocamento que poderiam impedir o comparecimento de eleitores às urnas.
Entretanto, a decisão não chegou simultaneamente a todas as equipes eleitorais. Quase uma hora depois da determinação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou que a extensão até as 19h, no horário de Brasília, se aplicaria às seções que ainda não tivessem encerrado a votação.
Na prática, isso significou que eleitores que chegaram depois das 17h não encontraram a mesma situação em todos os locais. Enquanto algumas seções continuaram recebendo votantes, outras já haviam concluído os procedimentos de encerramento.
O problema evidenciou a importância da comunicação rápida em uma operação nacional. Uma decisão judicial urgente precisa ser transmitida aos tribunais regionais eleitorais (TREs), às zonas eleitorais e aos mesários, que são responsáveis por executar as orientações nas seções.
Eleitores relatam frustração no Rio de Janeiro
No Colégio Pensi, no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, pelo menos sete pessoas chegaram após o fechamento dos portões, às 17h, segundo os relatos divulgados pela Agência Brasil.
Entre elas estava Manuela Tunas, contadora que havia viajado do Uruguai para votar. Um atraso no voo fez com que ela chegasse à cidade apenas no horário originalmente previsto para o encerramento da votação. Ao saber da prorrogação, tentou aproveitar o período adicional, mas não conseguiu votar.
A eleitora questionou a diferença de tratamento entre as seções que continuaram abertas e aquelas que já haviam encerrado os trabalhos. Para quem acreditou que teria até as 19h para comparecer, a falta de uniformidade provocou sensação de injustiça.
A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo também decidiu tentar votar depois de receber a notícia da extensão do horário. Embora inicialmente tivesse aceitado que não conseguiria participar do segundo turno, ela afirmou que a divulgação da nova informação criou a expectativa de que ainda seria possível exercer o direito ao voto.
Já a aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, procurou outro local após receber orientação de pessoas que estavam na escola onde votava. No entanto, foi informada de que não poderia votar ali porque sua seção eleitoral era diferente e os procedimentos já haviam sido encerrados.
Mesários também foram surpreendidos pela decisão
Em Brasília, urnas foram fechadas antes da chegada da informação
No Distrito Federal, a presidente de seção eleitoral Bruna Lourenço relatou que a votação transcorria normalmente na Escola Classe 108, em Samambaia Sul. Ao chegar às 17h, a equipe seguiu as orientações recebidas e iniciou o encerramento dos trabalhos.
Segundo ela, a notícia sobre a prorrogação só chegou depois que os procedimentos finais já estavam em andamento ou haviam sido concluídos. Nesse momento, documentos eleitorais tinham sido preenchidos, os boletins impressos e os materiais encaminhados conforme as instruções anteriores.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) informou que as urnas foram fechadas às 17h, antes que a orientação sobre a extensão do horário chegasse às equipes.
O relato demonstra que os mesários também dependem das informações oficiais para agir. Como responsáveis pela execução dos procedimentos, eles não podem simplesmente ignorar as orientações recebidas nem presumir que uma notícia divulgada publicamente altera automaticamente as instruções operacionais.
Em São Paulo, algumas seções permaneceram abertas
A situação foi diferente na seção 309 da 6ª Zona Eleitoral de São Paulo, onde o mesário voluntário Lucas Suassuna trabalhava. Segundo ele, a equipe recebeu orientação para não encerrar os trabalhos às 17h e, posteriormente, foi informada de que deveria permanecer no local até as 19h.
Apesar da extensão, o movimento foi pequeno. Suassuna estimou que apenas três ou quatro pessoas tenham entrado na seção durante o período adicional.
O relato mostra que a prorrogação não teve o mesmo efeito em todos os locais. Enquanto alguns eleitores conseguiram aproveitar o tempo extra, outros sequer receberam a informação antes do fechamento da seção em que estavam registrados.
Falta de orientação uniforme levantou questionamentos
Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino percorreu diferentes escolas eleitorais após tomar conhecimento da decisão. Ela encontrou unidades fechadas e ouviu relatos de pessoas que também não conseguiram votar.
A advogada afirmou compreender que os mesários não poderiam simplesmente reabrir urnas cujos procedimentos de encerramento já haviam sido concluídos. Ao mesmo tempo, questionou a ausência de orientações de contingência que permitissem lidar com a mudança de horário.
O caso colocou em evidência uma questão central: como executar uma determinação judicial urgente quando a informação não chega a todos os responsáveis em tempo hábil?
A resposta depende da análise dos procedimentos adotados, dos horários de comunicação e das regras aplicáveis a cada situação. Relatos individuais ajudam a identificar possíveis problemas, mas a dimensão das falhas precisa ser apurada com base em registros oficiais.
Eleitores receberam declaração de comparecimento sem voto

No Rio de Janeiro, algumas pessoas que chegaram às seções após o fechamento receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto, assinada pelo presidente da seção eleitoral. O documento registra que o eleitor compareceu ao local, mas não conseguiu votar.
Esse registro pode ajudar a documentar o ocorrido, embora não substitua o voto nem determine, por si só, a solução de eventuais questões jurídicas.
A situação do eleitor que não conseguiu votar deve ser diferenciada da obrigação eleitoral de justificar a ausência. As consequências dependem das regras aplicáveis e da situação individual, por isso é importante consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral para verificar os procedimentos necessários.
O episódio reforça a necessidade de comunicação clara, rápida e uniforme em situações excepcionais. Para os eleitores, informações oficiais sobre o funcionamento das seções são essenciais para evitar deslocamentos desnecessários. Para a Justiça Eleitoral, a ocorrência levanta questões sobre a coordenação operacional e a execução de decisões urgentes durante uma votação em andamento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
