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Renato Machado morre aos 83 anos; jornalista marcou o Bom Dia Brasil por décadas

Jornalista Renato Machado morre aos 83 anos após mais de 50 anos de carreira. Relembre trajetória, coberturas históricas e legado.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Renato Machado morre aos 83 anos; jornalista marcou o Bom Dia Brasil por décadas

O jornalista Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul da cidade, ele deixou uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao jornalismo, marcada por coberturas internacionais, apresentação de grandes telejornais e uma contribuição decisiva para a modernização do telejornalismo brasileiro.

Reconhecido como um dos principais nomes da televisão nacional, Renato Machado participou de momentos históricos da imprensa brasileira e ajudou a transformar a forma como a notícia era apresentada ao público.

Sua carreira passou por diferentes fases: do repórter de rua ao correspondente internacional, do apresentador de bancada ao jornalista especializado em grandes reportagens. Ao longo desse caminho, construiu uma relação de credibilidade com diferentes gerações de telespectadores.

A morte do jornalista representa não apenas a perda de um profissional reconhecido, mas também o encerramento de um capítulo importante da história do telejornalismo brasileiro.

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Reprodução/Internet

Uma carreira iniciada no jornalismo impresso antes da televisão

Renato Machado iniciou sua carreira em 1969 como repórter do Jornal do Brasil, um dos veículos mais importantes da imprensa brasileira naquele período.

A experiência no jornalismo impresso ajudou a formar uma característica que acompanharia toda sua trajetória: a valorização da apuração, da contextualização e da busca por informações além do fato imediato.

Em 1982, chegou à TV Globo, onde participou de uma das primeiras grandes coberturas internacionais de sua carreira: a Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Reino Unido que marcou a política internacional naquele início de década.

A entrada na televisão ocorreu em um período de transformação do jornalismo brasileiro, com o fortalecimento das grandes redes nacionais e o aumento da cobertura de acontecimentos internacionais.

Correspondente internacional acompanhou acontecimentos históricos

Em 1983, Renato Machado assumiu uma das funções mais importantes para jornalistas de televisão: correspondente internacional em Londres.

A posição permitiu que acompanhasse diretamente acontecimentos que tiveram grande impacto mundial.

Entre os episódios cobertos durante esse período estiveram os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl, também ocorrido naquele ano.

A cobertura internacional exigia não apenas domínio jornalístico, mas capacidade de explicar acontecimentos complexos para o público brasileiro, muitas vezes distante geograficamente dos fatos.

Esse período consolidou Renato Machado como um jornalista com perfil analítico, capaz de unir informação, contexto histórico e interpretação dos acontecimentos.

O papel de Renato Machado na transformação do Bom Dia Brasil

Um dos momentos mais importantes da carreira de Renato Machado ocorreu entre 1996 e 2010, quando assumiu a apresentação e a edição-chefe do Bom Dia Brasil.

Durante esse período, o telejornal passou por uma reformulação de linguagem e formato.

Ao lado de jornalistas como Leilane Neubarth e, posteriormente, Renata Vasconcellos, Renato ajudou a construir uma apresentação mais dinâmica, com maior interação entre os integrantes da bancada, participação de comentaristas e entradas ao vivo de repórteres.

A mudança acompanhava uma transformação mais ampla no jornalismo televisivo: o público passou a buscar não apenas informações, mas também análise e explicação dos acontecimentos.

O modelo adotado pelo programa contribuiu para aproximar os apresentadores dos telespectadores, criando uma relação mais conversada e menos formal na apresentação das notícias.

A importância do jornalista na evolução do telejornalismo brasileiro

A trajetória de Renato Machado está ligada a uma fase de consolidação do jornalismo televisivo como principal fonte de informação para milhões de brasileiros.

Antes da expansão da internet e das redes sociais, os telejornais tinham papel central na formação da opinião pública e na compreensão dos acontecimentos nacionais e internacionais.

Nesse cenário, profissionais como Renato Machado ajudaram a estabelecer padrões de qualidade relacionados à apuração, apresentação e interpretação das notícias.

Sua carreira também reflete uma mudança no papel do jornalista de televisão. O profissional deixou de ser apenas um apresentador de informações para assumir uma função de mediador, explicando contextos e ajudando o público a compreender temas complexos.

Retorno à Europa marcou nova fase da carreira

Em setembro de 2011, Renato Machado voltou a Londres como correspondente internacional da TV Globo.

A nova etapa permitiu que acompanhasse acontecimentos relevantes da política e da sociedade mundial.

Entre os temas cobertos estavam os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, a trajetória de Nelson Mandela e a crise econômica enfrentada pela Grécia.

O trabalho como correspondente exigia novamente a capacidade de transformar acontecimentos internacionais em informações compreensíveis para o público brasileiro.

Além das coberturas políticas e econômicas, Renato também passou a explorar temas relacionados à cultura, gastronomia e comportamento.

A paixão pelos vinhos e o jornalismo além da notícia

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Uma das marcas pessoais de Renato Machado nos últimos anos foi o interesse pelo universo dos vinhos.

Em 2014, produziu uma série especial para o Jornal Hoje sobre a região da Provença, na França, explorando não apenas a produção da bebida, mas também aspectos culturais e históricos ligados ao território.

A abordagem mostrava uma característica presente em sua carreira: o interesse por histórias humanas por trás dos acontecimentos.

Ao falar sobre vinhos, Renato destacava a relação entre clima, geografia e tradição. Um exemplo citado por ele era o mistral, vento frio que atravessa a região dos Alpes e influencia as características das vinícolas locais.

Nas redes sociais, continuou compartilhando conteúdos relacionados ao tema, mantendo uma conexão com o público mesmo após reduzir a presença diária na televisão.

A visão de Renato Machado sobre o jornalismo

Em depoimento ao Memória Globo, Renato Machado destacou que o jornalismo televisivo exige aprendizado constante.

Segundo ele, a profissão envolve muito mais do que escrever e apresentar notícias. O jornalista precisa compreender diferentes etapas da produção, incluindo imagem, edição, enquadramento e linguagem visual.

“Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, afirmou.

A declaração resume uma visão de jornalismo baseada na prática, na observação e na busca permanente por aprimoramento.

O legado deixado para novas gerações de jornalistas

(Foto: Carlos Ivan/TV Globo)

A contribuição de Renato Machado ultrapassa os programas que apresentou.

Sua trajetória representa uma escola de jornalismo que valorizava a preparação, a linguagem clara e a capacidade de contextualizar acontecimentos.

Para novas gerações de profissionais, sua carreira deixa como referência a importância de dominar diferentes áreas do processo jornalístico e compreender que a televisão é uma construção coletiva.

O jornalista participou de uma época em que grandes reportagens internacionais exigiam planejamento, deslocamento e profundo trabalho de apuração.

Mesmo com as transformações provocadas pela tecnologia e pelas novas formas de consumo de informação, os princípios que marcaram sua carreira continuam presentes no jornalismo contemporâneo: credibilidade, responsabilidade e compromisso com o público.

Reprodução/TV Globo

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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