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Simples Nacional terá decisão importante sobre IBS e CBS em setembro de 2026

Reforma tributária exige mudanças em sistemas, notas fiscais e processos. Veja os prazos e o que empresas precisam ajustar para 2027.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Simples Nacional terá decisão importante sobre IBS e CBS em setembro de 2026

A reforma tributária sobre o consumo começa a exigir uma preparação mais intensa das empresas brasileiras para 2027. A transição para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) envolve mudanças que vão muito além da substituição de tributos.

Empresas precisarão adaptar sistemas de emissão fiscal, documentos eletrônicos, escrituração, controles contábeis e processos financeiros. O cronograma é escalonado e varia conforme o documento utilizado, o setor e o regime tributário.

Em 2026, os contribuintes já entraram na fase de preparação operacional. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS vêm publicando especificações e orientações técnicas para que os sistemas estejam preparados para a transição.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O que muda para as empresas com a reforma tributária?

O novo modelo substitui gradualmente tributos atuais sobre o consumo por dois tributos de abrangência nacional e subnacional: a CBS, de competência federal, e o IBS, administrado conjuntamente pelos Estados, Distrito Federal e municípios.

A mudança altera a forma como as operações comerciais são registradas e tributadas. Por isso, o sistema de gestão da empresa precisará estar preparado para receber novos campos, códigos, regras e informações relacionadas aos tributos.

Não será suficiente atualizar apenas o programa que gera a nota fiscal. A mudança poderá atingir o caminho completo da operação, desde o cadastro do produto ou serviço até a contabilização e a conciliação financeira.

ERP e emissão fiscal precisam conversar

Uma empresa que vende mercadorias, por exemplo, deverá verificar se seu ERP consegue transmitir corretamente as informações exigidas no documento fiscal eletrônico.

Além disso, os dados utilizados pelo faturamento precisam estar alinhados com estoque, contabilidade, contas a receber e demais módulos do sistema.

Para empresas que utilizam softwares de terceiros, a recomendação é confirmar diretamente com o fornecedor quando as atualizações estarão disponíveis e quais procedimentos serão necessários.

Quais documentos fiscais serão afetados?

A adequação dos documentos fiscais ocorre de maneira progressiva. A documentação técnica divulgada pelos órgãos responsáveis estabelece diferentes momentos para a adaptação de documentos eletrônicos.

Entre os documentos envolvidos estão NF-e, NFC-e, CT-e, CT-e OS, MDF-e, NF3e, NFCom e NFS-e, entre outros.

O cronograma específico deve ser acompanhado pela empresa porque o prazo pode mudar conforme o tipo de documento e a operação realizada. A Receita Federal mantém uma área específica com orientações, notas técnicas e informações sobre a adaptação à reforma. (gov.br)

Em vez de esperar a proximidade de 2027, o ideal é identificar agora quais documentos a empresa emite e verificar quais mudanças serão necessárias em cada um deles.

Simples Nacional terá uma decisão importante em 2026

As empresas optantes pelo Simples Nacional precisam prestar atenção especial à transição.

A regulamentação da reforma permite que determinadas empresas do Simples escolham entre permanecer com o recolhimento do IBS e da CBS dentro do regime simplificado ou optar pela apuração desses tributos pelo regime regular, conforme as condições estabelecidas pela legislação.

A decisão terá consequências para a própria empresa e para seus clientes, especialmente em relação à apropriação e transferência de créditos tributários.

Por isso, não é recomendável tomar a decisão apenas com base na alíquota nominal. O empresário deve avaliar faturamento, estrutura de custos, perfil dos clientes, fornecedores e impacto dos créditos, preferencialmente com orientação contábil e tributária.

Como preparar a empresa para 2027?

A preparação deve começar pelo diagnóstico dos sistemas utilizados atualmente.

O primeiro passo é listar todos os programas envolvidos na operação: ERP, emissor de nota fiscal, sistema contábil, plataforma de e-commerce, PDV, software financeiro e ferramentas de gestão de estoque.

Depois, é necessário verificar quais deles serão atualizados pelos fornecedores e quais precisarão de alterações internas.

Revise os cadastros de produtos e serviços

A qualidade dos cadastros será ainda mais importante no novo sistema.

Produtos e serviços precisam estar classificados corretamente para que os documentos fiscais sejam emitidos com as informações tributárias adequadas. Cadastros antigos, incompletos ou inconsistentes podem gerar problemas quando as novas regras forem aplicadas.

Uma empresa com milhares de itens cadastrados, por exemplo, deve evitar deixar essa revisão para o final de 2026.

Reavalie preços e contratos

A reforma também pode provocar mudanças na formação de preços.

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O empresário deve avaliar como a transição afetará custos, créditos tributários, margens e contratos de longo prazo. Em negociações entre empresas, também será necessário observar como as partes tratarão as novas regras tributárias.

Uma mudança aparentemente pequena na estrutura tributária pode alterar a margem de determinados produtos ou serviços.

A contabilidade terá papel ainda mais importante

A adaptação não deve ficar restrita ao setor de tecnologia.

O contador e as equipes fiscal e financeira precisam participar dos testes porque a reforma altera a forma de registrar e acompanhar as operações.

É importante estabelecer um calendário interno de implantação, definir responsáveis e testar situações reais antes da entrada efetiva das novas regras.

Empresas maiores podem precisar integrar os projetos fiscal, contábil, financeiro, jurídico e de tecnologia. Pequenos negócios, por sua vez, devem manter contato próximo com o contador e com o fornecedor do sistema utilizado.

O que acontece se a empresa não se preparar?

Deixar a adaptação para a última hora aumenta o risco de erros em notas fiscais, problemas de integração e dificuldades na escrituração.

Além do impacto operacional, inconsistências podem prejudicar a correta apuração dos tributos e gerar retrabalho.

Outro risco está no fluxo financeiro. Se o sistema comercial não estiver alinhado com a área fiscal, a empresa poderá ter dificuldade para identificar corretamente os valores tributários envolvidos em cada operação.

A reforma, portanto, deve ser tratada como um projeto de adaptação empresarial, e não apenas como uma alteração na legislação tributária.

Checklist para preparar o negócio

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom/Shutterstock

Embora cada empresa tenha necessidades diferentes, algumas providências são comuns. É importante confirmar a atualização do ERP e dos emissores fiscais, revisar cadastros, acompanhar o cronograma dos documentos eletrônicos, testar a emissão de notas e alinhar as mudanças com o contador.

Também vale revisar contratos, preços, margens e processos financeiros. Empresas do Simples Nacional devem ainda avaliar cuidadosamente as regras e opções disponíveis para 2027.

A Receita Federal recomenda que os contribuintes acompanhem as orientações oficiais durante o período de transição, já que os procedimentos e leiautes técnicos podem ser atualizados.

Imagem: Reprodução

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