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Ricos frequentam mais o atacarejo do que os mais pobres, aponta pesquisa

Estudo revela que as classes A e B frequentam mais o atacarejo no Brasil que as classes de menor renda. Descubra o motivo dessa diferença.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Ricos frequentam mais o atacarejo do que os mais pobres, aponta pesquisa

O atacarejo, que combina o atacado e o varejo, tornou-se um canal de compra essencial para diversas faixas de renda no Brasil. No entanto, uma pesquisa recente da NielsenIQ (NIQ) revela que as classes de maior renda frequentam mais esse tipo de loja do que as camadas de renda mais baixas.

Segundo o levantamento, 75% dos consumidores das classes A e B visitaram o atacarejo no último ano, em comparação com 63% das classes C, D e E.

Essa discrepância entre os diferentes perfis socioeconômicos revela nuances interessantes sobre o comportamento de consumo no Brasil e sugere que o atacarejo, tradicionalmente associado às classes mais baixas, está se consolidando como uma opção vantajosa também para os mais ricos.

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Por que as classes mais altas frequentam mais o atacarejo?

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A pesquisa da NIQ aponta que o fato de as lojas de atacarejo estarem localizadas fora dos grandes centros urbanos pode influenciar esses números. As áreas onde essas lojas se encontram possuem um custo menor de locação, o que permite ao setor atacadista se expandir.

Entretanto, essa localização fora das áreas centrais exige que os consumidores tenham acesso a meios de transporte e maior planejamento, o que favorece as classes de maior renda.

Além disso, o alto volume de produtos adquiridos nas compras em atacarejo também atrai consumidores com maior poder aquisitivo, uma vez que eles têm mais capacidade de gastar em grandes quantidades, obtendo economia em longo prazo.

Com preços que variam entre 10% e 15% abaixo dos supermercados tradicionais, o atacarejo se torna uma opção estratégica para quem busca economizar, independentemente da faixa de renda.

Impacto das novas lojas nas capitais

Nos últimos anos, grandes redes de atacarejo, como Assaí e Atacadão, expandiram suas operações para capitais, aproximando-se de diferentes públicos.

Essa estratégia, embora encareça os custos operacionais, trouxe o atacarejo para o cotidiano de mais consumidores, principalmente das classes mais altas. Ao se estabelecer em áreas urbanas, essas lojas atraem um público diversificado, que vê o atacarejo como uma maneira de otimizar suas compras.

Mudanças no comportamento de consumo das classes de menor renda

Embora as classes A e B dominem as compras em atacarejo, a pesquisa da NIQ revela um crescimento significativo da participação das classes C, D e E nesse canal de compra. Em março de 2022, 51% dos consumidores dessas faixas de renda frequentavam o atacarejo; um ano depois, esse número subiu para 56,6%.

Até março de 2024, essa taxa atingiu 63%, mostrando um aumento progressivo no interesse das camadas de menor renda.

Este crescimento reflete a evolução da percepção do atacarejo como um canal de economia acessível. Ainda assim, as barreiras logísticas e financeiras, como a necessidade de transporte para áreas mais distantes e o alto desembolso inicial, continuam sendo desafios para os consumidores de menor poder aquisitivo.

Potencial de crescimento nas classes mais baixas

A pesquisa da NIQ também aponta que, embora as classes mais baixas estejam frequentando mais o atacarejo, ainda existe um grande potencial inexplorado.

Segundo o relatório “Tropicalizar para Crescer”, que analisou o consumo de camadas de baixa renda em países como Brasil, México, Colômbia e Chile, existe um mercado de US$ 358 bilhões em renda total a ser explorado nas classes C, D e E.

Essa população, mesmo com menor poder aquisitivo, tem demonstrado interesse em produtos de marcas de alto valor. Aproximadamente 14% dos gastos dessas classes estão alocados em marcas premium, contra 20% do total geral de consumidores.

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Isso indica um potencial de crescimento para empresas que queiram atrair consumidores de menor renda com produtos de qualidade e preços competitivos.

Evolução do consumo após a pandemia

Mulher parada em frente a prateleira de supermercado vendo o desconto de um produto
Imagem: Ground Picture/shutterstock.com

A pesquisa também avaliou o comportamento de consumo das classes mais baixas após a pandemia. Segundo Gabriel Fagundes, diretor de insights da NIQ, a estabilidade econômica recente permitiu uma recuperação da demanda, com mais pessoas voltando a consumir produtos de marcas mais caras.

Esse crescimento é notável em diversas categorias de produtos, mostrando que, à medida que a economia se estabiliza, o consumo também se diversifica.

Estratégias das marcas premium para alcançar classes mais baixas

Marcas de alto valor têm utilizado estratégias para penetrar no mercado de menor renda. Uma dessas táticas é a criação de linhas de produtos com embalagens menores, tornando o preço final mais acessível.

Além disso, algumas marcas se posicionam como referência em categorias específicas, como temperos e ervas, conquistando consumidores de classes mais baixas mesmo com preços acima da média.

O atacarejo no Brasil, embora tradicionalmente associado às classes de menor renda, tem atraído cada vez mais consumidores das faixas A e B. Ao mesmo tempo, o aumento da participação das classes C, D e E nesse canal de venda indica que existe um potencial inexplorado para o crescimento do setor entre as camadas mais pobres.

Com uma oferta cada vez mais diversificada e estratégias de marcas para alcançar públicos de diferentes rendas, o atacarejo deve continuar a se expandir, conquistando novos perfis de consumidores.

Imagem: Hitra / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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