As ações da Reag Investimentos (REAG3) foram destaque negativo da quinta-feira (28), após a empresa ter seu nome vinculado a uma megaoperação conduzida por órgãos federais e estaduais contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O papel, que é negociado fora do Ibovespa, registrou queda acentuada de 15,69%, fechando o dia a R$ 3,17.
REAG3 sofre queda de até 23% após operação da PF na Faria Lima
Ações da Reag caem 15% após operação contra lavagem de dinheiro envolvendo R$ 52 bilhões e mais de 1.000 postos ligados ao PCC.
Logo na abertura do pregão, REAG3 já despontava como uma das maiores baixas do mercado, com queda de 17,55%, sendo cotada a R$ 3,10. Durante o dia, a ação chegou a tocar a mínima de R$ 2,90, representando recuo de 22,87%. A forte volatilidade e o volume atípico de negociações chamaram a atenção dos investidores, refletindo o nervosismo diante da gravidade das investigações.
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A operação, que contou com a participação da Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar, além do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e do Ministério Público Federal (MPF), teve como foco mais de 350 alvos na capital paulista, especialmente na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, onde estão sediadas diversas instituições financeiras, incluindo a própria Reag Investimentos.
As investigações, que envolvem também a Receita Federal, apontam para um complexo esquema de movimentação financeira e sonegação fiscal articulado por facções criminosas, que teriam utilizado postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento como instrumentos de lavagem de dinheiro.
Esquema movimentou mais de R$ 50 bilhões
Combustíveis e fintechs como fachada para o crime
O cerne da investigação é um esquema de lavagem de dinheiro por meio da cadeia de distribuição de combustíveis, com mais de 1.000 postos supostamente ligados ao PCC movimentando R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Desse total, segundo os investigadores, ao menos R$ 7 bilhões teriam sido sonegados em tributos federais, estaduais e municipais.
As autoridades identificaram a utilização de instituições de pagamento e fintechs em substituição aos bancos tradicionais, com o objetivo de dificultar o rastreamento das transações financeiras.
“Operações financeiras realizadas por meio de instituições de pagamento (fintechs), em vez de bancos tradicionais, dificultavam o rastreamento dos valores transacionados. Por fim, o lucro auferido e os recursos lavados do crime eram blindados em fundos de investimentos com diversas camadas de ocultação para impedir a identificação dos reais beneficiários”, afirmou a Receita Federal em comunicado.
Fundos com R$ 30 bilhões sob investigação

Reag entre os investigados, mas colaborando
Ao menos 40 fundos de investimento, com R$ 30 bilhões em patrimônio somado, estão sob escrutínio por suspeita de terem servido como estrutura de blindagem patrimonial e ocultação de beneficiários finais ligados à organização criminosa. Segundo apuração, a Reag Investimentos, considerada uma das maiores gestoras independentes do país, integra a lista de instituições investigadas, embora ainda não haja imputações formais.
Em fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Reag Investimentos, junto à Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF), afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades e fornecendo todas as informações solicitadas:
“As companhias permanecerão à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários”, diz o documento oficial.
Reações no mercado: pânico e aversão ao risco
Investidores se desfazem dos papéis
A resposta do mercado foi rápida e severa. A forte desvalorização de REAG3 reflete perda de confiança no curto prazo, mesmo diante da nota oficial da empresa garantindo sua colaboração com as autoridades. A aversão ao risco generalizada, especialmente em companhias envolvidas em operações policiais, tende a provocar movimentos bruscos de venda — e foi exatamente o que ocorreu.
Corretoras passaram a revisar suas recomendações, e gestores de fundos com exposição à ação também alertaram para a necessidade de monitoramento da evolução do caso. Embora não haja ainda indícios formais de culpa ou envolvimento direto da Reag em práticas ilícitas, o dano reputacional imediato já impacta severamente a companhia.
Entenda quem é a Reag Investimentos
Uma das maiores gestoras independentes do país
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Fundada em 2007, a Reag Investimentos atua como uma gestora de recursos e administradora de fundos, com ampla presença no mercado brasileiro. Sua atuação abrange desde fundos imobiliários, renda fixa, crédito estruturado, private equity e soluções para investidores institucionais.
Com sede em São Paulo, a companhia tem tradição no segmento de gestão ativa e especializada, com foco em soluções personalizadas para diferentes perfis de risco. A REAG3 passou a ser listada na B3 após a abertura de capital como uma forma de ampliar sua captação de recursos e visibilidade no mercado.
Impactos regulatórios: CVM, Receita e Banco Central de olho
Supervisão intensificada e possível responsabilização
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acompanha o caso de perto e poderá instaurar processos administrativos se houver indícios de violação à legislação do mercado de capitais. A Receita Federal, por sua vez, pode aplicar sanções caso identifique sonegação, conivência ou omissão no reporte de operações suspeitas.
O Banco Central do Brasil também deve entrar em cena, sobretudo na supervisão de fintechs e instituições de pagamento, que passaram a ocupar espaço relevante na estrutura do sistema financeiro e, por isso, devem seguir regras rigorosas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro.
O que esperar para os próximos dias?
Continuidade das investigações e volatilidade
É esperado que os desdobramentos da operação continuem nos próximos dias, com novas buscas, bloqueios de bens e análises de dados financeiros. No mercado, analistas projetam manutenção da volatilidade nos papéis da Reag, à medida que mais detalhes forem sendo revelados.
Investidores atentos a novos comunicados

O mercado deve acompanhar de perto novas manifestações da Reag, além de possíveis atualizações por parte da CVM, MPF e Receita Federal. O comportamento do papel nos próximos pregões dependerá do grau de envolvimento efetivo da empresa nas práticas investigadas e da capacidade de reconstrução de sua imagem perante o investidor institucional e de varejo.
(Foto: Divulgação/Reag)
