As sanções econômicas impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo governo dos Estados Unidos geraram forte reação entre ministros do governo federal e autoridades brasileiras. A medida, adotada com base na Lei Magnitsky, foi considerada por membros do alto escalão do governo Lula como uma tentativa de intimidação ao Poder Judiciário brasileiro e um ataque direto à soberania nacional.
Em nota oficial, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, repudiou a sanção. Segundo ele, trata-se de uma ação “arbitrária e injustificável” e que atenta contra os princípios democráticos do país:
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“Merece forte repúdio qualquer tentativa de intimidação do Poder Judiciário brasileiro, sobretudo quando voltada a afetar a integridade do exercício de suas funções constitucionais. […] Soberania não se negocia!”
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Uma retaliação sem precedentes

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro norte-americano, foi responsável por aplicar as sanções com base na Global Magnitsky Act — uma legislação criada originalmente para punir violações de direitos humanos e corrupção em escala global. No entanto, segundo o governo brasileiro, essa é a primeira vez que a lei é usada contra uma autoridade de uma democracia consolidada.
A decisão ocorre em meio à relatoria, por parte de Moraes, de processos envolvendo tentativas de golpe de Estado após as eleições de 2022 no Brasil, que apuram a responsabilidade de autoridades do governo anterior. A reação dos Estados Unidos, agora sob a liderança de Donald Trump, é interpretada como retaliação direta ao trabalho de investigação conduzido pelo ministro.
Solidariedade institucional
A ministra da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, foi uma das primeiras autoridades a se manifestar publicamente contra a medida. Em publicação nas redes sociais, ela criticou a postura do governo Trump:
“A nova sanção do governo Trump ao ministro Alexandre de Moraes é um ato violento e arrogante. Mais um capítulo da traição da família Bolsonaro ao país. Nenhuma Nação pode se intrometer no Poder Judiciário de outra.”
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, também usou as redes para destacar o compromisso do magistrado com a democracia:
“Alexandre de Moraes cumpre o dever que a Constituição lhe atribui: defender a democracia e assegurar que a lei prevaleça. O Brasil não vai se constranger perante tentativas abusivas de deslegitimar os Poderes constituídos.”
O papel do STF e a defesa da democracia
O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, destacou que é inaceitável qualquer tentativa de interferência externa no funcionamento do Judiciário brasileiro. Ele comparou a situação com a hipótese inversa, ressaltando o absurdo de imaginar o Brasil intervindo em decisões da Suprema Corte dos EUA:
“Imagine o Brasil, ou qualquer governo, da Inglaterra, da França, se meter num julgamento da Suprema Corte americana. É inadmissível. Não dá para entender no mundo atual algo dessa proporção.”
A fala de Costa ecoa uma preocupação comum entre os ministros: a de que tal sanção representa uma afronta ao equilíbrio entre os Poderes e uma tentativa de descredibilizar o STF diante da opinião pública internacional.
Apoio de outros ministros
Os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Wolney Queiroz (Previdência) também se posicionaram contra a decisão norte-americana e expressaram solidariedade a Moraes.
Silvio Costa Filho ressaltou:
“O Brasil é um país soberano. Nenhuma nação tem o direito de impor sanções ou intimidar autoridades por exercerem suas funções dentro da lei e da Constituição. A democracia brasileira é construída com base na legalidade, no respeito às instituições e na autodeterminação do nosso povo.”
Já Wolney Queiroz classificou a sanção como perseguição política por parte de uma potência estrangeira contra um magistrado que apenas cumpre seu dever constitucional.
Nota oficial da AGU: “Soberania não se negocia”

A nota divulgada pela Advocacia-Geral da União, assinada por Jorge Messias, destaca a importância de manter o respeito às instituições democráticas e reitera que todas as medidas cabíveis serão adotadas:
“A existência de uma Justiça independente é pilar essencial de qualquer democracia e nós, brasileiros, jamais admitiremos sofrer assédio político contra quem aqui cumpre seu dever constitucional.”
“Não nos curvaremos a pressões ilegítimas, que tentam macular a honra e diminuir a grandeza de nossa nação soberana.”
“Todas as medidas adequadas serão adotadas de forma ponderada e consciente nos fóruns e momentos adequados.”
Implicações internacionais
A imposição das sanções abre um precedente diplomático delicado entre Brasil e Estados Unidos. A ação, considerada por analistas como desproporcional, pode prejudicar o diálogo entre os países, especialmente no que diz respeito à cooperação judicial e institucional.
Especialistas alertam que o gesto pode tensionar as relações bilaterais, principalmente se houver reação diplomática oficial por parte do governo brasileiro, como o possível chamamento do embaixador para consultas ou manifestações em organismos internacionais.
Com informações de: Agência Gov

