Em 2021, o Reino Unido realizou uma das maiores apreensões de criptomoedas do mundo ao confiscar 61 mil unidades de bitcoin. A ação foi resultado de uma operação contra um sofisticado esquema de pirâmide financeira que visava investidores chineses.
Reino Unido cogita vender 61 mil bitcoins apreendidos e gera turbulência no mercado global
O Reino Unido avalia vender 61 mil bitcoins apreendidos em 2021, gerando alerta no mercado global. Entenda os impactos, reações e comparativos com outros países.
O grupo criminoso utilizava uma plataforma falsa de investimentos e lavava o dinheiro através de criptomoedas, levando as autoridades britânicas a confiscar os ativos digitais durante a investigação.
Desde então, os bitcoins permanecem intocados em carteiras digitais controladas pelas autoridades do Reino Unido. À época, cada bitcoin estava avaliado em cerca de US$ 60 mil.
Em julho de 2025, com o preço do BTC girando em torno de US$ 119 mil, o valor total dos ativos apreendidos ultrapassa US$ 7,2 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões), configurando uma verdadeira mina de ouro digital para o governo britânico.
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A proposta da chanceler Rachel Reeves: usar bitcoin para cobrir rombo fiscal
Déficit de quase US$ 30 bilhões reacende debate sobre ativos públicos alternativos
O debate sobre o destino dos bitcoins ganhou força após declarações da nova chanceler do Tesouro, Rachel Reeves, nomeada recentemente pelo governo trabalhista do Reino Unido.
Segundo reportagem do jornal The Daily Telegraph, a equipe econômica da chanceler está considerando vender parte ou a totalidade dos bitcoins apreendidos para ajudar a cobrir o crescente déficit público, atualmente estimado em US$ 29 bilhões.
O objetivo seria utilizar os recursos da venda para reforçar o caixa do governo, reduzindo a necessidade de novos empréstimos e controlando o aumento da dívida pública. A proposta, no entanto, dividiu opiniões entre economistas, parlamentares e representantes do setor cripto, especialmente devido ao potencial impacto de uma liquidação massiva no mercado global de criptomoedas.
O dilema da venda: impacto no mercado e reação internacional

Um movimento com implicações globais para o preço do Bitcoin
A possibilidade de o Reino Unido despejar 61 mil BTC no mercado causou preocupação imediata entre investidores e analistas. O volume equivale a cerca de 0,29% de todo o suprimento de bitcoins existentes, uma quantidade significativa que, se vendida de forma abrupta, poderia levar a uma queda acentuada de preços no curto prazo.
Históricos semelhantes reforçam a cautela. Em 2024, a Alemanha vendeu suas reservas de bitcoin, resultando em uma queda temporária no preço da moeda. Em 2018, a Bulgária também se desfez de seus bitcoins, perdendo a chance de obter US$ 22 bilhões adicionais de lucro.
Em contraste, os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, criaram uma reserva estratégica de bitcoin, optando por não vender os ativos e confiar na valorização futura.
Pressão internacional: China e vítimas exigem justiça
Um fator que complica ainda mais a decisão do Reino Unido é a pressão internacional por parte da China. Muitas das vítimas do esquema de pirâmide que resultou na apreensão dos bitcoins são cidadãos chineses, que agora pleiteiam a devolução parcial ou integral dos ativos como forma de compensação pelas perdas sofridas.
Autoridades chinesas já consideram abrir canais diplomáticos com o governo britânico para discutir o destino dos bitcoins.
Além disso, diversas vítimas entraram com ações judiciais, argumentando que os ativos apreendidos pertencem, por direito, aos investidores lesados e não deveriam ser usados para financiar o Tesouro britânico.
Críticas do setor cripto: “Venda é shortsighted e pode gerar perdas ao Reino Unido”
Organizações pedem que o Reino Unido aprenda com os erros de outros países
A CryptoUK, principal associação do setor de criptoativos no Reino Unido, divulgou uma carta pública recomendando que o governo não realize a venda imediata dos bitcoins. Segundo a entidade, a manutenção dos ativos poderia trazer retornos superiores no médio e longo prazo, especialmente em um cenário de adoção crescente e escassez digital.
“O bitcoin é uma reserva de valor digital. Com base nos erros da Bulgária e da Alemanha, vender neste momento pode ser um erro estratégico. O Reino Unido deve considerar manter os ativos como parte de uma reserva soberana digital”, afirmou a entidade em nota oficial.
A visão econômica: entre o risco fiscal e a oportunidade de longo prazo
Especialistas divergem sobre a estratégia correta para o Reino Unido
Economistas também estão divididos quanto à proposta. De um lado, especialistas em finanças públicas apoiam a medida como uma forma pragmática de reduzir o déficit sem aumentar impostos ou cortar gastos sociais.
De outro, analistas de criptomoedas e investidores institucionais argumentam que o Reino Unido estaria vendendo barato um ativo de alto potencial de valorização.
Oportunidade ou erro estratégico?
De acordo com Nigel Green, CEO da DeVere Group, “vender os bitcoins agora pode parecer prudente do ponto de vista fiscal, mas é uma decisão míope. Com a crescente adoção institucional e o potencial de escassez, o BTC ainda tem muito espaço para subir”.
Comparativo global: como os países lidam com suas reservas de Bitcoin

