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861 mil cariocas livres do Imposto de Renda: quem para de pagar o IR no RJ com a nova lei

Nova lei isenta quem ganha até R$ 5 mil no RJ e concede descontos até R$ 7.350. Medida dobra número de isentos e altera regras do IR em 2026.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
ir imposto de renda

A sanção da nova lei do Imposto de Renda, assinada pelo presidente Lula (PT) nesta quarta-feira (26), representa uma das maiores mudanças tributárias recentes e deve transformar a realidade de milhares de trabalhadores fluminenses. A partir de 2026, quase 900 mil pessoas no Rio de Janeiro deixarão de pagar o imposto, graças à criação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

Além disso, a mudança também prevê descontos progressivos para rendimentos de até R$ 7.350, ampliando o alcance da reforma e reajustando a carga tributária de forma a privilegiar a renda baixa e média — ao mesmo tempo em que reforça a tributação para brasileiros de alta renda.

Segundo dados do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (CETAD), as mudanças devem afetar cerca de 1,32 milhão de contribuintes no Rio. Destes, 861.093 trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês passarão a ser completamente isentos, enquanto outros 463.347 — com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350 — terão reduções progressivas do imposto devido.

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Impacto direto no Rio de Janeiro

Quem será beneficiado

O Rio de Janeiro tem atualmente cerca de 1,33 milhão de contribuintes que já não pagam Imposto de Renda por enquadrarem-se na faixa de isenção antiga.

Com a ampliação promovida pela nova lei, esse número deve praticamente dobrar, chegando a 2,19 milhões de pessoas isentas do IR já a partir da declaração referente ao ano-base 2025.

Cenário atual das isenções

  • 1,33 milhão de contribuintes já não pagam IR no estado.
  • Com a nova faixa de isenção: 2,19 milhões ficarão totalmente isentos.
  • Crescimento de quase 900 mil isenções adicionais.

Esse aumento expressivo reforça o impacto social esperado pela nova política tributária. Para muitas famílias, especialmente aquelas situadas entre as classes C e D, a isenção significa mais dinheiro disponível no orçamento mensal, com possibilidade de quitação de dívidas, investimentos e melhoria da qualidade de vida.

Faixa de descontos até R$ 7.350

Além da isenção total até os R$ 5 mil, a lei estabelece um regime de descontos para trabalhadores com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 7.350. A lógica da tabela é reduzir de forma gradual a alíquota efetiva, diminuindo o imposto devido e evitando saltos abruptos na carga tributária entre faixas.

Benefícios principais para essa faixa:

  • Redução efetiva da alíquota;
  • Transição mais suave entre as categorias de renda;
  • Proteção ao trabalhador que ultrapassa a linha dos R$ 5 mil, mas ainda não integra o público de alta renda.

Esse modelo progressivo atende à reivindicação antiga de especialistas em tributação, que frequentemente criticavam o “degrau” entre faixas de renda como um fator que penalizava quem recebia aumentos modestos.

Promessa de campanha e aprovação no Congresso

Histórico da proposta

Isentar trabalhadores que ganham até R$ 5 mil foi uma promessa feita pelo presidente Lula nas eleições de 2022. Em março de 2025, o governo enviou oficialmente ao Congresso a proposta de reformulação da tabela do Imposto de Renda, que foi aprovada de maneira célere.

Linha do tempo da medida

  • Março de 2025: Proposta enviada ao Congresso.
  • Início de novembro de 2025: Senado aprova por unanimidade.
  • 26 de novembro de 2025: Presidente sanciona a lei.

A aprovação por unanimidade no Senado sinaliza um raro consenso político sobre a necessidade de modernização da estrutura tributária brasileira, defasada há anos pela inflação e por mudanças no mercado de trabalho.

Como ficará o imposto para quem tem alta renda

Regras para rendimentos acima de R$ 600 mil

Para compensar a redução da arrecadação decorrente da ampliação da isenção e dos descontos, o governo incluiu na lei um aumento da carga tributária para contribuintes com renda anual superior a R$ 600 mil — cerca de R$ 50 mil mensais.

A cobrança é gradual, podendo chegar a uma alíquota máxima de 10% sobre rendimentos considerados de alta renda. O governo afirma que essa estrutura mantém o equilíbrio fiscal e promove maior justiça tributária, aumentando a contribuição proporcional de quem possui maior capacidade econômica.

Quem será impactado

  • Profissionais liberais de alto rendimento;
  • Executivos com remuneração variável elevada;
  • Investidores com renda anual alta;
  • Contribuintes que já pagam alíquotas iguais ou superiores a 10% não terão mudança significativa.

A política foi desenhada para não penalizar a classe média e preservar a capacidade de arrecadação do Estado, mantendo o foco na progressividade.

Como calcular o quanto você deixará de pagar

Rendimento até R$ 5 mil

Quem recebe salário ou rendimentos mensais de até R$ 5 mil ficará automaticamente isento. Na prática, isso significa que o contribuinte deixará de pagar qualquer valor de imposto mensal ou no ajuste anual.

Exemplos práticos

  • Salário de R$ 4.800: deixa de pagar o imposto mensal, economizando de R$ 150 a R$ 300, dependendo das deduções.
  • Salário de R$ 3.200: mantém isenção, mas poderá perceber diferença maior no cálculo final do IR.

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Rendimento entre R$ 5 mil e R$ 7.350

Para essa faixa, haverá descontos proporcionais, que reduzem a alíquota efetiva e aliviam o valor final do imposto, mantendo uma transição equilibrada entre as faixas.

Exemplos de redução

  • R$ 5.200 mensais: redução significativa no IR descontado na fonte.
  • R$ 6 mil mensais: impacto moderado, mas vantajoso.
  • R$ 7.350 mensais: menor desconto, porém ainda positivo em relação às regras atuais.

Importância econômica e social da mudança

Aumento do poder de compra

Ao ampliar a faixa de isenção, o governo permite que milhões de brasileiros retenham parte maior de seus rendimentos, injetando mais recursos na economia local. No caso do Rio de Janeiro, onde o custo de vida é mais elevado do que em grande parte do país, esse retorno financeiro pode ajudar famílias a reorganizar as finanças e equilibrar o orçamento.

Impacto nas contas públicas

Apesar da renúncia fiscal decorrente das isenções e descontos, o governo afirma que o impacto será compensado pela tributação de altas rendas e pela ampliação da base de contribuintes formais ao longo dos próximos anos.

Benefícios esperados

  • Estímulo ao consumo;
  • Melhoria da arrecadação indireta;
  • Redução da desigualdade tributária;
  • Alinhamento às melhores práticas internacionais de progressividade.

Considerações finais

A nova regra do Imposto de Renda representa uma das mudanças mais robustas dos últimos anos, especialmente para quem vive no Rio de Janeiro.

Com quase 900 mil novos isentos e uma política de descontos que alivia a carga tributária do trabalhador de renda média, a medida atende ao compromisso de campanha do presidente Lula e responde a uma demanda antiga por mais justiça e progressividade no sistema tributário brasileiro.

Ao mesmo tempo, a compensação com maior tributação sobre altas rendas demonstra preocupação com o equilíbrio fiscal e com a responsabilidade na gestão das contas públicas.

A mudança deve moldar a relação do contribuinte com o imposto nos próximos anos, influenciando desde a formulação de políticas sociais até o comportamento econômico das famílias.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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