Alívio no supermercado: café pode ficar mais barato nos próximos meses
Preço do café deve cair no 2º semestre. Entenda os motivos e saiba quando esperar o alívio nas prateleiras!
O café, uma das bebidas mais consumidas no Brasil, pode finalmente apresentar uma queda significativa de preço ao consumidor nos próximos meses.
Após um período de altas constantes e instabilidade no mercado internacional, a saca do café arábica voltou a operar abaixo de R$ 2.200 em junho — valor que não era registrado desde dezembro de 2024.
A expectativa, segundo especialistas e entidades do setor, é que essa redução nos preços da commodity comece a ser sentida nas gôndolas dos supermercados a partir do segundo semestre.
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Contexto atual: preços em queda nas bolsas
A recente desvalorização do café nas bolsas internacionais tem sido atribuída principalmente ao avanço da colheita nas principais regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que, na parcial de junho até o dia 16, a retração foi de 7,2% para o café arábica e 8,65% para o robusta.
“Uma vez que aumentamos a oferta do produto no mercado, há maior disponibilidade de café, o que naturalmente pressiona os preços para baixo”, explica Ana Carolina Alves, analista de agronegócio da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais).
Segundo a especialista, esse movimento de queda durante o período de colheita é considerado natural. Os produtores, que já haviam aproveitado os bons preços no início da safra, agora estão mais propensos a vender com valores reduzidos para evitar estoques elevados.
Fatores que influenciam o preço do café
Oferta e demanda: o ciclo natural do mercado
O aumento na oferta por conta da colheita é um dos principais motores da queda atual. No entanto, o mercado do café é altamente volátil e depende de diversas outras variáveis.
Volatilidade do mercado: clima, câmbio e geopolítica
O café é a segunda commodity mais volátil do mundo, atrás apenas do petróleo. Isso significa que além da oferta e demanda, o preço pode ser influenciado por:
- Geadas e outras condições climáticas adversas;
- Oscilações cambiais, especialmente o dólar, que impacta diretamente as exportações;
- Cenários geopolíticos, que afetam o comércio internacional;
- Ritmo da produção e estoques globais.
Geadas no Sul de Minas acendem alerta no setor
Apesar da perspectiva positiva para o consumidor, há uma preocupação crescente no setor produtivo com a possibilidade de geadas no Sul de Minas Gerais, região que concentra a maior produção de café do país.
“Há previsão de uma frente fria, com formação de geadas de fraca intensidade, mas que ainda assim deixam o mercado em alerta”, afirma Ana Carolina Alves.
Caso essas geadas ocorram com maior intensidade, os danos às lavouras podem provocar uma nova elevação nos preços. Por isso, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para consolidar ou reverter a atual tendência de queda.
Supermercados: queda no preço ainda tímida
Nos supermercados, o consumidor ainda não sentiu uma redução significativa no preço do café, embora alguns relatos já apontem para quedas discretas, especialmente nas embalagens de 500 gramas.
O presidente da Amipão (Sindicato e Associação da Indústria de Panificação de Minas Gerais), Vinicius Dantas, afirma que há sim uma expectativa de queda de até 15% nos preços.
Estoques elevados pressionam o mercado
Dantas destaca que os estoques de café estão altos neste momento, o que também contribui para a baixa nos preços no atacado e deve, com o tempo, refletir no varejo.
“Estamos com estoque muito alto e isso provoca queda de preço. Mas o consumo caiu. O café encareceu 82% em 12 meses, o que afetou os hábitos de compra da população”, diz.
Essa mudança no comportamento do consumidor, que passou a restringir o consumo ou migrar para marcas mais baratas, também pressiona os distribuidores e varejistas a reduzirem os preços para impulsionar as vendas.
Expectativa para o segundo semestre de 2025
Preços devem estabilizar com possíveis oscilações pontuais
Com o avanço da colheita e a entrada do café novo no mercado, a tendência é que os preços se estabilizem nos próximos meses. Contudo, a possibilidade de geadas ou chuvas intensas pode alterar esse cenário.
“Os preços devem se manter nos patamares atuais, salvo exceções climáticas que podem influenciar negativamente a produção”, conclui Ana Carolina Alves.
Quando o consumidor deve sentir a diferença?
Se as condições climáticas forem favoráveis e o ritmo de colheita se mantiver, os consumidores devem começar a perceber preços mais baixos nos supermercados entre julho e setembro.
Impacto da inflação e papel do IPCA-15
Apesar da queda nas bolsas, o café ainda apresentou aumento de 2,86% na prévia da inflação de junho (IPCA-15), medida pelo IBGE. Isso acontece porque a cadeia de distribuição até o varejo demora para refletir as variações do mercado primário.
Em Belo Horizonte e região metropolitana, a alta foi mais moderada, com variação de 1,45%. A tendência, no entanto, é que os dados dos próximos meses comecem a capturar a redução no custo da saca, desde que o cenário climático se mantenha estável.
Conclusão
A redução no preço do café nas bolsas internacionais é uma boa notícia para os consumidores brasileiros, principalmente após meses de aumentos expressivos. Embora ainda não seja possível ver grandes quedas nos supermercados, o cenário aponta para um alívio no bolso no segundo semestre de 2025.
No entanto, a instabilidade climática, especialmente com o risco de geadas em Minas Gerais, ainda representa um fator de risco. Consumidores, produtores e comerciantes seguem atentos às próximas semanas, que serão decisivas para consolidar essa tendência de queda ou revertê-la.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital