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Sabesp prossegue com metas para quitar dívidas, e abaixa o risco com possíveis multas

À frente da Sabesp há quase um ano, Carlos Piani acelera metas e reduz riscos regulatórios, redesenhando o futuro da estatal paulista do saneamento.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Sabesp

Carlos Augusto Piani, faixa preta de judô, não é estranho aos embates difíceis — e isso tem feito toda a diferença no cenário do saneamento básico brasileiro. Após transformar operações complicadas no setor de energia por meio da Equatorial, Piani assumiu um dos maiores desafios de sua carreira: liderar a Sabesp em um momento decisivo de sua história, marcado pela meta ousada de universalizar os serviços e por um processo iminente de privatização.

Desde que chegou à presidência da Sabesp, há quase um ano, o executivo tem demonstrado um estilo de gestão pragmático e eficiente. A estatal paulista, uma das maiores companhias de saneamento do mundo, já começa a colher os frutos dessa nova abordagem. As metas têm sido cumpridas antes do previsto, e, talvez o mais simbólico: o risco de redução de tarifa, que preocupava investidores e o governo estadual, foi consideravelmente reduzido.

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O desafio de transformar uma gigante

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Histórico da Sabesp e o novo contexto

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário de 375 municípios paulistas. No entanto, por anos, a empresa enfrentou críticas relacionadas à eficiência operacional, ao investimento aquém do necessário para a universalização do saneamento e à burocracia típica de empresas estatais.

A chegada de Carlos Piani marca uma virada estratégica. Ele assumiu com a missão de preparar a companhia para sua maior transformação desde a fundação: a transição de estatal para empresa de capital privado, mantendo, no entanto, compromissos sociais e ambientais firmes com o Estado.

Um histórico de viradas bem-sucedidas

Antes de assumir a Sabesp, Piani ficou conhecido por transformar a Equatorial Energia. A empresa, que começou como uma pequena distribuidora no Maranhão, hoje é uma das gigantes do setor elétrico, com operações em diversos estados. A estratégia sempre foi clara: foco na eficiência operacional, metas agressivas e uma equipe técnica de excelência.

Avanços concretos em tempo recorde

Metas antecipadas e impacto nos indicadores

No primeiro ano de gestão de Piani, a Sabesp superou o cronograma de investimentos previsto no novo contrato de concessão com a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo). A companhia conseguiu acelerar projetos de expansão da rede de esgoto e ampliar o atendimento a regiões vulneráveis, especialmente nas periferias da capital paulista.

Um dos principais destaques foi a antecipação de metas de redução de perdas de água, que historicamente sempre estiveram entre os gargalos da empresa. O índice, que era de cerca de 35%, já caiu dois pontos percentuais — avanço que parecia distante até pouco tempo atrás.

Redução do risco de revisão tarifária

A antecipação de metas teve efeito imediato no risco regulatório da companhia. Um dos principais temores no mercado era que, ao não cumprir metas do contrato de concessão, a Sabesp fosse penalizada com uma redução da tarifa de água e esgoto.

Com os avanços comprovados e verificados por auditorias independentes, a perspectiva de revisão tarifária negativa perdeu força. Isso trouxe mais segurança para investidores, especialmente em um contexto de aproximação do leilão de privatização previsto para o segundo semestre de 2025.

O plano de privatização e seu impacto

Um projeto de grande escala

O plano de desestatização da Sabesp está entre os maiores da América Latina e deve movimentar bilhões de reais. Ele prevê a venda do controle acionário da companhia paulista, mantendo uma “golden share” com o Estado de São Paulo, que garante poder de veto sobre temas estratégicos.

O modelo segue o exemplo de outros processos bem-sucedidos, como o da Cedae (RJ), mas com uma diferença importante: na Sabesp, a empresa toda será vendida, e não apenas seus blocos regionais. Isso exige uma preparação ainda mais robusta para garantir que a nova companhia mantenha os compromissos de universalização até 2033, conforme estipulado pelo marco legal do saneamento.

