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Títulos de renda fixa no exterior chamam atenção após avanço dos juros globais

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 11 min de leitura
Renda Fixa

A renda fixa em dólar voltou a chamar a atenção dos investidores brasileiros diante do nível elevado dos juros nos Estados Unidos. Na carteira recomendada pela XP para outubro, os dez títulos selecionados oferecem taxas de 3,5% a 6,7% ao ano, além da variação do câmbio.

Entre as maiores remunerações estão os bonds da Prio, com vencimento em outubro de 2030 e taxa de 6,7% ao ano; da Sabesp, com vencimento em agosto de 2030 e rendimento de 6,1%; e do BTG Pactual, que vence em janeiro de 2031 e oferece 5,8% ao ano.

As taxas mais altas, porém, estão concentradas em emissores com classificação de risco abaixo do grau de investimento. Por isso, a escolha não deve considerar apenas o retorno prometido: prazo, risco de crédito, oscilação dos juros, liquidez e dólar também influenciam o resultado.

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Quais são os títulos recomendados para outubro?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A seleção reúne títulos de governos e empresas de diferentes setores, com níveis variados de risco.

TítuloSetorVencimentoCupomTaxa YTWRating
Treasury USSoberanoDez/20284,0%3,5%AA+
BrasilSoberanoMar/20316,25%5,5%BB
Santander USFinanceiroSet/20305,353%5,2%BBB+
JPMorganFinanceiroJan/20315,14%5,1%A+
HSBCFinanceiroMai/20315,24%5,1%A-
BTG PactualFinanceiroJan/20315,5%5,8%BB+
PrioÓleo e gásOut/20306,75%6,7%BB+
SabespSaneamentoAgo/20305,625%6,1%BB
NvidiaTecnologiaJun/20314,5%4,5%AA
MetaTecnologiaMai/20334,875%5,5%AA-

As taxas têm como referência o dia 29 de setembro e podem mudar de acordo com as condições do mercado.

Prio lidera a lista com taxa de 6,7% ao ano

O bond da Prio apresenta a maior taxa entre os títulos selecionados, com rendimento até o vencimento de 6,7% ao ano.

Na sequência aparecem:

  • Sabesp: 6,1% ao ano;
  • BTG Pactual: 5,8% ao ano;
  • Brasil: 5,5% ao ano;
  • Meta: 5,5% ao ano;
  • Santander US: 5,2% ao ano;
  • JPMorgan: 5,1% ao ano;
  • HSBC: 5,1% ao ano;
  • Nvidia: 4,5% ao ano;
  • Treasury americano: 3,5% ao ano.

A diferença entre as taxas está relacionada, entre outros fatores, ao risco de crédito de cada emissor. Em geral, quanto maior o risco percebido pelo mercado, maior precisa ser a remuneração oferecida para atrair investidores.

Por que alguns títulos pagam mais que outros?

O principal fator é a qualidade de crédito do emissor.

Prio, Sabesp e BTG Pactual aparecem com ratings BB ou BB+, enquanto empresas como Meta e Nvidia possuem classificações AA- e AA.

Ratings mais baixos indicam maior risco de crédito. Para compensar esse risco, o mercado normalmente exige uma remuneração maior.

É por isso que o bond da Prio, por exemplo, oferece 6,7% ao ano, enquanto o da Nvidia paga 4,5%.

Isso não significa que o título com maior taxa seja automaticamente melhor. O retorno adicional é justamente uma compensação pelo risco maior.

O que significa high yield?

High yield é a classificação dada a títulos de dívida que apresentam maior risco de crédito e, consequentemente, costumam oferecer remuneração mais elevada.

Já os papéis classificados como high grade possuem melhor qualidade de crédito e, normalmente, oferecem taxas menores.

Na prática, o investidor precisa decidir quanto risco está disposto a assumir para tentar obter um retorno maior.

Quanto investir no exterior?

A recomendação da XP é manter 15% da carteira total em ativos internacionais, independentemente do perfil do investidor.

Dentro dessa parcela, a distribuição sugerida é:

  • 54% em renda fixa;
  • 42% em ações;
  • 4% em caixa.

Na renda fixa internacional, a sugestão é dividir os recursos entre diferentes níveis de risco:

  • 17% em títulos de empresas high grade;
  • 13,5% em títulos high yield;
  • 12,5% em dívida de países emergentes;
  • 8% em títulos de governos de países desenvolvidos.

A estratégia busca evitar que a carteira fique excessivamente dependente de um único tipo de ativo.

