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Santa Catarina já monitora transações de criptomoedas para combater fraudes, confirma delegado

A Polícia Civil de Santa Catarina adquiriu software de rastreamento de criptomoedas e criou cartilha de prevenção a fraudes. Conheça as ações do Ciberlab e Procon SC.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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Durante o 1º Congresso Internacional do Procon SC, em Florianópolis, o delegado da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, revelou que a corporação já investe em sistemas avançados de rastreamento de criptomoedas.

Esse avanço, segundo ele, faz parte de uma estratégia integrada para combater crimes financeiros e golpes digitais no estado.

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Ciberlab e rastreamento: a nova frente de combate ao crime

Em parceria com o Ministério da Justiça (Ciberlab/MJ) e o Senasp, a PCSC criou um núcleo especializado em fraude financeira e monitoramento de redes virtuais, batizado informalmente de “Ciberlab”.

Esse setor foi instituído para identificar, investigar e desarticular crimes cometidos por meio da internet, desde extorsão até lavagem de dinheiro com criptomoedas.

Softwares poderosos para rastrear transações

Em declarações ao Procon SC, Ulisss Gabriel destacou:

“Investimos em softwares de alto desempenho para buscar informações e rastrear criptomoedas, já que grande parte dos criminosos faz a conversão para esconder ativos da organização criminosa.”

Esse tipo de tecnologia permite identificar a origem, caminho e destino de valores em criptomoedas — ações essenciais para desmantelar estruturas financeiras ilícitas.

Phishing e sextorsion: foco na prevenção

O delegado destacou que a Polícia Civil elaborou uma cartilha pública — destinada ao Procon SC e à população em geral — explicando os principais tipos de golpe cibernético:

  • Phishing: envio de e-mails ou mensagens falsas para capturar dados sigilosos.
  • Sextorsion: extorsão por ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.
  • Malwares e capturas automatizadas de dados.

A cartilha contém definições no glossário, orientando sobre o significado de “Bitcoin”, “blockchain” e outras expressões técnicas.

Criptomoedas no centro das pirâmides financeiras

Bitcoin criptomoedas BTC euro
Imagem: CMP_NZ / Shutterstock

No material, a PCSC alerta:

“Vários produtos e investimentos podem ser usados como pano de fundo para golpes, como criptomoedas, franquias, imóveis etc.”

A orientação inclui recomendações práticas: pesquisar no Reclame Aqui, consultar o site da CVM e analisar a reputação da empresa antes de aportar.

Casos recentes em Santa Catarina: operações que usaram criptomoni- rastreamento

Operação Cripto Farsa

Em agosto de 2024, a PCSC deflagrou a Operação Cripto Farsa, investigando um esquema que lesou cerca de R$ 90 mil de uma idosa em Lages. A ação, conduzida em parceria com delegacias de outros estados, resultou em oito mandados de busca e apreensão e revelou movimentações superiores a R$ 900 milhões por meio de criptomoedas.

Operação Lavagem Digital

Em março de 2025, a “Lavagem Digital” expôs um esquema que movia R$ 55 milhões em Bitcoin e outras criptomoedas, envolvendo fraude tipo “bilhete premiado”. A Polícia Civil realizou prisões e apreendeu dispositivos eletrônicos e carteiras frias.

Operação Wallet contra tráfico financeiro

Em 2023, a Operação Wallet resultou no bloqueio de 16 carteiras de criptomoedas, 32 mandados de busca e apreensão, 17 prisões e apreensão de veículos, destacando como o tráfico converte lucros ilícitos em ativos digitais.

Operação BitTrack

Na Operação BitTrack, realizada em junho de 2025, a polícia combateu fraude bancária com criptomoedas envolvendo contas falsas e rastreamento digital — cobrindo 13 estados brasileiros.

Operação Ghosthunters

Lançada em abril de 2025, a segunda fase da Ghosthunters visou uma fintech em Florianópolis, cujo sistema foi violado por hackers que movimentaram R$ 6 milhões, parte convertida em criptoativos.

Estrutura ampliada: investimento em inteligência e pessoal

O delegado Ulisses Gabriel destacou que o número de ocorrências cresceu de 28 mil em 2019 para 165 mil em 2024, incluindo golpes, extorsões e cyberbullying. Esse aumento pressionou a PCSC a reorganizar sua atuação em áreas como Joinville, Florianópolis e Blumenau.

Atualmente, seis delegacias especializadas em fraudes digitais operam nas principais cidades catarinenses, com unidades menores em cidades de médio porte. A meta é integrar atuação regional e centralizar investigações no Ciberlab.

Parcerias fundamentais: união entre Procon, polícia e MP

Chapecó: criptomoedas no radar do Procon

Recentemente, o Procon de Chapecó, em parceria com o Ministério Público, iniciou apurações sobre uma empresa suspeita de atuar com criptomoedas no município. Agora, com os novos softwares, a PCSC pode oferecer apoio técnico para futuras investigações.

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Cooperação federativa

As operações mencionadas envolveram colaboração entre PCSC, Ministério da Justiça, Senasp, delegacias especializadas e forças de segurança de outros estados — um esforço integrado para monitorar redes sociais, carteiras blockchain e transações criminais .

Desafios operacionais e éticos no uso de criptotecnologia

Sistemas de rastreamento de criptomoedas demandam investimentos significativos em softwares especializados e treinamento contínuo de agentes. A curva de aprendizado inclui análise de blockchain, desanonimização de carteiras e cooperação internacional.

Limites legais e proteção de dados

A coleta de informações sensíveis impõe desafios jurídicos. A polícia deve respeitar decisões judiciais, leis de proteção de dados e garantias constitucionais, evitando investidas que possam gerar nulidade das provas.

Educação para prevenção

Mesmo com avanços tecnológicos, a prevenção passa por educação e conscientização do público. Por isso, a cartilha do Procon SC visa alertar e orientar potenciais vítimas antes que elas invistam em esquemas fraudulentos.

Análise final: Santa Catarina como referência nacional

Santa Catarina desponta como estado pioneiro no uso intensivo de rastreamento de criptomoedas e monitoramento de crimes digitais. O Ciberlab atua com investigação especializada, prevenção e cooperação interinstitucional.

As criptomoedas oferecem vantagens para criminosos — como anonimato e liquidez — mas, numa resposta proporcional, a polícia está investindo na contraofensiva digital. Esse movimento demonstra maturidade institucional na era cibernética.

Limites e próximos passos

O sucesso desta iniciativa passa por:

  • Expansão do investimento em tecnologia e pessoal;
  • Formação de profissionais em forense digital e legislação;
  • Coordenação entre SC e outras unidades federativas;
  • Ampliação da cartilha educacional ao público.

Conclusão: Protagonismo no enfrentamento ao crime digital

Criptomoedas
Imagem: Freepik

Com a implantação de ferramentas para rastreamento de criptomoedas, criação da cartilha e intensificação de operações, Santa Catarina avança como referência no combate aos crimes digitais.

O delegado Ulisses Gabriel reforça que, na era do dinheiro digital, o mundo do crime também mudou — e a polícia está determinada a acompanhá-lo.

O caminho aponta claro: tecnologia + legislação + educação = segurança eficaz. Resta observar se outros estados seguirão essa trilha — mas, por agora, Santa Catarina mostra que está pronta para enfrentar os desafios da justiça na era digital.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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