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Café inicia queda nos preços após mais de um ano de alta contínua; entenda o cenário

Preço do café cai 0,18% após 16 meses de alta, mas segue 86,5% acima do ano passado, com impacto da safra e tarifa dos EUA.

Talita FerreiraPor Talita Ferreira5 min de leitura
Café

O preço do café em pó apresentou queda de 0,18% entre os dias 16 de junho e 15 de julho de 2025, marcando a primeira redução ao consumidor final após 16 meses consecutivos de alta, segundo o indicador de inflação do Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Apesar do recuo, o produto ainda custa 86,5% a mais do que há 12 meses.

A mudança no cenário de preços do café abre uma nova fase para consumidores, produtores e comerciantes, que precisam lidar com os efeitos da maior safra brasileira desde 2020 e as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que aplicaram tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo o café.

Histórico da alta nos preços do café

café
Imagem: freedomnaruk/ Shutterstock

Nos últimos 16 meses, o café foi um dos protagonistas da inflação no Brasil, afetando diretamente o bolso do consumidor. Os principais motivos para essa escalada de preços foram:

  • Problemas climáticos: Eventos como geadas e secas prejudicaram as colheitas em anos anteriores, reduzindo a oferta do produto;
  • Alta do dólar: Com o câmbio valorizado, os produtos exportados ficaram mais lucrativos para o produtor, que acabou vendendo mais para o exterior;
  • Demanda global: O consumo mundial de café cresceu, especialmente em mercados emergentes;
  • Estoques baixos: A escassez de café armazenado elevou a pressão nos preços;
  • Custos de produção: O aumento de insumos, como fertilizantes, e a crise logística elevaram os custos no campo, repassados ao consumidor.

Esses fatores contribuíram para que o preço do café nas prateleiras subisse mês após mês, chegando a níveis históricos.

Por que o preço caiu agora?

Com a chegada da safra 2025, o cenário começou a mudar. A colheita do café no Brasil, maior produtor mundial, tem seu pico entre junho e julho, e a maior oferta está pressionando os preços para baixo.

Fatores que explicam a queda:

  • Aumento da oferta: Com mais café disponível no mercado interno, a pressão para redução de preços é natural;
  • Sazonalidade: A safra é cíclica, e os preços tendem a cair no período de colheita;
  • Redução nas cotações internacionais: Alguns ajustes no mercado global ajudam a conter os preços;
  • Expectativa dos consumidores: Com notícias de queda, a demanda se mantém estável, ajudando a equilibrar o mercado;
  • Ajustes comerciais: Produtores e distribuidores ajustam margens para renovar estoques e atrair consumidores.

Apesar da queda, o valor do café ainda está quase 90% mais caro que em 2024, o que gera preocupação com o custo para o consumidor final.

Impacto da tarifa dos EUA no preço do café brasileiro

Tarifa
Imagem criada por IA

Em 2025, o governo dos Estados Unidos impôs uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, entre eles o café. Essa medida veio em meio a tensões políticas e comerciais crescentes entre os dois países.

Consequências da tarifa:

  • Redução do volume exportado: Os EUA representam 16% das exportações brasileiras de café, sendo o maior mercado;
  • Pressão sobre preços internos: A expectativa é que a dificuldade de acesso ao mercado americano possa criar estoques maiores no Brasil, impactando os preços;
  • Busca por novos mercados: Para mitigar o impacto, exportadores estão mirando países como China, Índia, Indonésia e Austrália, que são grandes consumidores;
  • Negociações em andamento: O governo brasileiro tenta negociar a redução ou eliminação da tarifa para manter a competitividade.

O cenário internacional e as decisões comerciais ainda terão papel importante no movimento dos preços do café nos próximos meses. 

A safra de café 2025: números e expectativas

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a safra atual deve ser a maior dos últimos cinco anos, com um volume recorde esperado para 2025.

  • Produção estimada: Aproximadamente 63 milhões de sacas de 60 kg;
  • Principais estados produtores: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia;
  • Qualidade: A qualidade do café brasileiro continua alta, garantindo demanda internacional;
  • Exportação: O Brasil mantém a posição de maior exportador mundial, respondendo por cerca de 40% do mercado global;
  • Mercado interno: Com mais oferta, o consumidor brasileiro poderá encontrar preços mais acessíveis.

A safra forte traz esperança para a estabilidade dos preços, mas também exige atenção para riscos climáticos e logísticos.

Como a queda do preço do café afeta os consumidores e a economia?

Xícara de café da marca Duralex
Imagem: NoemiEscribano/Shutterstock

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Benefícios para consumidores:

  • Preço mais baixo na prateleira;
  • Possibilidade de maior acesso ao produto;
  • Diminuição da inflação no setor alimentício.

Impactos para produtores:

  • Margens menores em um momento de alta oferta;
  • Necessidade de eficiência na produção para manter rentabilidade;
  • Riscos climáticos ainda podem afetar futuras safras.

Para o mercado e economia:

  • Ajuste no comércio internacional;
  • Possível redução na receita de exportação se a tarifa dos EUA persistir;
  • Necessidade de diversificação de mercados.

Cenário futuro: o que esperar para os próximos meses?

  • Continuação da safra até setembro, com oferta crescente;
  • Possível redução gradual nos preços ao consumidor;
  • Negociações comerciais entre Brasil e EUA podem alterar tarifas;
  • Monitoramento climático será crucial para evitar novos choques de oferta;
  • Adoção de tecnologias no campo para reduzir custos e aumentar produtividade.

Onde acompanhar as informações sobre o mercado do café?

Talita Ferreira

Autor

Talita Ferreira

Talita Ferreira é redatora no portal Seu Crédito Digital, onde aplica seu rigor acadêmico e experiência em linguagem para tornar conteúdos econômicos, sociais e informativos mais claros e acessíveis. Doutoranda e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), possui também pós-graduação em Revisão Textual e em Educação, Gêneros e Sexualidade pela UniVitória. É graduada em Letras pela UFJF e tem sólida atuação em revisão, produção de conteúdo e pesquisa em linguagem.

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