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Estados Unidos, Alemanha, Bulgária e El Salvador: diferentes estratégias para o mesmo ativo
| País | Estratégia com BTC | Resultado Financeiro |
|---|---|---|
| Alemanha | Venda total em 2024 | Perda de US$ 2 bilhões em valorização |
| Bulgária | Venda em 2018 | Perda de US$ 22 bilhões |
| EUA | Criação de reserva estratégica | Valorização acumulada |
| El Salvador | Acúmulo contínuo | Fortalecimento da imagem internacional |
O exemplo dos Estados Unidos, que proibiram a venda de bitcoins pelo governo federal, mostra uma visão de longo prazo. Já El Salvador, desde que adotou o BTC como moeda legal em 2021, vem acumulando gradualmente, inclusive utilizando lucros para construção de hospitais e infraestrutura.
Bitcoin como reserva estratégica: a nova narrativa estatal?
Nos bastidores das políticas públicas, vem crescendo o debate sobre a criação de reservas estratégicas de bitcoin por países. A ideia, inspirada no modelo do ouro, seria manter uma fração do suprimento nacional em criptoativos, aproveitando sua resistência à inflação, portabilidade e segurança digital.
Especialistas apontam que a adoção dessa política por grandes economias, como o Reino Unido, poderia alterar radicalmente a dinâmica geopolítica do bitcoin, aumentando sua legitimidade e estimulando novas altas de preço.
Possíveis cenários futuros: o que esperar da decisão britânica?
Três caminhos, três impactos distintos
1. Venda total dos bitcoins
- Impacto no preço do BTC: queda acentuada no curto prazo;
- Ganho fiscal imediato: sim;
- Críticas diplomáticas e legais: alta probabilidade;
- Oportunidade futura perdida: provável.
2. Venda parcial
- Impacto no preço: moderado;
- Ganho fiscal: limitado, mas útil;
- Possibilidade de reservas futuras: mantida;
- Risco jurídico: ainda presente.
3. Manutenção como reserva estratégica
- Impacto no preço: positivo no longo prazo;
- Ganho fiscal imediato: nulo;
- Imagem internacional: reforçada como inovador;
- Aproveitamento de valorização futura: elevado.
Conclusão: entre o pragmatismo fiscal e a visão de futuro

A decisão do Reino Unido sobre o destino de seus 61 mil bitcoins tem repercussões globais, que vão além do campo econômico. Em um momento de crescimento da adoção institucional, governos se veem diante de um dilema: usufruir do valor presente ou apostar em um futuro ainda mais valioso.
Enquanto parte do setor público defende o uso imediato dos recursos, investidores, associações e até diplomatas internacionais pressionam para que os ativos sejam protegidos como patrimônio estratégico nacional. O resultado dessa escolha poderá servir de modelo — ou de alerta — para outras nações que venham a se deparar com o mesmo cenário no futuro.
