A discussão sobre o futuro do mercado financeiro brasileiro ganhou força no dia 20 de agosto de 2025, quando a Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública para analisar o Projeto de Lei 4.501/2024, que propõe a criação da Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit).
BACEN, Tesouro e setor cripto discutem Reserva Estratégica de Bitcoin na Câmara
Câmara dos Deputados debate projeto de lei que cria a Reserva Estratégica Soberana de Bitcoin. Entenda os argumentos a favor e contra, impacto econômico e mais.
O encontro reuniu representantes do Banco Central (BACEN), do Tesouro Nacional, da Febraban, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e de entidades ligadas ao setor de criptomoedas. O objetivo foi avaliar a viabilidade de incluir Bitcoin (BTC) entre os ativos oficiais das reservas internacionais do Brasil.
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O que está em jogo no PL 4.501/2024
A proposta da RESBit
O projeto de lei prevê que o Brasil poderá alocar até 5% das reservas internacionais em Bitcoin, de forma gradual e controlada. A custódia seria realizada pelo Banco Central, que também ficaria responsável por elaborar relatórios semestrais ao Congresso sobre a gestão dos ativos.
Entre os objetivos citados pelo texto estão:
- Diversificação das reservas internacionais;
- Proteção contra riscos cambiais e geopolíticos;
- Fomento ao uso de tecnologias baseadas em blockchain;
- Eventual suporte ao Drex, moeda digital do Banco Central que ainda está em fase piloto.
Quanto isso representa em valores
De acordo com dados do Banco Central, o Brasil encerrou junho de 2025 com US$ 344,4 bilhões em reservas internacionais. Caso a proposta fosse aplicada de forma imediata e integral, os 5% previstos equivaleriam a US$ 17,22 bilhões em Bitcoin.
No entanto, a própria redação do projeto prevê uma aquisição gradual e condicionada, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal e as diretrizes da política monetária, fiscal e cambial.
O que foi debatido na audiência pública
A audiência de mais de duas horas abordou três grandes eixos temáticos:
1. Desenho institucional da RESBit
Parlamentares e técnicos do BACEN discutiram como estruturar a governança da reserva, qual órgão teria atribuições de compra e custódia e como garantir transparência e relatórios periódicos ao Legislativo e à sociedade.
2. Impactos macroeconômicos
Houve debate sobre como a introdução do Bitcoin poderia afetar a política monetária, a credibilidade do real e a comunicação com investidores internacionais. Os riscos de volatilidade também foram destacados, especialmente em momentos de crise.
3. Questões operacionais e de custódia
O armazenamento seguro de Bitcoin em nível estatal foi apontado como um dos maiores desafios. A criação de infraestrutura digital robusta, com sistemas de segurança de última geração, foi considerada indispensável.
Argumentos favoráveis à criação da RESBit

Diversos participantes defenderam a proposta, apontando potenciais benefícios para o país.
Diversificação das reservas
Assim como os bancos centrais já diversificam suas reservas entre moedas estrangeiras, ouro e títulos, incluir o Bitcoin poderia reduzir a dependência exclusiva do dólar e do euro.
Proteção contra riscos geopolíticos
Em um cenário global marcado por tensões diplomáticas e sanções econômicas, ativos digitais descentralizados podem funcionar como alternativa estratégica.
Incentivo à inovação
A presença do Bitcoin nas reservas poderia estimular o ecossistema de blockchain no Brasil, atraindo empresas e investimentos em tecnologia.
Suporte ao Drex e à tokenização
Alguns especialistas apontaram que a RESBit poderia servir como lastro indireto para projetos de tokenização e para a futura moeda digital brasileira.
As ressalvas e críticas levantadas
Nem todos os presentes concordaram com a ideia de incluir Bitcoin nas reservas. Entre os pontos de atenção destacados estiveram:
Volatilidade do Bitcoin
O preço do ativo sofre variações intensas em curtos períodos, o que poderia gerar riscos para a estabilidade das reservas.
Compatibilidade com a política monetária
Há dúvidas sobre como integrar um ativo altamente volátil dentro de um sistema que preza pela previsibilidade e credibilidade da moeda nacional.
Custos de segurança e custódia
Manter Bitcoins em escala estatal exige infraestrutura de segurança cibernética sofisticada, o que traria custos adicionais.
Definição de critérios claros
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+311 mil seguidores
Especialistas cobraram regras transparentes sobre como e quando o Banco Central compraria ou venderia Bitcoin, para evitar dúvidas sobre interferência política ou má gestão.
Relação com o Drex e a tokenização
O Drex, moeda digital de banco central (CBDC) brasileira, está em fase de testes piloto. A expectativa é que a primeira versão seja lançada em 2026, inicialmente voltada para serviços internos do sistema financeiro.
Conexão com a RESBit
Defensores da proposta afirmam que uma reserva estratégica de Bitcoin poderia dar suporte indireto ao Drex, criando um estoque digital que ajudaria em operações futuras de tokenização e liquidez.
Experiência internacional
Embora nenhum grande país tenha implementado oficialmente uma reserva em Bitcoin, algumas economias emergentes já estudam a possibilidade. El Salvador, por exemplo, adotou o Bitcoin como moeda legal em 2021 e mantém reservas em BTC, servindo como exemplo de política experimental.
O impacto para investidores e para o mercado
Reflexos no varejo
Para o investidor pessoa física, debates como este costumam aumentar a visibilidade do Bitcoin e estimular estratégias de investimento. Ferramentas como o copy trading — prática de replicar carteiras de traders experientes — ganharam destaque nas conversas.
Educação financeira em pauta
Participantes da audiência reforçaram que iniciativas desse porte devem vir acompanhadas de programas de educação financeira para orientar investidores iniciantes e reduzir riscos.
O caminho da tramitação no Congresso
O projeto ainda precisa passar por diversas etapas antes de ser votado em Plenário. A CDE pode solicitar notas técnicas adicionais, abrir prazos para emendas e deliberar sobre novos requerimentos.
Após essa fase, a proposta seguirá para outras comissões temáticas e só depois poderá ser levada à votação final. Até lá, o debate deve permanecer em evidência, especialmente diante da turbulência política recente em Brasília, que tem afetado o andamento de pautas econômicas.
Considerações finais

A criação da Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit) coloca o Brasil no centro de um debate global sobre o papel dos ativos digitais nas economias nacionais.
De um lado, defensores veem na proposta uma oportunidade de diversificação, inovação e proteção contra riscos externos. De outro, críticos alertam para a volatilidade, os custos de custódia e os desafios de governança.
Independentemente do desfecho, o fato de a Câmara ter reunido Banco Central, Tesouro Nacional, entidades financeiras e representantes do setor cripto já demonstra que o tema entrou de vez no radar da política econômica brasileira.