Qual é o prazo ideal para investir?

Um dos principais pontos analisados é a duration, indicador que mostra a sensibilidade de um título às mudanças nas taxas de juros.

Quanto maior a duration, maior tende a ser a oscilação do preço do título quando os juros mudam.

Diante da volatilidade do mercado, a recomendação é manter uma duration média próxima de dois anos na parcela de renda fixa internacional.

Alguns títulos da carteira, entretanto, possuem prazos significativamente maiores. O bond da Meta, por exemplo, vence em 2033 e possui duration de 5,46 anos.

Por isso, a estratégia indicada é combinar títulos de diferentes prazos.

Quanto investir em cada empresa?

A recomendação é não concentrar mais de 5% da carteira em um único emissor de crédito privado.

Para empresas consideradas mais arriscadas, essa exposição pode ser ainda menor.

A lógica é reduzir o impacto que um eventual problema financeiro de uma única companhia teria sobre o patrimônio total do investidor.

Diversificar, nesse caso, significa distribuir o dinheiro entre diferentes empresas, setores, prazos e níveis de risco.

Como funciona um bond?

Um bond é um título de dívida emitido por uma empresa ou governo.

Ao comprar o papel, o investidor fornece recursos ao emissor. Em troca, recebe juros e, de acordo com as condições do título, recebe o principal de volta no vencimento.

Muitos bonds fazem pagamentos periódicos de juros, chamados de cupons.

No exemplo apresentado pela XP, um investidor que comprasse o bond da Prio por aproximadamente US$ 1.005 receberia US$ 34 a cada semestre, conforme as condições do título.

No vencimento, o principal também seria devolvido, desde que o emissor cumpra suas obrigações.

É obrigatório ficar com o título até o vencimento?

Não.

O investidor pode vender o bond antes do vencimento, mas o preço de venda será determinado pelas condições do mercado naquele momento.

Esse detalhe é fundamental porque o valor de um título pode subir ou cair.

Quando os juros de mercado sobem, por exemplo, títulos antigos podem perder valor porque existem novas aplicações oferecendo remuneração maior.

Quando os juros caem, o movimento pode ser inverso.

Portanto, a taxa apresentada no momento da compra não significa necessariamente que o investidor terá aquele retorno caso venda o papel antes do vencimento.

O emissor pode resgatar o bond antecipadamente?

Alguns títulos possuem cláusulas que permitem o resgate antecipado.

No caso do bond da Prio citado pela XP, a empresa pode recomprar o título a partir de outubro de 2027.

Esse mecanismo costuma ser utilizado quando as condições de financiamento ficam mais favoráveis para a companhia.

Se os juros caírem, por exemplo, uma empresa pode preferir quitar uma dívida antiga e emitir novos títulos com custo menor.

Para o investidor, isso significa receber o dinheiro antes do prazo originalmente esperado e precisar encontrar uma nova aplicação.

Bonds internacionais têm garantia do FGC?

Não.

Os bonds internacionais não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Isso vale para os títulos corporativos e para os papéis internacionais mencionados na carteira.

Assim, o investidor assume diretamente os riscos relacionados ao emissor e ao mercado.

A ausência do FGC é uma diferença importante em relação a determinados investimentos de renda fixa oferecidos no Brasil que estão dentro das regras de cobertura do fundo.

Quais são os riscos da renda fixa em dólar?

Apesar do nome “renda fixa”, esses investimentos não estão livres de riscos.

Risco de crédito

É a possibilidade de o emissor não conseguir pagar os juros ou devolver o valor devido no vencimento.

Esse risco tende a ser maior em empresas com ratings mais baixos.

Risco de mercado

O preço do bond pode oscilar antes do vencimento.

Quem precisar vender o título em um momento desfavorável pode receber menos do que pagou.

Risco cambial

O investimento é realizado em dólar, mas muitos investidores brasileiros acompanham o patrimônio em reais.

Se o dólar cair, o retorno convertido para reais pode ser menor.

Se a moeda americana subir, o efeito cambial pode aumentar o ganho em reais.

Risco de liquidez

Alguns bonds têm negociação mais limitada.

Isso significa que pode ser mais difícil vender o título rapidamente pelo preço desejado.

Como o dólar influencia o retorno?

A variação cambial é um dos principais fatores que diferenciam a renda fixa internacional da renda fixa tradicional brasileira.

Imagine que um título tenha valorização de 5% em dólar. Se, no mesmo período, o dólar cair significativamente diante do real, o ganho efetivamente percebido pelo investidor brasileiro será menor.

