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Bancos em 2027: Safra reduz recomendações para três gigantes e aposta no Nubank

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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O Banco Safra revisou suas recomendações para as ações dos principais bancos brasileiros diante da perspectiva de um ciclo de crédito mais difícil em 2027. A instituição reduziu a avaliação de Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) para neutra e passou a recomendar a venda dos papéis do Banco do Brasil (BBAS3).

A mudança reflete o aumento das preocupações com a economia brasileira, especialmente diante do risco de recessão, da manutenção de juros elevados e da possibilidade de crescimento da inadimplência. Na avaliação dos analistas, os bancos tradicionais podem enfrentar mais dificuldades para expandir suas carteiras e preservar a rentabilidade.

Na contramão desse movimento, o Nubank (NU) continua sendo a principal preferência do Safra no setor, com recomendação de compra. O Inter (INBR32), por sua vez, permanece com indicação neutra.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A revisão das recomendações está relacionada à expectativa de um ambiente econômico menos favorável em 2027. O Safra considera que a combinação de juros elevados por mais tempo e desaceleração da atividade pode reduzir a procura por empréstimos e dificultar o pagamento das dívidas por famílias e empresas.

Esse movimento afeta os bancos de duas maneiras. Primeiro, a menor demanda limita o crescimento das carteiras de crédito. Depois, o aumento dos atrasos e dos calotes exige mais recursos para cobrir possíveis perdas, pressionando os resultados das instituições.

Outro fator que entrou no radar é o encerramento dos períodos de carência de empréstimos concedidos a pequenas e médias empresas com apoio de programas governamentais. Com a retomada das obrigações financeiras, empresas que ainda enfrentam dificuldades podem apresentar problemas para manter os pagamentos em dia.

Para os bancos, isso representa a possibilidade de aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD), reservas financeiras destinadas a absorver perdas com operações de crédito.

Risco de recessão em 2027 muda projeções para o setor

A possibilidade de uma recessão no Brasil em 2027 levou o Safra a adotar premissas mais conservadoras para avaliar as instituições financeiras. O banco revisou as estimativas de lucro e elevou as taxas de desconto utilizadas em seus modelos de avaliação.

Na prática, taxas de desconto mais altas reduzem o valor presente dos resultados futuros das empresas. Isso pode diminuir o preço considerado justo para uma ação, mesmo quando a instituição continua apresentando lucro e mantém uma operação relevante.

A preocupação também envolve a margem financeira, que representa a diferença entre as receitas obtidas com operações financeiras e os custos associados à captação de recursos. Em um ambiente de crédito mais restrito e maior inadimplência, preservar essa margem pode se tornar mais difícil.

O Safra também considera que os bancos terão menos espaço para compensar o aumento das despesas com crédito por meio do crescimento das receitas.

Itaú e Bradesco perdem recomendação de compra

O Itaú Unibanco e o Bradesco tiveram suas recomendações reduzidas para neutra. A mudança indica que, na avaliação do Safra, os papéis apresentam um potencial de valorização menos atrativo diante dos riscos projetados para o próximo ciclo econômico.

No caso do Itaú (ITUB4), o preço-alvo foi reduzido de R$ 51 para R$ 47 por ação. Para o Bradesco (BBDC4), a estimativa caiu de R$ 22 para R$ 17.

As duas instituições possuem operações consolidadas, ampla presença no mercado brasileiro e capacidade de atender diferentes perfis de clientes. Entretanto, essas características não eliminam os efeitos de uma eventual desaceleração econômica sobre a concessão de crédito e a rentabilidade.

A revisão não significa que os bancos estejam necessariamente diante de uma crise financeira. O entendimento do Safra é que, considerando as novas premissas econômicas, o potencial de retorno das ações deixou de justificar uma recomendação mais otimista.

Banco do Brasil passa a ter recomendação de venda

O Banco do Brasil (BBAS3) recebeu a revisão mais negativa entre as três instituições tradicionais analisadas. O Safra mudou a recomendação de neutra para venda e reduziu o preço-alvo dos papéis de R$ 26 para R$ 19.

A avaliação considera a exposição da instituição aos riscos de deterioração da carteira de crédito e ao aumento das despesas com provisões. Em um cenário de atividade econômica mais fraca, segmentos mais sensíveis às condições financeiras podem apresentar dificuldades adicionais.

A perspectiva de maior inadimplência também pode comprometer parte dos resultados futuros, especialmente se o banco precisar ampliar as reservas para cobrir operações com maior probabilidade de não pagamento.

