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Após reajuste do Bolsa Família, intenção de voto em Lula permanece em 64% entre beneficiários

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 6 min de leitura
Bolsa Família

O reajuste de 15,04% anunciado pelo governo federal para o Bolsa Família não foi acompanhado, até o momento, por uma mudança na intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores ligados ao programa. A nova pesquisa BTG/Nexus mostra que o presidente manteve 64% das intenções de voto nesse grupo.

O levantamento foi realizado entre 18 e 20 de setembro, depois do anúncio do reajuste, feito pelo governo no dia 17. A rodada anterior havia sido realizada antes da divulgação da medida.

O resultado permite comparar o comportamento dos beneficiários imediatamente antes e depois do anúncio, mas não permite afirmar que o reajuste provocou — ou deixou de provocar — qualquer efeito eleitoral de longo prazo.

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O que mudou na intenção de voto entre beneficiários do Bolsa Família?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Entre as pessoas que recebem o Bolsa Família ou vivem em uma família atendida pelo programa, Lula permaneceu com 64% das intenções de voto no primeiro turno.

Na pesquisa anterior, o percentual também era de 64%. Já Flávio Bolsonaro passou de 20% para 17% nesse segmento. As demais candidaturas registraram oscilações menores.

Como a pesquisa possui margem de erro e o recorte de beneficiários representa uma parcela da amostra total, as variações precisam ser interpretadas com cautela. O levantamento não permite atribuir diretamente a queda registrada por um candidato ao reajuste do programa.

E entre quem não recebe o benefício?

O cenário é diferente entre os entrevistados que não recebem o Bolsa Família e também não vivem com beneficiários.

Nesse grupo, Lula aparece com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 40% das intenções de voto. A diferença contrasta com os números observados entre as famílias alcançadas pelo programa.

Esses dados mostram como a intenção de voto varia de acordo com diferentes características do eleitorado, mas não explicam, isoladamente, os motivos dessas diferenças.

Quanto vai aumentar o Bolsa Família?

O governo anunciou um reajuste de 15,04% no programa.

Com a mudança, o valor mínimo mensal deverá passar de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, segundo a estimativa divulgada pelo governo, deve subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

Segundo as informações divulgadas sobre a medida, o percentual corresponde à inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde 2023.

A previsão é que os novos valores sejam aplicados a partir de outubro de 2026.

O reajuste aumentou a aprovação do governo?

A pesquisa BTG/Nexus também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o governo federal.

Na comparação entre as duas rodadas, a aprovação passou de 47% para 46%, enquanto a desaprovação foi de 49% para 50%.

Na avaliação qualitativa, a parcela que classificou o governo como ótimo ou bom caiu de 37% para 35%. Já as avaliações de ruim ou péssimo passaram de 44% para 46%.

Assim como ocorre com a intenção de voto, esses números representam o período em que as entrevistas foram realizadas. Eles não permitem concluir que o reajuste tenha causado a oscilação na avaliação do governo.

Quanto o reajuste vai custar aos cofres públicos?

A estimativa divulgada pelo governo aponta um impacto fiscal de aproximadamente R$ 27,8 bilhões entre 2026 e 2027.

Desse total, cerca de R$ 5,8 bilhões seriam referentes a 2026, enquanto aproximadamente R$ 22 bilhões correspondem ao impacto estimado para 2027.

O custo da medida coloca o reajuste entre os temas econômicos que deverão ser acompanhados nos próximos meses, especialmente em relação às despesas públicas e ao orçamento federal.

O que a pesquisa mostra sobre a eleição presidencial?

Considerando o eleitorado em geral, a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro também apresentou novos números para a disputa presidencial.

O levantamento deve ser interpretado como uma fotografia das opiniões no período de coleta. Pesquisas eleitorais não determinam o resultado de uma eleição e podem apresentar alterações entre diferentes rodadas.

No caso específico do Bolsa Família, o dado mais direto é a manutenção dos 64% atribuídos a Lula entre beneficiários e moradores de domicílios atendidos pelo programa.

O reajuste pode ter efeito nas próximas pesquisas?

Ainda não é possível saber.

A atual pesquisa foi realizada apenas entre os dias 18 e 20 de setembro, ou seja, poucos dias depois do anúncio do reajuste. Além disso, o novo valor ainda não havia sido recebido pela população no momento da coleta.

Por isso, pesquisas realizadas posteriormente poderão mostrar se a percepção dos beneficiários permanece semelhante ou se ocorrerão mudanças depois que os pagamentos com os novos valores começarem.

Para identificar uma tendência, será necessário observar várias rodadas de pesquisa e considerar também a margem de erro de cada levantamento.

Como foi realizada a pesquisa BTG/Nexus?

A 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus entrevistou 2.006 pessoas com 16 anos ou mais, por telefone, entre 18 e 20 de setembro de 2026.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, segundo a metodologia divulgada. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00485/2026.

A Nexus mantém em seu portal o histórico das pesquisas BTG/Nexus realizadas ao longo de 2026, permitindo comparar diferentes rodadas e períodos da corrida presidencial.

O que é possível afirmar até agora?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O dado mais objetivo é que o anúncio do reajuste não foi seguido por uma alteração no percentual de intenção de voto de Lula entre os beneficiários do Bolsa Família na pesquisa realizada imediatamente depois.

O presidente permaneceu com 64% nesse segmento, o mesmo percentual registrado anteriormente.

Isso não significa que o reajuste não possa produzir efeitos na opinião pública no futuro. A pesquisa foi feita antes de os beneficiários começarem a receber o novo valor e não foi desenhada para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a política de transferência de renda e o voto.

Acompanhar as próximas pesquisas será necessário para verificar se os números permanecem estáveis após a implementação do reajuste.

Conclusão

Até o momento, o reajuste do Bolsa Família não provocou mudança na intenção de voto em Lula entre os beneficiários, que permaneceu em 64%, segundo a pesquisa BTG/Nexus. O levantamento, porém, foi realizado poucos dias após o anúncio e antes do início dos pagamentos com o novo valor.

Por isso, ainda é cedo para avaliar possíveis efeitos da medida sobre a percepção dos beneficiários. As próximas pesquisas poderão indicar se o cenário permanece estável ou se haverá alguma alteração após o reajuste começar a chegar efetivamente às famílias.

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