O Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT) anunciou novas restrições a voos mexicanos para o país. A medida foi motivada pela acusação de que o México violou o acordo bilateral de céus abertos, em vigor desde 2022, ao transferir operações de carga do aeroporto internacional da Cidade do México (MEX) para o mais afastado aeroporto Felipe Ángeles (AIFA), dificultando a operação de companhias aéreas americanas como FedEx e UPS.
EUA limitam voos do México e colocam em risco acordo com companhia Delta
Estados Unidos impõem novas regras aos voos do México, exigem aprovação prévia e ameaçam romper parceria Delta-Aeroméxico.
A decisão ocorre em meio à crescente tensão diplomática e pode ter reflexos significativos sobre rotas aéreas, turismo, carga internacional e relações comerciais entre os dois países.

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Mudança obriga aprovação prévia para voos mexicanos
Controle mais rígido das operações
A partir de agora, todas as companhias aéreas mexicanas — sejam de passageiros, carga ou fretadas — deverão submeter seus cronogramas de voo ao DOT para aprovação antecipada. Essa exigência valerá até que o México reverta as mudanças consideradas discriminatórias, especialmente a realocação forçada de empresas do MEX para o AIFA.
Segundo o governo americano, a mudança desrespeitou o espírito do acordo bilateral, prejudicando empresas americanas em benefício de operadoras mexicanas e da infraestrutura recém-ampliada do novo aeroporto.
Delta e Aeroméxico correm risco de perder imunidade antitruste
Aliança estratégica pode ser desfeita
Outro ponto crítico do anúncio envolve a possível revogação da imunidade antitruste da joint venture entre a Delta Air Lines e a Aeroméxico, estabelecida em 2016. Essa aliança permite que ambas operem de forma integrada, com compartilhamento de lucros, tarifas coordenadas e planejamento conjunto.
Se a imunidade for retirada, a parceria enfrentará obstáculos regulatórios e poderá ser dissolvida, afetando diretamente 20 rotas bilaterais e gerando um impacto estimado de até US$ 800 milhões em benefícios econômicos, segundo analistas.
Impactos diretos no comércio e na conectividade aérea
Redução de voos e aumento de custos
Com as novas regras, a aviação mexicana enfrenta o risco de ter menos voos autorizados, especialmente em rotas comerciais de alto fluxo entre os dois países. Isso pode reduzir a disponibilidade de voos diretos, afetando passageiros e encarecendo o transporte de cargas.
A transferência de linhas de carga para o AIFA tem sido apontada como um dos maiores problemas. Além da localização afastada do centro de logística da Cidade do México, o aeroporto ainda apresenta limitações estruturais que aumentam os custos operacionais, prejudicando o desempenho competitivo de empresas americanas.
Reações no México e questionamento da medida
Governo mexicano busca diálogo
A presidente Claudia Sheinbaum reagiu afirmando que o México ainda não foi formalmente notificado pelas autoridades americanas e que as mudanças visam melhorar a segurança e reduzir a sobrecarga do aeroporto Benito Juárez.
Ela defendeu que as sanções são injustificadas e reforçou a intenção de manter o diálogo com Washington para evitar escalada de tensões. O governo mexicano tenta reequilibrar o cenário com base no acordo de céus abertos, que deveria garantir igualdade de tratamento a ambas as nações.
Setor aéreo mexicano pede cooperação
A Câmara Nacional de Aviação do México (Canaero) também se manifestou, defendendo a importância da cooperação bilateral para preservar a conectividade aérea e os laços comerciais. A entidade destacou que ações unilaterais podem gerar efeitos negativos em setores estratégicos, como turismo, exportações e integração regional.
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EUA miram revisão do USMCA em 2026
Disputa pode antecipar renegociações comerciais
Analistas apontam que as medidas impostas pelos EUA têm motivação além do setor aéreo. Para eles, o governo americano pode estar pressionando o México como parte de uma estratégia mais ampla para ganhar vantagem na renegociação do acordo comercial USMCA, previsto para ser revisado em 2026.
A aviação se torna, assim, uma peça tática num jogo diplomático maior, que envolve regras de concorrência, acesso a mercados e equilíbrio regulatório.
Calendário e próximos passos
Prazos e tramitações em curso
As companhias aéreas mexicanas devem enviar seus horários de voos ao DOT até o dia 29 de julho. Após esse prazo, apenas os voos aprovados previamente poderão operar nos Estados Unidos.
Já a proposta de retirada da imunidade antitruste da joint venture entre Delta e Aeroméxico está em tramitação e poderá entrar em vigor em outubro. Até lá, há espaço para recursos, negociações diplomáticas ou eventuais concessões bilaterais.
Conclusão

As restrições impostas pelos Estados Unidos refletem a crescente tensão geopolítica e comercial com o México no setor aéreo. A disputa revela uma tentativa americana de reafirmar sua posição regulatória e proteger seus interesses econômicos, ao mesmo tempo em que desafia compromissos multilaterais firmados em acordos como o de céus abertos.
O futuro da aliança Delta–Aeroméxico está em risco, e o comércio aéreo bilateral pode sofrer perdas significativas caso não haja entendimento. A resposta mexicana será fundamental para evitar maiores impactos e preservar a estabilidade da aviação entre os dois países. A revisão do USMCA em 2026 pode se tornar o ponto de inflexão para a redefinição desse equilíbrio.
