A Revolut, uma das maiores fintechs da Europa, está em plena aceleração de sua operação na América Latina e, em especial, no Brasil. Fundada em Londres em 2015, a empresa tem se destacado por sua oferta global de serviços financeiros digitais e, agora, mira diretamente os neobancos brasileiros, como o Nubank, ao se aproximar de seu valuation e ampliar sua base de usuários na região.
A movimentação da Revolut ocorre em um momento estratégico. A empresa negocia uma nova rodada de investimentos que pode elevar seu valor de mercado para até US$ 75 bilhões, superando os US$ 63 bilhões do Nubank. Com essa capitalização, a fintech reforça sua posição no cenário internacional e dá sinais de preparação para um futuro IPO.
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Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, o país foi escolhido como prioridade para o lançamento de soluções já testadas no exterior. A operação brasileira começou discretamente há dois anos, com a oferta de uma conta multimoedas. No entanto, foi em abril de 2025 que a fintech deu um passo importante ao lançar o cartão de débito e a conta remunerada em reais.
Nos próximos meses, a Revolut pretende estrear sua plataforma de investimentos, com ativos listados na bolsa americana, fundos de índice (ETFs) e opções de money market funds – fundos de renda fixa de curto prazo. Os primeiros testes com usuários já estão em curso. A seguir, devem ser incorporadas opções de investimento na Europa e Ásia.
“Queremos transformar o Brasil em um dos 10 maiores mercados da Revolut no curto prazo”, afirma Mota, ao destacar o potencial do país e a demanda reprimida por serviços financeiros digitais eficientes.
Competição com o Nubank
Valuation crescente e menor base de usuários
Ainda que a base de clientes da Revolut (52,5 milhões até o fim de 2024) seja menos da metade da do Nubank (114 milhões), o valuation da fintech inglesa já rivaliza com o do neobanco brasileiro. Segundo relatório do BTG Pactual, os múltiplos da Revolut giram em torno de 21,8 vezes o valor patrimonial, contra 8,4 vezes do Nubank, um indicador da confiança do mercado em seu modelo de negócios e potencial de crescimento.
A rentabilidade também é um diferencial. A Revolut encerrou 2024 com um lucro líquido de US$ 1 bilhão, o que reforça sua capacidade de expansão sem depender exclusivamente de capital externo.
A nova rodada de financiamento, que pode levantar até US$ 1 bilhão, terá uma tranche primária (captação de novos recursos) e outra secundária (liquidez para investidores atuais), segundo fontes próximas às negociações.
Avanço regional na América Latina
Revolut – Imagem: Ascannio/shutterstock.com
Presença já se consolida em México, Argentina e Colômbia
Além do Brasil, a Revolut tem acelerado sua atuação em outros países da América Latina. Em junho deste ano, a fintech anunciou a compra da Cetelem na Argentina, anteriormente controlada pelo BNP Paribas. No México, obteve recentemente a licença bancária, e também anunciou a entrada no mercado colombiano.
“A América Latina tem uma população grande e ainda é pouco atendida em termos de serviços financeiros digitais. Vemos aqui uma oportunidade semelhante à que encontramos na Europa anos atrás”, explica o CEO brasileiro.
Estratégia nacional e cautela com o crédito
Crescimento orgânico e foco na base digital
No Brasil, a Revolut atua atualmente com a licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que lhe permite operar serviços financeiros de forma digital. O plano, no entanto, é solicitar a licença bancária para ter uma atuação completa no país.
Uma das metas para 2025 é lançar o cartão de crédito premium, complementando o plano básico já oferecido para parte dos clientes. Mas o avanço no setor de crédito será cuidadoso, afirma Mota, devido à complexidade regulatória e riscos do mercado brasileiro.
Outro desafio recente foi a necessidade de adaptação ao novo aumento do IOF sobre remessas internacionais, anunciado pelo governo em junho. A alíquota passou de 1,1% para 3,5%. Mesmo assim, a fintech continua apostando na conta global, destacando que utiliza o dólar comercial (com cotação inferior ao dólar turismo) e oferece spreads reduzidos, na faixa de 0,6%, o que ainda pode representar economia para o cliente.
Próximos passos: Revolut Business no radar
Soluções para empresas devem chegar em 2026
Pensando além do consumidor final, a fintech já planeja trazer ao Brasil, a partir de 2026, a plataforma Revolut Business, voltada para pequenas e médias empresas. A solução já é oferecida com sucesso na Europa e inclui funcionalidades como contas corporativas, pagamentos internacionais e gestão financeira automatizada.
“Vejo o mercado B2B como um oceano azul no Brasil. Há uma demanda reprimida por soluções financeiras modernas para empresas, especialmente entre os pequenos empreendedores”, afirma Mota.
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.