Por outro lado, uma valorização do dólar pode aumentar o retorno quando o investimento é convertido para reais.

Por isso, a rentabilidade precisa ser analisada em duas dimensões: o desempenho do próprio título e a variação da moeda.

Por que os juros americanos subiram?

A alta dos juros ocorreu em um ambiente de economia americana resistente e preocupações com a inflação.

Segundo os dados apresentados na análise, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

Ao longo de setembro, as expectativas para novos movimentos dos juros oscilaram, aumentando a volatilidade no mercado.

A taxa do Treasury americano de dez anos chegou a 5,22%, enquanto o título de 30 anos ultrapassou 5,5%.

Juros mais altos aumentam a remuneração oferecida por títulos de renda fixa e podem tornar esses ativos mais interessantes para investidores que buscam aplicações em dólar.

Petróleo também pressionou o mercado

O petróleo foi outro fator relevante para as expectativas de inflação.

As tensões no Oriente Médio e as preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz levaram o barril do Brent a ultrapassar US$ 108 nos momentos de maior tensão.

A commodity terminou o mês próxima de US$ 103.

Uma alta persistente do petróleo pode aumentar os custos de produção e transporte e pressionar a inflação. Para os bancos centrais, isso dificulta o processo de redução dos juros.

O que aconteceu com os títulos corporativos americanos?

O movimento de alta dos juros também afetou o mercado de crédito privado dos Estados Unidos.

Segundo os dados apresentados, a taxa média dos títulos americanos high yield subiu de 6,83% para 7,72% ao ano desde o início do conflito no Oriente Médio, em março.

Entre os títulos high grade, a média passou de 3,66% para 4,42%.

Parte dessa movimentação foi relacionada ao aumento da emissão de dívida por empresas ligadas à inteligência artificial, que vêm realizando investimentos elevados em infraestrutura e expansão.

Renda fixa em dólar vale a pena?

A resposta depende do objetivo e do perfil de cada investidor.

Taxas entre 5% e 6% ao ano em dólar podem ser interessantes para quem busca diversificação internacional e exposição à moeda americana. Isso, porém, não elimina os riscos envolvidos.

Investidores mais conservadores podem preferir títulos de governos ou emissores com melhor classificação de crédito, mesmo aceitando uma taxa menor.

Já quem aceita mais risco pode avaliar bonds high yield, desde que a exposição esteja de acordo com sua estratégia e seja suficientemente diversificada.

A maior taxa, portanto, não deve ser tratada como sinônimo de melhor investimento.

O que analisar antes de comprar um bond?

Antes de investir, o investidor deve verificar:

  • Emissor: quem é responsável pela dívida;
  • Rating: qual é a classificação de risco;
  • Taxa até o vencimento: quanto o papel oferece nas condições atuais;
  • Prazo: quando o título vence;
  • Duration: quanto o preço pode oscilar diante dos juros;
  • Liquidez: facilidade para vender o papel;
  • Câmbio: impacto da variação do dólar;
  • Custos e impostos: despesas e tributação aplicáveis à operação.

Também é necessário observar a participação daquele título na carteira para evitar concentração excessiva.

O que esperar para os próximos meses?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A trajetória dos juros americanos continuará sendo determinante para o mercado de renda fixa internacional.

Se os juros permanecerem elevados, novas emissões podem continuar oferecendo taxas interessantes. Se houver cortes mais fortes, títulos comprados anteriormente podem se valorizar, enquanto novas aplicações tendem a oferecer remunerações menores.

O dólar também terá papel importante para o investidor brasileiro.

Por isso, a estratégia não deve se resumir a procurar o título com a maior taxa. Prazo, qualidade de crédito, diversificação e exposição cambial precisam ser analisados em conjunto.

Conclusão

A renda fixa em dólar ganhou atratividade em um momento de juros elevados nos Estados Unidos. Na seleção da XP para outubro, as taxas variam de 3,5% a 6,7% ao ano, com destaque para títulos da Prio, Sabesp e BTG Pactual.

As maiores remunerações, porém, estão associadas a emissores com maior risco de crédito. Além disso, o investidor brasileiro precisa considerar a oscilação do preço dos bonds, a possibilidade de venda antecipada, a liquidez e a variação do dólar.

Para quem pretende diversificar o patrimônio internacionalmente, os bonds podem cumprir um papel relevante na carteira. A escolha, entretanto, deve partir do risco que o investidor está disposto a assumir — e não apenas da taxa exibida no momento da compra.

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