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NASA prevê cenário extremo para o Brasil — entenda o que pode acontecer

Alerta da NASA preocupa: calor extremo pode afetar o Brasil até 2070. Veja o que diz a ciência e como se proteger!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
nasa

Nos últimos dias, manchetes alarmantes se espalharam pelas redes sociais: o Brasil deixará de ser habitável até 2070? A previsão, atribuída à NASA, gerou temor e confusão.

A realidade, no entanto, exige análise criteriosa. O alerta vem de um estudo científico respeitado e de um cenário possível, mas reversível — se medidas forem tomadas a tempo.

Neste artigo, você vai entender o que diz realmente a ciência, qual é o papel da NASA no alerta, o que é a temida temperatura de bulbo úmido, por que algumas regiões brasileiras estão mais em risco e o que pode ser feito para evitar esse futuro extremo.

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Logo da NASA
Imagem: Reprodução/Fecebook NASA – National Aeronautics and Space Administration

Estudo citado pela NASA ganhou projeção

A origem do alarde está em um estudo publicado na revista Science em 2020, assinado por Colin Raymond, Tom Matthews e Steven Sherwood. Em 2022, um dos autores comentou o tema em uma publicação da NASA, o que reacendeu o debate.

O estudo, porém, não fala em extinção de países. Seu foco é o impacto do calor e da umidade extremos sobre o corpo humano, com base em medições conhecidas como temperatura de bulbo úmido.

O que é temperatura de bulbo úmido e por que ela é tão perigosa?

Um índice que vai além do calor

A temperatura de bulbo úmido combina dois fatores: temperatura e umidade relativa do ar. Diferente da temperatura comum, ela mede até que ponto o corpo humano consegue se resfriar pela transpiração.

Por que 35 °C é um limite mortal?

Segundo os cientistas, quando essa temperatura atinge 35 °C, o corpo humano perde completamente a capacidade de se resfriar. Mesmo uma pessoa jovem, saudável e em repouso pode sofrer hipertermia e morrer em poucas horas.

Esse valor não é comum, mas já foi registrado pontualmente em regiões da Ásia e do Oriente Médio.

Calor extremo no Brasil: o que realmente pode acontecer?

Cidades brasileiras estão na zona de risco

O Brasil não é citado diretamente no estudo de 2020, mas em 2022, o pesquisador da NASA Colin Raymond alertou que partes do território brasileiro podem se tornar inabitáveis até 2070, caso o aquecimento global continue no ritmo atual.

Regiões mais vulneráveis no Brasil

  • Litoral do Sudeste: como Rio de Janeiro e Santos, com urbanização intensa e alta umidade.
  • Região Norte: áreas próximas ao Rio Amazonas.
  • Nordeste úmido: como Salvador, com calor constante e pouca circulação de ar.

Essas áreas combinam fatores críticos:

  • Altas temperaturas médias;
  • Urbanização densa (ilhas de calor);
  • Umidade elevada;
  • População vulnerável.

O que diz a ciência sobre o futuro climático?

Crescimento dos eventos extremos

O estudo original aponta que, entre 1979 e 2017, o número de eventos com temperatura de bulbo úmido acima de 30 °C mais que dobrou. E isso ocorreu mesmo com o aumento médio global abaixo de 1,5 °C em relação à era pré-industrial.

Se esse aumento atingir 2,5 °C ou mais, como preveem alguns cenários pessimistas até 2070, os eventos críticos poderão se tornar comuns, especialmente em regiões tropicais e costeiras — exatamente o caso de boa parte do Brasil.

Previsão é um fato consumado? Não, ainda há saída

Cenário é reversível com ações urgentes

O tom do estudo e das declarações da NASA não é apocalíptico, mas preventivo. Não se trata de um cronograma para o “fim do Brasil”, mas de um alerta realista para que governos e sociedades atuem antes que seja tarde.

Medidas que podem reverter o cenário

  • Redução drástica das emissões de CO₂;
  • Preservação e ampliação de áreas verdes urbanas;
  • Políticas públicas de adaptação climática;
  • Melhoria na infraestrutura urbana para ventilação e resfriamento;
  • Educação ambiental e ações de conscientização.

Impactos sociais e econômicos do calor extremo no Brasil

Muito além da saúde pública

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O aquecimento intenso pode ter efeitos devastadores em múltiplas áreas da sociedade:

Saúde

  • Aumento de internações por insolação e desidratação;
  • Maior risco para idosos, crianças e doentes crônicos.

Economia

  • Redução da produtividade, especialmente em áreas externas;
  • Aumento dos custos com energia elétrica (ar-condicionado).

Agricultura

  • Perdas de safra por estresse térmico em plantas e animais;
  • Aumento da necessidade de irrigação.

Infraestrutura

  • Derretimento de asfalto, danos ao transporte público e aumento de falhas elétricas.

Responsabilidade do Brasil e do mundo no enfrentamento

Bandeira do Brasil em fundo desfocado numa cidade durante nascer do sol
Imagem: Natanael Ginting / Shutterstock.com

País é vulnerável, mas também essencial na solução

O Brasil, por abrigar a Amazônia — um dos principais reguladores climáticos do planeta —, tem papel duplo: está entre os mais vulneráveis, mas também entre os mais capazes de mudar o rumo.

O que o Brasil pode (e deve) fazer:

  • Fortalecer políticas ambientais;
  • Combater o desmatamento;
  • Incentivar energias limpas;
  • Investir em pesquisas climáticas nacionais.

Conclusão: o futuro ainda está em aberto

A manchete “Brasil será inabitável até 2070” é, na melhor das hipóteses, sensacionalista. O que existe é um alerta robusto, com base científica, de que se nada for feito, partes do país podem enfrentar eventos de calor insuportável nas próximas décadas. Ainda há tempo. Mas as decisões precisam ser tomadas agora — por governos, empresas e cidadãos.

Imagem: L Galbraith / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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