Preparação interna e atratividade para o investidor

Desde que assumiu, Piani tem focado em tornar a Sabesp mais atraente para o investidor privado. Isso inclui racionalização de custos, digitalização de processos e, principalmente, o cumprimento de metas contratuais, que serão essenciais para a precificação da empresa no leilão.

A meta é ousada: alcançar R$ 67 bilhões em valor de mercado até o final do processo de privatização. Para isso, além da eficiência operacional, será necessário apoio político e transparência regulatória.

Resistência política e apoio técnico

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Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Debate público e embates com sindicatos

A privatização da Sabesp enfrenta resistências, sobretudo de sindicatos, servidores públicos e movimentos populares que temem aumento de tarifas e precarização dos serviços. Piani tem adotado uma postura de diálogo, mas firmeza nas metas e no cronograma estabelecido.

A proposta do governo paulista é reinvestir os recursos da privatização em saneamento nos municípios, especialmente nas regiões mais carentes do estado. Para isso, já foi criado o Fundo de Universalização do Saneamento, que funcionará como um colchão de segurança para garantir que metas sociais sejam mantidas mesmo sob controle privado.

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Se por um lado há resistência política, por outro, o mercado vê com bons olhos a gestão de Carlos Piani. Seu histórico inspira confiança entre investidores institucionais, e o desempenho da Sabesp na B3 tem refletido essa percepção: as ações subiram mais de 30% nos últimos doze meses.

Agências de classificação de risco, como Moody’s e Fitch, também revisaram para cima a perspectiva da empresa, citando a melhora da governança, o avanço nos indicadores operacionais e a previsibilidade regulatória.

Desafios à frente

Cumprir a universalização até 2033

Mesmo com os avanços recentes, a meta de universalizar o atendimento de água e esgoto em todo o estado de São Paulo até 2033 é ambiciosa. Serão necessários mais de R$ 50 bilhões em investimentos, grande parte deles dependente da alavancagem privada pós-privatização.

Além disso, será preciso lidar com regiões onde o retorno financeiro do investimento é mais lento, como zonas rurais e periferias de baixa densidade populacional. O novo contrato prevê mecanismos de compensação cruzada para garantir a sustentabilidade do modelo.

Manter qualidade e tarifa acessível

Outro desafio relevante será equilibrar a rentabilidade da nova Sabesp com a manutenção de tarifas acessíveis. A proposta prevê a criação de um comitê regulador com participação da sociedade civil, voltado ao acompanhamento do cumprimento das metas sociais e ambientais.

Carlos Piani defende que a combinação de gestão técnica, metas claras e regulação bem desenhada é capaz de entregar um serviço de qualidade sem onerar o consumidor.

O legado de um gestor obstinado

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Imagem: spider_mani / Unsplash

A gestão de Carlos Piani na Sabesp ainda está em curso, mas já começa a deixar marcas profundas. Em menos de um ano, a empresa avançou em metas que estavam estagnadas há décadas, reduziu o risco de penalidades regulatórias e ganhou musculatura para encarar o maior processo de privatização do país em 2025.

O judoca de formação mostrou, mais uma vez, que sabe aplicar no mundo corporativo os princípios do tatame: disciplina, estratégia e precisão. E, ao que tudo indica, está apenas no início da luta.

Conclusão

A atuação de Carlos Piani na presidência da Sabesp representa uma guinada decisiva na história da companhia. Em menos de um ano, o executivo trouxe agilidade, foco em metas e redução de riscos regulatórios, preparando a empresa para uma das maiores privatizações do setor de infraestrutura da América Latina. Se o ritmo for mantido, a estatal paulista pode se tornar um novo exemplo de como gestão técnica e compromisso social podem caminhar juntos em direção à universalização do saneamento no Brasil.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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