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Lucro líquido da Gol (GOLL4) no 1T25 é de R$ 1,37 bilhão, redução de 64% em 12 meses

Lucro da Gol (GOLL4) cai 64% no 1T25. Empresa enfrenta alta da dívida e aguarda aprovação de aumento de capital e plano de recuperação.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
GOL bolsa de valores

A Gol Linhas Aéreas (B3: GOLL4) divulgou nesta quinta-feira (15) os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025 (1T25). Apesar de um lucro líquido de R$ 1,37 bilhão, a companhia reportou uma redução expressiva de 63,7% em comparação ao mesmo período de 2024, quando havia registrado R$ 3,78 bilhões. Os números refletem os efeitos do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, variações cambiais e aumento das despesas operacionais.

A empresa está atualmente sob o regime do Chapter 11, mecanismo da legislação norte-americana que permite a reestruturação de dívidas com proteção judicial. O processo ainda está em andamento, com previsão de homologação final nas próximas semanas.

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Receita avança, mas margens encolhem

Avião da companhia aérea GOL decolando
Imagem: NurPhoto / Getty Images

Apesar da queda no lucro líquido, a receita líquida da companhia subiu 19,4%, atingindo R$ 5,62 bilhões no 1T25. A maior parte da receita (R$ 5,09 bilhões) veio do transporte de passageiros, enquanto R$ 529 milhões foram originados por transporte de cargas e outros serviços.

Ebitda quase estável, mas margem cai

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Gol ficou praticamente estável no comparativo anual, com leve queda de 0,2%, totalizando R$ 1,23 bilhão. No entanto, a margem Ebitda caiu de 26,3% para 22%, o que indica uma piora na eficiência operacional.

Em nota, a empresa destacou que o desempenho deve ser interpretado à luz de um ambiente macroeconômico adverso. “Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, com impacto cambial relevante, a GOL demonstrou resiliência e capacidade de adaptação”, afirmou a companhia no relatório divulgado ao mercado.


Despesas operacionais crescem 30%

Os custos e despesas operacionais totalizaram R$ 5,09 bilhões entre janeiro e março, um aumento expressivo de 30,4% frente aos R$ 3,9 bilhões do 1T24. A alta nos gastos está relacionada à variação cambial, à alta do petróleo e ao esforço para manter a operação ativa durante o processo de reestruturação.

Dívida explode e chega a R$ 33,2 bilhões

Outro ponto de atenção é a dívida bruta total, que disparou 40% no período de um ano, atingindo R$ 33,2 bilhões. Esse aumento é atribuído principalmente à desvalorização do real e ao financiamento obtido com o chamado DIP Loan (Debtor-in-Possession), utilizado por empresas em recuperação judicial para manterem suas operações.


Aumento de capital bilionário está em curso

Avião da empresa Gol voando no céu.
Imagem: ajuangon / shutterstock.com

No dia 9 de maio, a Gol anunciou ao mercado a aprovação de um plano de aumento de capital que pode chegar a R$ 19,25 bilhões. A proposta foi endossada pelo conselho de administração e será levada à votação dos acionistas em assembleia geral extraordinária marcada para 30 de maio.

Emissão bilionária de ações

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O plano prevê a emissão de até 13,1 trilhões de ações ordinárias, com preço unitário de apenas R$ 0,0002857142. Já para ações preferenciais, a previsão é de até 1,5 trilhão de papéis, com valor de R$ 0,01 por ação. A movimentação tem como objetivo reforçar o caixa da companhia e garantir a execução do plano de reestruturação.

A efetivação do aumento de capital depende ainda da confirmação do plano de recuperação pelo tribunal responsável pelo Chapter 11, o que deve ocorrer até o final de maio. A Gol também informou que a data de verificação da eficácia do plano está prevista para a primeira quinzena de junho.


Perspectivas: Gol mira estabilidade após turbulências

Apesar dos números preocupantes, a Gol aposta em uma trajetória de recuperação nos próximos trimestres. A empresa tem promovido ajustes na malha aérea, renegociado contratos de leasing e trabalhado na otimização da frota como parte de sua estratégia para reequilibrar as finanças.

O mercado, no entanto, permanece cauteloso.

Analistas destacam que, embora a empresa tenha conseguido manter a operação em meio à turbulência financeira, os desafios ainda são significativos. A dependência do dólar, o cenário volátil do setor aéreo e a necessidade de reconquistar a confiança dos investidores são fatores que continuarão no radar.

Imagem: Matheus Obst / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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