O ano de 2025 marcou um período de intensa movimentação no mercado de renda fixa no Brasil, especialmente em debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Embora debates sobre a possível taxação desses ativos tenham preocupado investidores, a corrida para aproveitar a isenção fez com que esses títulos atingissem recordes históricos de negociação.
Debêntures, CRIs e CRAs atingem recorde com temor de nova taxação
Debêntures, CRIs e CRAs batem recorde de negociação em 2025 e seguem em alta para 2026, com investidores buscando ativos incentivados.
Segundo levantamento da Pop BR, precificadora de ativos de crédito da LUZ Soluções Financeiras, apenas debêntures, CRIs e CRAs movimentaram R$ 1,2 trilhão no mercado secundário em 2025, um crescimento de 29% em relação a 2024, quando o total registrado foi de R$ 947 bilhões. Considerando também Letras Financeiras, Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) e Notas Comerciais (NC), o volume total alcançou R$ 1,526 trilhão, um aumento de 43% frente aos R$ 1,065 trilhão do ano anterior.
Leia mais:
Banco Central autoriza Asaas a atuar como financeira, entenda as vantagens e riscos
Crescimento histórico da renda fixa incentivada
“A gente vem nessa crescente na renda fixa há muitos anos. Na pandemia houve uma queda, mas em 2024 já vimos recorde de negociação, que foi superado novamente em 2025”, afirma Aruã Torigoe Kalmus, analista da Pop BR. Segundo ele, grande parte do aumento da movimentação ocorreu por medo da taxação, que acabou não se concretizando.
A corrida para esses ativos fez com que os preços no mercado secundário subissem, aumentando o custo de entrada para novos investidores e reduzindo, proporcionalmente, o retorno líquido ao vencimento. No entanto, a perspectiva é que a emissão de novos títulos incentivados, agora com rentabilidade mais atrativa, motive a troca de ativos antigos, mantendo o mercado dinâmico.
Spread e risco no mercado secundário
O spread, diferença entre a taxa básica de juros e a remuneração adicional exigida pelo investidor para compensar o risco, deve permanecer elevado. Kalmus explica: “Mesmo que a Selic comece a cair, o retorno total exigido pelo investidor não muda automaticamente, porque o risco do ativo continua o mesmo.”
Com a projeção da Selic em 12,25% ao ano até o final de 2026, segundo o Boletim Focus, investidores devem continuar exigindo prêmios maiores sobre o CDI para compensar o risco percebido.
Movimentação detalhada por classe de ativo
Debêntures
As debêntures continuaram sendo o destaque do mercado, movimentando R$ 987,558 bilhões, um crescimento de 39% em relação a 2024. Entre os papéis mais negociados, ENGIA8, da Energisa, liderou com R$ 6,347 bilhões, seguida de SBSPF3, da Sabesp, com R$ 6,125 bilhões, e NTSD18, da Nova Transportadora do Sudeste, com R$ 5,675 bilhões.
CRIs
Os CRIs apresentaram crescimento mais discreto, de 1%, somando R$ 138,6 bilhões. O ativo mais negociado foi o 21F0097589, pulverizado, com R$ 2,010 bilhões, seguido pelo 13I0049561, do BTG Pactual, com R$ 1,802 bilhão, e 25B3110439, da Iguatemi PPPH, com R$ 1,641 bilhão.
CRAs
O volume de CRAs caiu ligeiramente para R$ 97,4 bilhões, quase R$ 1 bilhão a menos que em 2024. O papel CRA024009Q4, da Marfrig Global Foods, liderou com R$ 2,250 bilhões, seguido do CRA024004H7, da São Martinho, com R$ 2,107 bilhões, e CRA023007VF, da Engelhart CTP, com R$ 1,369 bilhão.
Ticket médio e perfil de investidores
A quantidade total de papéis negociados caiu 25% de 2024 para 2025, de 17 bilhões para 12,8 bilhões, enquanto o ticket médio subiu levemente de R$ 505,77 para R$ 516,54. Nos CRIs e debêntures, o aumento do ticket médio indica operações maiores, típicas de investidores institucionais. Nos CRAs, o ticket médio menor aponta para um perfil mais pulverizado, associado a pessoas físicas.
Impacto da demanda e perspectiva para 2026
O alto interesse por esses ativos fez com que investidores ajustassem suas estratégias, comprando títulos a preços mais elevados e considerando a possibilidade de trocar por ativos com rendimentos mais atrativos. A expectativa é que o recorde de movimentação de 2025 seja superado em 2026, especialmente com a emissão de novos títulos incentivados a spreads maiores.
A liquidez desses papéis também reflete a confiança dos investidores institucionais, que procuram diversificação e segurança em um cenário econômico ainda marcado por incertezas. Com juros em queda moderada, os investidores tendem a exigir prêmios mais altos para compensar o risco, mantendo o dinamismo do mercado secundário.
Ranking dos ativos mais negociados
Debêntures
- ENGIA8 – Energisa – DI + 1,6% – R$ 6,347 bilhões
- SBSPF3 – Sabesp – IPCA + 7,3837% – R$ 6,125 bilhões
- NTSD18 – NTS – DI + 0,8% – R$ 5,675 bilhões
- CEEDA0 – Companhia Estadual de Distribuição – DI + 0,65% – R$ 5,308 bilhões
- EUFA17 – Eurofarma – DI + 1,3% – R$ 5,121 bilhões
CRIs
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- 21F0097589 – Pulverizado – IPCA + 6,5% – R$ 2,010 bilhões
- 13I0049561 – BTG Pactual – 96% do CDI – R$ 1,802 bilhão
- 25B3110439 – Iguatemi – 99% do CDI – R$ 1,641 bilhão
CRAs
- CRA024009Q4 – Marfrig Global Foods – IPCA + 7,3693% – R$ 2,250 bilhões
- CRA024004H7 – São Martinho – 100% do CDI – R$ 2,107 bilhões
- CRA023007VD – Engelhart CTP – 101% do CDI – R$ 1,369 bilhão
O papel das plataformas digitais
Ferramentas como a plataforma Valor One têm sido fundamentais para investidores acompanharem essas movimentações. A plataforma oferece análises de fundos, cotações, indicadores e recomendações de analistas certificados, consolidando informações em um só lugar e auxiliando na tomada de decisões estratégicas.
Perspectivas para 2026
O mercado de renda fixa incentivada deve seguir aquecido em 2026. A não implementação da taxação e a possibilidade de emissão de novos títulos com rentabilidade superior tornam o cenário atraente para investidores institucionais e pessoas físicas. Além disso, o acompanhamento de spreads elevados e a expectativa de uma Selic levemente menor exigem uma análise mais estratégica na hora de escolher os ativos.
Conclusão
O mercado de debêntures, CRIs e CRAs mostrou em 2025 que continua sendo um dos pilares mais dinâmicos da renda fixa no Brasil. Apesar das incertezas sobre uma possível taxação, os investidores mantiveram o interesse elevado, impulsionando recordes históricos de negociação. A movimentação expressiva não apenas reforça a atratividade desses ativos, como também evidencia a maturidade e a estratégia dos investidores, que souberam aproveitar o momento de isenção fiscal e ajustar suas carteiras conforme o cenário econômico.
Para 2026, a perspectiva é de continuidade desse crescimento, com novos títulos incentivados e spreads elevados, oferecendo oportunidades tanto para investidores institucionais quanto para pessoas físicas. O acompanhamento atento das plataformas de análise e a diversificação entre diferentes classes de ativos seguem sendo estratégias essenciais para maximizar retornos e reduzir riscos.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
