Em uma iniciativa inédita na segurança pública municipal, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira (6) a criação da Força Municipal, uma divisão de elite armada da Guarda Municipal. A medida, segundo o prefeito Eduardo Paes, tem como principal objetivo coibir roubos e furtos em locais públicos, como sinais, pontos de ônibus e áreas de grande circulação.
Nova Força Municipal terá foco em prevenção a roubos e furtos públicos
Prefeitura do Rio lança a Força Municipal, divisão armada da Guarda Municipal com foco em coibir roubos e furtos em locais públicos.
A força atuará de forma complementar às polícias Militar e Civil, mas sem envolvimento direto no enfrentamento ao crime organizado.
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Atuação da Força: foco no policiamento ostensivo e preventivo

Durante coletiva de imprensa no Centro de Operações Rio (COR), no Centro da cidade, Paes detalhou que a nova unidade vai desempenhar funções de policiamento ostensivo e preventivo, sem competência para investigações ou operações em áreas dominadas por facções criminosas ou milícias.
“O crime que mais afeta o carioca está na rua, no sinal, no ponto de ônibus, no caminho para a escola. A gente vai olhar para esse problema com essa Força Municipal”, destacou o prefeito, chamando o projeto de “novo modelo de policiamento”.
A força não poderá ser acionada por meio dos canais 190 (PM) e 1746 (serviços municipais), reforçando seu papel preventivo, e não reativo.
Reforço gradual: meta é chegar a 3 mil agentes até 2028
O edital para a seleção dos agentes foi publicado na última quarta-feira (4). O efetivo inicial será de 600 guardas municipais, divididos em duas turmas de 300 integrantes. A expectativa da Prefeitura é que a força chegue a 3 mil membros até o ano de 2028.
Cada agente passará por um treinamento rigoroso de seis meses, com capacitação contínua e específica para a nova função, incluindo manuseio de armamento, uso de câmeras corporais, táticas de abordagem e patrulhamento urbano.
O regime de trabalho será em escala 12×36, ou seja, 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Eduardo Paes enfatizou que os guardas da nova Força atuarão exclusivamente nessa função:
“A Força Municipal não é bico. Nós queremos que esse agente seja dedicado exclusivamente à função, por isso uma remuneração alta”, afirmou o prefeito.
Comando estratégico: nomes de peso à frente da nova força
O atual secretário municipal de Ordem Pública (Seop), Brenno Carnevale, delegado da Polícia Civil, assumirá o comando da divisão de elite, deixando o cargo na Seop. Em seu lugar, será nomeado o comandante Marcus Belchior, atual chefe-executivo do COR.
Carnevale informou que já está em andamento um grupo de trabalho para a aquisição de armamentos, coletes balísticos e câmeras corporais, embora os valores do investimento ainda não tenham sido divulgados.
Treinamento com apoio da PRF e consultoria internacional
O treinamento dos agentes contará com parceria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e será realizado em caráter armado. Além disso, será criada uma academia exclusiva para formação da Força Municipal, que também contará com consultoria de especialistas internacionais.
Um dos nomes confirmados na formação estratégica da Força é o da ex-comandante do Instituto de Segurança Pública (ISP), Joana Monteiro, que destacou:
“Vamos estruturar uma nova academia com tudo que há de mais avançado no mundo em termos de segurança urbana. A ideia é incorporar práticas internacionais de excelência.”
Início das atividades: previsão para 2026
A primeira turma de agentes aprovados iniciará o treinamento em setembro de 2025, com previsão de início das atividades no início de 2026. A segunda turma começa em novembro do mesmo ano.
Durante o lançamento da nova divisão, foram apresentados dados que embasam a necessidade da medida: em 2024, o Rio registrou 83.966 furtos e roubos de rua, média de 230 por dia. O dado mais preocupante é que 50% desses crimes ocorreram em apenas 5,3% do território da cidade.
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Ações prioritárias: Centro e áreas de grande circulação

Segundo o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, o plano de atuação foi desenhado com base em análises detalhadas da mancha criminal da cidade. A Força atuará em pontos críticos, com destaque para áreas do Centro da cidade como:
- Campo de Santana
- Entorno da Central do Brasil
- Uruguaiana
- Candelária
- Largo da Carioca
- Lapa e Avenida Mem de Sá
Esses locais concentram alto fluxo de pessoas e são alvos constantes de furtos e assaltos.
Segurança pública municipal: novo paradigma ou risco de sobreposição?
Especialistas da área de segurança pública avaliam a iniciativa como ousada e necessária, diante do crescimento da criminalidade de rua e da sensação de insegurança vivida pela população.
Contudo, há preocupações com sobreposição de funções e eventuais conflitos operacionais entre os novos agentes armados da Guarda Municipal e as forças estaduais de segurança. O governo municipal reforça que a Força Municipal não terá atribuições investigativas nem fará incursões em áreas conflagradas, respeitando os limites legais de sua atuação.
Conclusão
A criação da Força Municipal da Guarda Municipal do Rio representa uma aposta da Prefeitura na reorganização da segurança urbana, focada na proteção do cidadão comum nos espaços públicos. Se bem treinada, equipada e integrada às demais forças de segurança, pode se tornar um reforço relevante no combate à criminalidade cotidiana.
Contudo, o sucesso da medida dependerá da capacitação efetiva, da transparência na atuação, do controle de abusos e, principalmente, da cooperação com as polícias Militar e Civil para garantir que o Rio caminhe rumo a uma cidade mais segura.
Imagem: Anton Prado PHOTO/shutterstock.com

