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Reforma Tributária pode aumentar impostos de agências de comunicação em 130,1%

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
Reforma tributária

A implementação da reforma tributária brasileira poderá provocar aumentos expressivos na carga de impostos de empresas do setor de serviços, especialmente consultorias e agências de comunicação. Uma simulação divulgada em novembro de 2026 aponta que o recolhimento de tributos de uma consultoria empresarial poderá crescer até 182,3% com a entrada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), enquanto uma agência de comunicação poderá registrar aumento de 130,1%.

O impacto, porém, não será igual para todas as empresas. A diferença está principalmente na possibilidade de aproveitar créditos tributários para reduzir o valor devido. Negócios que dependem de profissionais e equipes próprias podem enfrentar uma pressão maior, enquanto indústrias e estabelecimentos comerciais tendem a encontrar mais oportunidades de compensação.

A mudança começa em uma etapa decisiva em janeiro de 2027, quando a CBS substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Entenda o que está por trás das projeções, quais empresas podem ser mais afetadas e como a nova tributação poderá influenciar preços, contratos e margens de lucro.

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Por que a reforma tributária pode aumentar os impostos das consultorias?

Reforma tributária
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal motivo está na forma como o novo sistema calcula os tributos e permite o aproveitamento de créditos. A reforma foi estruturada para substituir diferentes impostos sobre o consumo por um modelo de tributação não cumulativa, no qual as empresas podem descontar valores pagos em aquisições utilizadas em suas atividades.

Na prática, isso significa que o impacto da mudança depende não apenas do faturamento, mas também da estrutura de custos de cada negócio.

Uma indústria, por exemplo, costuma comprar matérias-primas, componentes, equipamentos e outros insumos necessários à produção. Essas aquisições podem gerar créditos tributários que reduzem o valor final a recolher.

Já uma consultoria empresarial pode concentrar grande parte de suas despesas na remuneração de funcionários e profissionais. Como os gastos com salários, em regra, não geram créditos de CBS, a empresa tem menos possibilidades de compensar o imposto devido.

A diferença ajuda a explicar por que negócios que vendem conhecimento especializado e serviços profissionais podem enfrentar uma elevação proporcional maior do recolhimento.

O que são créditos tributários e como funcionam?

Os créditos tributários permitem descontar determinados impostos incidentes sobre aquisições empresariais do valor devido nas operações de venda.

Imagine uma empresa que presta serviços de consultoria e contrata softwares, serviços de tecnologia e equipamentos para executar seus projetos. Conforme as regras legais e os requisitos de cada operação, essas despesas podem gerar créditos.

Entretanto, o pagamento de salários aos funcionários não entra nessa mesma lógica. A folha de pagamento representa uma parcela significativa dos custos de muitas empresas de serviços, mas não funciona como uma aquisição tributável que gere crédito de CBS.

Esse desenho cria uma diferença entre empresas que dependem de insumos e mercadorias e aquelas cuja principal estrutura de custos está concentrada em pessoas.

Quais setores podem sentir o maior impacto?

A simulação analisada apresenta resultados bastante diferentes entre os segmentos avaliados. O levantamento considera cenários hipotéticos, com regimes tributários e níveis distintos de aproveitamento de créditos.

Variação estimada no recolhimento de tributos

SetorVariação estimada
Consultoria empresarial+182,3%
Agência de comunicação+130,1%
Indústria-22,9%
Comércio varejista-23,3%

Os percentuais representam cenários específicos, não médias obrigatórias para todos os negócios de cada segmento.

Consultorias empresariais podem ter aumento de 182,3%

As consultorias aparecem entre as atividades mais expostas à mudança. O aumento estimado de 182,3% está relacionado à combinação entre uma estrutura de custos concentrada em mão de obra e uma menor possibilidade de aproveitar créditos tributários.

O resultado não significa que todas as consultorias terão exatamente esse aumento. O regime de tributação, o volume de despesas que geram créditos, a composição das operações e as características de cada empresa podem alterar significativamente o resultado.

Agências de comunicação podem enfrentar alta de 130,1%

As agências de publicidade e comunicação também aparecem entre os segmentos com maior exposição. Muitas dessas empresas dependem de profissionais especializados, como designers, redatores, gestores de tráfego, diretores de arte e estrategistas.

Quando a maior parte dos custos está concentrada na equipe, a possibilidade de compensar a CBS pode ser menor do que em negócios com maior volume de compras de insumos.

O resultado pode pressionar as margens de lucro, especialmente em agências que trabalham com contratos de longo prazo e valores definidos antecipadamente.

Indústria e comércio podem ter redução de impostos

Na outra ponta, a simulação aponta uma possível redução de 22,9% para uma indústria e de 23,3% para o comércio varejista.

Esses segmentos podem aproveitar créditos relacionados às compras de mercadorias, matérias-primas, equipamentos e outros itens utilizados nas atividades empresariais, desde que atendidos os requisitos legais.

Isso não significa que toda indústria ou loja pagará menos. A conclusão depende do perfil de cada operação e da quantidade de créditos efetivamente aproveitáveis.

Quando a reforma tributária começa a valer?

A implementação do novo sistema ocorre gradualmente. Embora a reforma tenha sido aprovada em 2023, sua aplicação prática foi organizada em diferentes etapas para permitir a adaptação de empresas, governos e consumidores.

