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Preço da soja hoje: impacto do relatório do USDA explicado

Relatório do USDA pressiona preços da soja no Brasil; dólar em queda e estoques acima do esperado influenciam mercado.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Soja brasil

O início da semana foi marcado por um ambiente negativo no mercado brasileiro de soja. A queda do dólar comercial frente ao real e a divulgação do relatório trimestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) influenciaram diretamente o comportamento dos preços nas principais praças produtoras do país.

O impacto do documento norte-americano foi sentido imediatamente nas bolsas e nas cotações domésticas, refletindo incertezas quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda no cenário global.

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soja
Imagem: ROKA Creative – Freepik

De acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, conduzido por Rafael Silveira, o viés baixista predominou nas negociações do grão. O consultor destacou que, apesar da valorização dos prêmios de exportação, a combinação entre um dólar mais fraco e os números divulgados pelo USDA acabou prevalecendo.

Nas principais praças de comercialização, os preços recuaram:

  • Passo Fundo (RS): de R$ 130,50 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): de R$ 131,50 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): de R$ 136,50 para R$ 135,00
  • Cascavel (PR): de R$ 130,50 para R$ 130,00
  • Paranaguá (PR): de R$ 134,50 para R$ 134,00
  • Rondonópolis (MT): de R$ 117,00 para R$ 115,00
  • Dourados (MS): de R$ 119,00 para R$ 118,00
  • Rio Verde (GO): de R$ 119,00 para R$ 118,00

Essa retração nos preços aponta não apenas para um movimento pontual, mas para uma tendência mais cautelosa do mercado diante das informações vindas dos Estados Unidos.

Chicago oscila com relatório e fecha em campo misto

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja apresentaram comportamento instável ao longo do dia. As posições de curto prazo, como o contrato de julho, recuaram, enquanto os vencimentos mais distantes, como o de novembro, registraram leves altas.

A volatilidade se deu, principalmente, pela expectativa inicial positiva em relação a possíveis avanços comerciais dos Estados Unidos. No entanto, os dados do relatório trimestral de estoques e área plantada revelaram números mais altos do que o mercado antecipava, provocando uma mudança de direção nos preços.

Estoques e área plantada frustram expectativas

soja
Imagem: HelloDavidPradoPerucha – Freepik

O relatório do USDA apontou estoques de soja em grão nos EUA em 1,008 bilhão de bushels, um número 4% superior ao do mesmo período do ano passado e acima da expectativa média do mercado, que era de 971 milhões de bushels.

Outro dado relevante foi a estimativa de área plantada em 2025, prevista em 83,4 milhões de acres, representando uma queda de 4% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o número ficou abaixo das projeções anteriores de março (83,495 milhões de acres) e da média esperada pelo mercado (83,65 milhões). Segundo o USDA, 25 dos 29 estados produtores apresentaram redução ou estabilidade na área destinada ao cultivo da oleaginosa.

Detalhamento dos contratos futuros

Grão de soja

  • Julho: queda de 3,50 centavos de dólar (0,34%), encerrando o dia em US$ 10,24¼ por bushel
  • Novembro: alta de 2,25 centavos (0,21%), cotado a US$ 10,27 por bushel

Subprodutos

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  • Farelo de soja (julho): alta de US$ 0,20 (0,07%), cotado a US$ 271,30 por tonelada
  • Óleo de soja (julho): valorização de 0,06 centavo (0,11%), fechando a 52,51 centavos de dólar por libra-peso

Essas movimentações nos subprodutos indicam uma reação um pouco mais contida em relação ao grão in natura, o que pode apontar para uma tentativa do mercado de ajustar margens em meio à instabilidade.

Impacto cambial e o peso do dólar

A queda do dólar comercial também foi um dos principais fatores de pressão sobre os preços internos da soja. Com a moeda norte-americana operando em baixa frente ao real, o poder de compra das tradings diminui, tornando o produto brasileiro menos atrativo no mercado internacional.

Analistas indicam que, com o dólar abaixo da faixa de R$ 5,40, muitos compradores recuam nas negociações e aguardam um cenário mais favorável. Isso contribui para a retração do ritmo de negócios, criando um ambiente mais conservador tanto por parte de produtores quanto de exportadores.

Expectativas para os próximos dias

Com os números do USDA agora digeridos pelo mercado, as atenções se voltam para o comportamento climático nas regiões produtoras dos Estados Unidos, que entram em fase crítica de desenvolvimento das lavouras. Além disso, o andamento da safra na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, continuará sendo monitorado de perto.

Especialistas da Safras & Mercado apontam que novos movimentos de baixa podem ocorrer caso o câmbio continue enfraquecido e os Estados Unidos mantenham suas projeções de oferta em alta. Por outro lado, qualquer surpresa climática adversa pode virar o jogo e oferecer suporte aos preços, principalmente nos contratos futuros.

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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