Uma série de investigações recentes aponta que medicamentos inibidores de apetite como Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida) podem estar associados à queda de cabelo. Apesar de esse efeito adverso não constar de forma destacada nas bulas oficiais, relatos clínicos e estudos vêm identificando um aumento relevante no número de pacientes que experienciam perda capilar após o início do tratamento.
O que ninguém te contou sobre Ozempic, Mounjaro e perda de cabelo
Estudos apontam que medicamentos como Mounjaro e Ozempic podem estar ligados à queda de cabelo. Entenda os mecanismos.

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Estudos apontam estatísticas de queda entre usuários
Os dados levantados por ensaios clínicos indicam que até 5,7% dos usuários de Mounjaro relataram queda de cabelo durante os testes. No caso do Ozempic e Wegovy (outra apresentação da semaglutida), o percentual gira em torno de 3%. Já nos grupos de controle, a taxa de perda capilar ficou próxima a 1%, o que sugere uma possível ligação entre o uso das medicações e o sintoma.
Além disso, uma análise conduzida pela UBC envolvendo 16 milhões de pacientes mostrou que usuários de semaglutida apresentaram um risco 50% maior de sofrer queda de cabelo em comparação com usuários de outros medicamentos para emagrecimento.
Entenda o mecanismo: perda de peso rápida e stress metabólico
O principal fenômeno observado nesses casos é chamado de eflúvio telógeno. Essa condição é caracterizada por uma queda difusa de fios entre dois a três meses após um evento estressor significativo, como uma perda de peso rápida. Nesse estágio, os folículos capilares entram precocemente na fase de repouso, provocando a queda dos fios de forma temporária.
Especialistas explicam que o eflúvio telógeno é reversível e, na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer normalmente após a estabilização do organismo.
Deficiências nutricionais agravam o quadro
Outro fator importante que pode contribuir para a queda de cabelo é a deficiência de nutrientes essenciais causada pela restrição calórica acentuada. Durante dietas rigorosas ou emagrecimento acelerado, é comum haver carência de ferro, zinco, biotina, vitamina D e vitaminas do complexo B. Todos esses nutrientes desempenham papel vital no ciclo capilar.
A recomendação médica é que os pacientes em uso de agonistas de GLP-1 recebam acompanhamento nutricional e, se necessário, suplementação para minimizar os impactos.
Outras possíveis causas para a queda capilar
Embora o emagrecimento acelerado e a deficiência nutricional sejam os principais fatores relacionados à queda, outras hipóteses também são levantadas. Há indícios de que o stress físico causado pela perda de peso, alterações hormonais e até mesmo efeitos indiretos dos próprios medicamentos possam contribuir para o quadro.
Entretanto, até o momento, não há comprovação científica de que os inibidores de apetite como Mounjaro e Ozempic provoquem diretamente a queda de cabelo.
Relatos nas redes sociais reforçam tendência
Fóruns de discussão, redes sociais e comunidades médicas vêm reunindo diversos relatos de pessoas que, após emagrecer com o uso dessas medicações, perceberam aumento na queda de fios. As queixas envolvem desde queda intensa ao lavar os cabelos até afinamento dos fios e perda de volume, em especial entre mulheres.
Embora esses relatos não tenham o mesmo peso de evidências clínicas, eles reforçam a necessidade de investigação e monitoramento.
Especialistas destacam que a queda é temporária
Dermatologistas e endocrinologistas consultados explicam que, na maioria dos casos, a queda associada ao uso dessas medicações não deve ser motivo de pânico. Quando bem monitorada e acompanhada de reposição nutricional, a perda de cabelo tende a ser temporária e reversível.
O mais importante, segundo os profissionais, é manter um ritmo saudável de emagrecimento e não negligenciar a saúde metabólica e nutricional durante o processo.
Riscos aumentam com emagrecimento muito rápido
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Estudos apontam que o risco de queda capilar aumenta consideravelmente quando a perda de peso ultrapassa 10% do peso corporal em menos de seis meses. Por isso, a recomendação geral é limitar o emagrecimento a uma taxa de 5% a 10% dentro desse período, permitindo que o corpo se adapte gradualmente às mudanças.
Estratégias para prevenir a queda de cabelo durante o tratamento
Ajuste da dieta e suplementação
Garantir o consumo adequado de proteínas e micronutrientes como ferro, zinco, selênio, vitaminas A, C, D, E e do complexo B é fundamental para a saúde capilar. Suplementos multivitamínicos e o uso de proteína isolada ou whey protein podem ajudar a preencher lacunas nutricionais.
Acompanhamento médico contínuo
É essencial realizar consultas regulares com endocrinologistas, nutricionistas e dermatologistas durante o uso de medicamentos para emagrecer. Esses profissionais podem identificar precocemente sinais de deficiências e recomendar ajustes personalizados na dieta e no tratamento.
Manejo do stress e equilíbrio hormonal
Práticas como atividades físicas leves, técnicas de relaxamento e sono adequado também contribuem para o equilíbrio do organismo, favorecendo a saúde dos fios e reduzindo impactos hormonais negativos.
Queda capilar exige atenção, mas é contornável

O uso de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy pode estar associado à queda de cabelo, especialmente em função da perda rápida de peso e deficiências nutricionais que esse processo pode causar. Ainda que a queda não seja necessariamente causada diretamente pelos remédios, o impacto metabólico gerado por eles exige cuidados redobrados.
Na maior parte dos casos, trata-se de uma condição temporária, reversível e que pode ser amenizada com suplementação e emagrecimento gradual. Por isso, é essencial que o paciente conte com acompanhamento médico completo ao iniciar qualquer tratamento para perda de peso com inibidores de apetite.