A primeira fase começou em 2026, com a implantação de alíquotas de teste da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A partir de janeiro de 2027, o cronograma prevê a extinção do PIS e da Cofins e o início da cobrança da CBS. Já a substituição dos impostos estaduais e municipais ocorrerá de maneira progressiva até 2033.

PeríodoPrincipais mudanças
2026Ano de teste da CBS e do IBS
2027 e 2028CBS substitui PIS e Cofins; início do Imposto Seletivo
2029 a 2032Substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS
2033Novo sistema entra em vigor integralmente

A transição foi estabelecida pela reforma constitucional e regulamentada por legislação complementar.

Qual será a alíquota da CBS em 2027?

A simulação utiliza uma alíquota de 11,2% para a CBS. Entretanto, a alíquota de referência depende de definição pelas autoridades competentes, conforme o procedimento previsto na legislação.

A alíquota de referência não deve ser confundida com a carga efetiva de cada empresa, pois o aproveitamento de créditos e os tratamentos tributários específicos influenciam o resultado final.

Também não se deve confundir a CBS com a tributação total sobre o consumo: o IBS terá uma implementação própria e gradual, enquanto outros tributos continuarão existindo durante a transição.

O aumento será obrigatório para todas as empresas de serviços?

Não. Os percentuais divulgados são resultados de simulações específicas e não representam uma elevação automática para todo o setor de serviços.

Empresas enquadradas em regimes tributários diferentes podem ter resultados distintos. Negócios no Simples Nacional, por exemplo, possuem regras próprias e não devem ser avaliados diretamente com base em uma simulação feita para outro enquadramento.

Além disso, a possibilidade de aproveitar créditos depende das características das operações, dos documentos fiscais e dos requisitos previstos na legislação.

Por isso, uma agência de comunicação com estrutura operacional terceirizada pode apresentar um resultado diferente de outra que mantém uma equipe própria numerosa. O mesmo vale para consultorias com diferentes níveis de despesas operacionais.

A análise individual será indispensável para identificar a exposição de cada negócio à nova tributação.

Como as empresas podem se preparar para a mudança?

A proximidade de 2027 exige que as empresas comecem a revisar sua estrutura financeira e tributária antes da substituição dos impostos.

O primeiro passo é entender como os custos estão distribuídos e quais despesas poderão gerar créditos no novo modelo. Sem esse levantamento, existe o risco de descobrir somente depois da mudança que a margem de lucro foi comprometida.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  1. Revisar o regime tributário: verificar se o enquadramento atual continuará adequado às características e aos objetivos da empresa.
  2. Mapear as despesas: identificar quais aquisições podem gerar créditos de CBS e IBS.
  3. Simular diferentes cenários: comparar a tributação atual com as novas regras, considerando faturamento, custos e créditos aproveitáveis.
  4. Reavaliar contratos: analisar cláusulas de reajuste e condições comerciais para contratos que atravessarão o período de transição.
  5. Revisar a formação de preços: verificar se será necessário ajustar valores para preservar a rentabilidade.
  6. Atualizar os sistemas fiscais: preparar os processos de emissão de notas, escrituração e apuração dos novos tributos.

O que pode acontecer com os preços dos serviços?

Uma das principais consequências possíveis é o repasse de parte do aumento dos custos tributários aos clientes.

Se uma consultoria passar a recolher mais impostos e não conseguir compensar essa diferença com ganhos de produtividade ou redução de despesas, poderá precisar reajustar seus contratos para preservar a margem de lucro.

O mesmo pode acontecer com agências de publicidade, empresas de tecnologia, escritórios especializados e prestadores de serviços corporativos.

Entretanto, o repasse não é automático. A capacidade de aumentar preços depende da concorrência, do poder de negociação, da demanda e da disposição dos clientes em aceitar novos valores.

Empresas que atendem grandes contratantes também podem enfrentar negociações mais difíceis, especialmente quando os contratos foram assinados antes da implementação da CBS.

A reforma tributária vai simplificar o sistema, mas exige adaptação

Reforma tributária
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A reforma tributária foi criada com a proposta de reduzir a complexidade da tributação sobre o consumo, ampliar a transparência e diminuir a cumulatividade dos impostos.

A substituição de diversos tributos por CBS e IBS representa uma transformação estrutural para a economia brasileira. Entretanto, a simplificação do sistema não significa que todas as empresas terão redução na carga tributária.

As projeções para consultorias e agências de comunicação mostram que negócios intensivos em mão de obra podem enfrentar desafios relevantes a partir de 2027. Ao mesmo tempo, empresas com maior capacidade de aproveitar créditos poderão encontrar oportunidades de redução do recolhimento.

Para os empresários, a prioridade deve ser antecipar os cálculos, revisar contratos e compreender como a nova tributação afetará a operação. A preparação financeira e contábil será determinante para atravessar a transição sem comprometer a competitividade.

Conclusão

A reforma tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos brasileiro e seus efeitos serão sentidos de maneira diferente entre os setores da economia. Para consultorias, agências de comunicação e outras empresas intensivas em mão de obra, a transição poderá trazer custos adicionais e exigir uma revisão da estrutura financeira e dos preços praticados.

Embora a proposta tenha como objetivo simplificar a cobrança de impostos e reduzir a cumulatividade, os resultados dependerão das características de cada negócio e da capacidade de aproveitar créditos tributários. Por isso, antecipar simulações, revisar contratos e buscar orientação contábil especializada serão medidas fundamentais para evitar surpresas a partir de 2027.

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