Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

NASA: astrônomos identificam sinal vindo de satélite aposentado há 58 anos

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · · 4 min de leitura
NASA

Em junho de 2024, operadores do Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP) detectaram um sinal de rádio ultra‑curto — menos de 30 nanosegundos — com intensidade superior a 300 kJy, que parecia uma nova FRB (rajada rápida de rádio) proveniente de nossa galáxia. Porém, após análise aprofundada, o sinal foi rastreado até o Relay 2, um satélite da NASA lançado em 1964 e desativado em 1967. O achado, descrito em preprint aceito pelo The Astrophysical Journal, reconfigura riscos e oportunidades na observação astronômica.

Leia mais:

NASA prevê cenário extremo para o Brasil — entenda o que pode acontecer

Logo da NASA
Imagem: Reprodução

O que é o Relay 2?

Histórico da missão

Lançado em janeiro de 1964, o Relay 2 fazia parte das primeiras missões experimentais de comunicação da NASA. Seus transponders funcionaram até 1967, quando perdeu contato definitivo, deixando de operar há quase seis décadas.

O sinal enigmático de junho de 2024

Detecção impressionante

Em 13 de junho de 2024, o ASKAP captou uma emissão de rádio extremamente intensa, mas com duração curtíssima — abaixo de 30 ns — durante observações de rotina por FRBs.

Análise revela origem terrestre

  • A amplitude superluminosa sugeria proximidade com o telescópio;
  • A baixa dispersão (medida de tempo de propagação) apontou para origem bem próxima, não celestial;
  • A análise de delays entre antenas mostrou fonte perto da Terra, a apenas cerca de 4 500 km: o Relay 2.

Possíveis causas do pulso

Descarga eletrostática (ESD)

O satélite, exposto à ionosfera, pode acumular carga elétrica até gerar faíscas de disparo eletrostático, emitindo breves pulsos de rádio .

Impacto de micrometeorito

Outro cenário possível é o impacto de micrometeoritos, que geram nuvens de plasma capazes de emitir picos de radiofrequência.

Nuvem iônica ou carga acumulada

A passagem por uma nuvem ionizada também poderia causar descarga inesperada — embora menos provável .

Por que isso é importante?

Transientes falsos (fake FRBs)

O evento cria precedentes: sinais curtos e intensos de satélites “mortos” podem ser falsamente classificados como FRBs, exigindo filtros mais rígidos no processamento.

Monitoramento remoto de espaço e ESD

A detecção de ESD por radiotelescópios abre caminho para monitorar satélites desativados e eventos de descarga no espaço, auxiliando na prevenção de falhas .

Segurança espacial e lixo orbital

Com milhares de satélites inativos, é essencial entender como eventos como esse podem afetar equipamentos e interferir em medições científicas .

O que dizem os especialistas

seucreditodigital.com.br quanto ganha um astronauta da nasa por mes astronauta 3
Earth Space View Night At South America From Space 3D illustration Elements of this image furnished by NASA
  • Clancy W. James (Curtin University): chamou a falha de “droga!”, referindo-se à frustração ao perceber que não era um objeto astronômico.
  • Adam Deller (Swinburne University): destacou que é urgente rastrear mais pulsos semelhantes para modelar fenômenos de satélites desativados .
  • Karen Aplin (University of Bristol): ressaltou o potencial de usar esses sinais para vigilância eletrônica passiva de satélites.

O que muda para a astronomia?

Filtros e validação de FRBs

Instrumentos padrão podem não identificar sinais nanosegundos originados de satélites. Novos algoritmos de validação, levando em conta dispersão, direção e base de dados orbital, podem evitar falsos positivos .

Novos métodos de sensoriamento remoto

Radiotelescópios podem ser usados como sensores de ESD e impacto orbital, complementando instrumentos tradicionais.

Valorização da radioastronomia em monitoramento orbital

O estudo reforça que observações astronômicas também trazem subsídios para segurança e gestão do espaço orbital.

Perspectivas futuras

astronauta
Imagem: Jayjune69/shutterstock.com
  • Reforço na busca por sinais semelhantes de satélites orbitais de várias décadas;
  • Desenvolvimento de modelos físicos que expliquem a sinalização eletromagnética de ESD ou impacto de micrometeoritos;
  • Integração entre astronomia e agências espaciais para mapear e proteger patrimônio orbital.

Considerações finais

O episódio do Relay 2 nos relembra que satélites desativados ainda podem “se expressar” de formas surpreendentes — e que a fronteira entre rádioastronomia e lixo orbital está diminuindo. Mais do que um falso alarme na busca por FRBs, essa descoberta acende novas discussões sobre monitoramento espacial, segurança orbital e os limites do que consideramos “inativo” no espaço.

Imagem: L Galbraith/shutterstock.com

Compartilhar