A recomendação de venda representa uma avaliação desfavorável da relação entre risco e retorno das ações. Não significa, porém, que o Safra esteja prevendo insolvência ou interrupção das atividades do Banco do Brasil.

Nubank segue como principal aposta do Safra

Enquanto os bancos tradicionais enfrentam uma avaliação mais cautelosa, o Nubank (NU) continua sendo a principal escolha do Safra entre as instituições analisadas. A justificativa está na capacidade de relacionamento com os clientes, na estrutura de concessão de crédito e na expectativa de maior resiliência diante de um cenário econômico desfavorável.

O banco projeta retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo de 29% em 2027. O indicador mede quanto uma instituição consegue gerar de lucro em relação ao capital próprio investido e é utilizado para avaliar sua eficiência e rentabilidade.

As estimativas também apontam lucro líquido de R$ 25,4 bilhões em 2027 e R$ 31,2 bilhões em 2028. Embora os números estejam abaixo das projeções do consenso de mercado, o Safra considera que a instituição mantém perspectivas de crescimento diferenciadas.

A avaliação favorável, entretanto, não significa ausência de riscos. O preço-alvo do Nubank foi reduzido de US$ 19 para US$ 15 por ação, refletindo as condições mais desafiadoras para o setor financeiro e para o mercado de tecnologia.

Outro ponto acompanhado pelos analistas é a expansão internacional. O México aparece como uma oportunidade de crescimento, especialmente após o avanço do processo de obtenção de licença bancária no país. A autorização pode permitir a ampliação da oferta de produtos financeiros e fortalecer o relacionamento com os clientes mexicanos.

Inter permanece com recomendação neutra

O Inter (INBR32) também teve suas perspectivas revistas, mas o Safra decidiu manter a recomendação neutra para a instituição. A análise considera que a combinação de desaceleração econômica e maior risco de crédito pode limitar o crescimento da carteira e dificultar a evolução dos resultados.

A projeção aponta expansão de 9% da carteira de crédito em 2027. O retorno sobre o patrimônio líquido deve ficar próximo de 15%, enquanto o lucro líquido estimado é de R$ 1,75 bilhão.

Esse resultado representa aproximadamente 17% menos do que o consenso de mercado, segundo as estimativas consideradas pelo Safra. A instituição também reduziu o preço-alvo do Inter de US$ 7 para US$ 5.

Um dos principais pontos de atenção é a rentabilidade projetada, que permanece abaixo do custo de capital próprio. Em termos simples, isso significa que o retorno esperado do banco ainda não seria suficiente para remunerar adequadamente o capital utilizado em suas operações, segundo o modelo de avaliação dos analistas.

Veja como ficaram as recomendações do Safra para os bancos

A atualização mostra uma divisão mais clara entre as instituições consideradas mais preparadas para enfrentar um ciclo econômico desfavorável e aquelas que podem sofrer maior pressão sobre os resultados.

BancoTickerRecomendação
NubankNUCompra
InterINBR32Neutra
Itaú UnibancoITUB4Neutra
BradescoBBDC4Neutra
Banco do BrasilBBAS3Venda

Os preços-alvo também foram revisados:

BancoPreço-alvo anteriorNovo preço-alvo
ItaúR$ 51R$ 47
BradescoR$ 22R$ 17
Banco do BrasilR$ 26R$ 19
NubankUS$ 19US$ 15
InterUS$ 7US$ 5

O que pode acontecer com as ações dos bancos em 2027?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O desempenho das ações bancárias dependerá de fatores como inflação, juros, crescimento econômico e capacidade de pagamento dos clientes. O aumento da inadimplência e a menor procura por crédito podem pressionar os lucros e limitar a expansão das carteiras.

Os investidores também devem acompanhar as provisões para possíveis calotes e a capacidade dos bancos de preservar suas margens e rentabilidade. Nesse cenário, a revisão do Safra reforça a importância de avaliar cada instituição individualmente, considerando os riscos e o potencial de retorno antes de tomar decisões de investimento.

Conclusão

A revisão do Safra mostra que os bancos brasileiros podem enfrentar um cenário mais desafiador em 2027, com maior risco de inadimplência, crédito mais fraco e pressão sobre a rentabilidade. Enquanto Itaú, Bradesco e Banco do Brasil passam a exigir mais cautela dos investidores, o Nubank continua se destacando entre as instituições analisadas.

Diante desse cenário, acompanhar os resultados financeiros, a qualidade das carteiras de crédito e as perspectivas econômicas será fundamental para identificar oportunidades e avaliar os riscos do setor bancário nos próximos anos.

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