Em 2024, o real enfrentou uma desvalorização alarmante, perdendo 21,7% de seu valor em relação ao dólar entre os dias 1º de janeiro e 19 de dezembro. Esse recuo coloca a moeda brasileira entre as seis mais desvalorizadas do mundo neste período.
Real é a 6ª moeda que mais desvalorizou em relação ao dólar neste ano
O real foi a 6ª moeda que mais desvalorizou em relação ao dólar em 2024, com uma queda de 21,7%
Apenas países com sérios problemas econômicos enfrentaram uma queda maior em suas moedas, como o Sudão do Sul e a Venezuela. A desvalorização do real é um reflexo das dificuldades econômicas internas e dos impactos externos, especialmente as políticas fiscais do Brasil e as taxas de juros nos Estados Unidos.
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O Impacto da Desvalorização do Real em 2024
O Papel da Inflação Brasileira na Queda da Moeda
A inflação continua a ser um dos maiores desafios econômicos do Brasil. A alta inflação provoca uma perda de poder de compra e diminui a confiança dos investidores no real.
Isso leva a uma fuga de capitais para economias mais estáveis, o que aumenta a pressão sobre a moeda nacional. Embora a inflação brasileira não tenha chegado aos níveis extremos da Venezuela, que sofre com inflação de três dígitos, ela ainda impacta diretamente a cotação do real.

Comparação com Outras Moedas da América do Sul
Em relação a outros países sul-americanos, o real só perde para o bolívar venezuelano, que sofreu uma queda de 29,5% em seu valor frente ao dólar em 2024. Já o peso argentino, embora com uma desvalorização de 21,0%, tem enfrentado uma inflação ainda mais alarmante, de 166% ao ano.
A situação da Argentina evidencia um problema profundo na economia, mas a desvalorização do real indica que o Brasil também enfrenta sérios desafios financeiros.
Fatores Externos: O Papel do Fed e da Economia Global
A Influência dos Juros nos Estados Unidos
Uma das causas externas mais significativas da desvalorização do real é a política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
Durante 2024, o Fed manteve as taxas de juros elevadas para controlar a inflação, o que atraiu investimentos para os Estados Unidos. Essa alta taxa de juros resultou em uma valorização do dólar e, consequentemente, em uma pressão sobre moedas de países emergentes como o Brasil.
O corte recente de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, anunciado em dezembro, está longe de ser suficiente para reverter essa tendência. Isso implica que o Brasil continuará a sofrer os efeitos dessa política monetária, com a fuga de capitais e a consequente valorização do dólar em relação ao real.
O Mercado de Commodities e os Efeitos na Economia Brasileira
A economia brasileira é altamente dependente da exportação de commodities, como soja, petróleo e minério de ferro. Em 2024, o mercado global de commodities passou por flutuações que afetaram diretamente a entrada de dólares no Brasil.
A alta nos preços das commodities, como o petróleo, ajudou a aliviar um pouco a pressão sobre o real, mas isso não foi suficiente para impedir sua queda generalizada frente ao dólar.
Incertidão Fiscal: O Ajuste Fiscal do Governo Lula
O Desafio do Governo para Aprovar Medidas de Ajuste
A política fiscal brasileira também desempenha um papel importante na desvalorização do real. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para implementar um ajuste fiscal eficaz, o que gera incertezas no mercado. Investidores ficam receosos com a possibilidade de o Congresso “desidratar” as propostas de corte de gastos do governo, o que pioraria ainda mais a situação fiscal do país.
O pacote fiscal apresentado pela equipe econômica do governo, estimado em R$ 71,9 bilhões para os próximos dois anos, foi visto com ceticismo por economistas e agentes do mercado financeiro. O impacto projetado para os próximos seis anos é de R$ 327 bilhões, mas muitos duvidam da efetividade dessas medidas, o que contribui para a desvalorização da moeda.
O Orçamento de 2025 e a Pressão sobre o Real
A aprovação do orçamento de 2025 também será um teste crucial para o governo. A falta de consenso sobre as medidas fiscais pode aumentar a incerteza no mercado e, consequentemente, afetar ainda mais o valor do real.
Com o Congresso em recesso no final de dezembro, é esperado que a atividade política diminua, o que pode gerar mais instabilidade nos mercados financeiros.
A Cotação do Dólar no Brasil
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Leilões de Dólar e Intervenção do Banco Central
A intervenção do Banco Central do Brasil no mercado cambial tem sido uma tentativa de controlar a volatilidade do real frente ao dólar. Em 19 de dezembro de 2024, o dólar comercial fechou em R$ 6,12, marcando uma queda de 2,3%. Essa queda foi resultado dos leilões de dólares à vista realizados pelo Banco Central, que somaram US$ 8 bilhões nesse único dia.
Apesar dessas intervenções, a cotação do dólar ainda segue acima de R$ 6, o que indica que a pressão sobre o real continua alta. A venda de dólares pelo Banco Central também está longe de ser uma solução permanente para a desvalorização da moeda, sendo uma medida de curto prazo para conter a volatilidade.
Expectativas para 2025: O Cenário Cambial
Com a proximidade do ano de 2025, as expectativas para o real são de continuidade da pressão cambial, especialmente devido à incerteza fiscal e à política monetária dos EUA. A expectativa é de que o dólar continue valorizado, o que pode levar o real a novas quedas nos primeiros meses de 2025.

O Impacto da Desvalorização para o Cidadão Brasileiro
Preço dos Produtos Importados
A desvalorização do real tem um impacto direto sobre o preço dos produtos importados. Isso inclui desde bens de consumo até insumos industriais, que se tornam mais caros à medida que a moeda brasileira perde valor frente ao dólar. Com isso, os consumidores enfrentam preços mais altos, o que contribui para o aumento da inflação e o consequente desgaste do poder de compra.
A Influência no Mercado de Trabalho e Salários
A desvalorização também pode impactar o mercado de trabalho e os salários. Empresas que dependem de importações ou que possuem dívidas em dólares podem enfrentar dificuldades financeiras, o que pode levar a cortes de postos de trabalho ou redução de salários.
O reflexo disso é uma maior instabilidade no mercado de trabalho, com um cenário de desemprego e baixo crescimento salarial.
Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil
