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Santander quer mudar o Pix: entenda a convergência com o cartão de crédito no parcelamento

Santander quer unir Pix parcelado ao Pix via cartão e discute proposta com o Banco Central. Entenda impactos no crédito e no sistema financeiro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A integração entre o Pix parcelado e o Pix via cartão de crédito está no centro de um novo debate regulatório que pode moldar o futuro dos meios de pagamento no Brasil. O presidente do Santander Brasil, Mário Leão, revelou na quarta-feira (30) que o banco tem mantido conversas com o Banco Central (BC) para propor uma convergência entre essas duas modalidades, consideradas estratégicas para a inovação no sistema financeiro.

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Imagem: Manuel Esteban / Shutterstock.com

O que diz o Santander

Durante uma conferência de resultados do terceiro trimestre de 2025, Leão explicou que a instituição vem defendendo que as duas formas de pagamento não devem operar em trilhas separadas. Para ele, separar as jornadas e os limites de crédito para o Pix parcelado e o Pix no cartão é uma escolha que pode gerar fricções desnecessárias para o consumidor.

“A gente tem defendido com o Banco Central que o Pix parcelado e o Pix no cartão não deveriam ser necessariamente trilhas separadas, jornadas separadas, limites separados”, afirmou o executivo.

A proposta do banco é que a definição da jornada do cliente, isto é, como será feita a operação e de onde virá o crédito, fique a cargo das próprias instituições financeiras e das fintechs. Segundo Leão, a convergência entre o Pix e o cartão seria uma solução lógica e eficiente, ao mesmo tempo em que abriria espaço para novas experiências de crédito.

Pix parcelado: o que é e como funciona

Lançado de forma ainda limitada no mercado, o Pix parcelado representa uma evolução do sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. Com essa modalidade, o consumidor pode parcelar compras ou transferências mesmo sem possuir um cartão de crédito, com o pagamento feito via débito futuro ou crédito pessoal concedido pelo banco.

Apesar de o BC ainda não ter publicado a regulamentação oficial da funcionalidade, diversas instituições, como o próprio Santander, o Nubank e o Banco do Brasil, já vinham oferecendo soluções similares, com base em interpretações normativas.

Diferença entre Pix parcelado e Pix no cartão

A principal diferença está na origem do crédito:

  • Pix parcelado: o crédito vem do banco ou fintech, com cobrança de juros pré-definidos, similar a um empréstimo pessoal.
  • Pix no cartão: a transação é feita por meio da bandeira do cartão (Visa, Mastercard, Elo etc.) e o valor é debitado da fatura do cartão, podendo ser parcelado como uma compra convencional.

Integração pode mudar o mercado de crédito

A proposta de unificação dos dois mecanismos visa criar uma experiência fluida, segundo o Santander. Na prática, isso significaria que o consumidor poderia, por exemplo, escolher parcelar uma compra via Pix e o sistema decidiria automaticamente se usará o limite do cartão ou um crédito do banco, sem que o cliente precise diferenciar as opções.

Essa integração traria também ganhos operacionais para os bancos, que poderiam gerir o risco de crédito de forma unificada, otimizando limites, taxas e retorno financeiro.

Santander aposta em crescimento com Pix

O banco já lançou sua versão do Pix via cartão no final de agosto, e mesmo sem impacto expressivo nos resultados de setembro, a instituição acredita que a funcionalidade irá construir uma carteira relevante de clientes nos próximos meses.

“A gente está, no fundo, concedendo mais crédito para pessoas que não tomavam conosco”, destacou Leão.

Essa afirmação revela a intenção do Santander de usar o Pix como uma porta de entrada para novos clientes de crédito, especialmente aqueles não bancarizados ou com histórico limitado.

Expectativa de regulamentação do Banco Central

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Imagem: Edição Seu Crédito Digital

A expectativa é de que o Banco Central publique nas próximas semanas a regulamentação do Pix parcelado, o que poderá alterar profundamente a forma como bancos e bandeiras de cartões operam seus produtos de crédito.

Dependendo da redação final, algumas soluções já em operação poderão ser restringidas ou ajustadas, gerando incertezas para os agentes do mercado.

Risco para bandeiras e adquirentes

A regulamentação preocupa bandeiras como Visa, Mastercard e Elo, que têm investido fortemente na integração de suas plataformas com o Pix. Essas empresas temem que uma regulamentação muito restritiva desestimule o uso do Pix via cartão, afetando a rentabilidade das operações com parcelamento.

Impacto no consumidor

Para os consumidores, a unificação pode representar maior praticidade, acesso facilitado ao crédito e concorrência saudável entre bancos e bandeiras, o que tende a pressionar para baixo as taxas de juros cobradas nos parcelamentos.

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No entanto, o risco está em uma possível confusão entre modalidades, caso a comunicação não seja clara. É importante que os usuários saibam quando estarão contratando um crédito bancário ou quando usarão o limite do cartão, com transparência sobre encargos e condições.

Concorrência entre bancos e fintechs

A proposta do Santander também reflete uma disputa cada vez mais acirrada entre bancos tradicionais e fintechs. Empresas como Nubank, PicPay e Mercado Pago já operam soluções de crédito baseadas em Pix, muitas vezes com modelos mais flexíveis e acessíveis.

Ao propor a unificação de limites e experiências, o Santander se antecipa a uma possível padronização regulatória que favoreça a inovação, mas também protege o papel dos bancos no ecossistema financeiro.

Avanço do Pix no Brasil

Desde o seu lançamento em novembro de 2020, o Pix já superou 180 milhões de usuários cadastrados, com mais de 5 bilhões de transações mensais. A aceitação no varejo e o avanço das soluções de crédito transformaram o Pix no principal meio de pagamento no país.

Com o Pix parcelado e o Pix via cartão, o sistema tende a se consolidar também como alternativa ao cartão de crédito tradicional, especialmente entre usuários com baixo score ou sem relacionamento com bancos.

O que esperar dos próximos meses

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A regulamentação do Pix parcelado deve ser um divisor de águas no sistema financeiro brasileiro. A depender da atuação do BC, o mercado poderá testemunhar:

  • Maior integração entre plataformas de pagamento e crédito;
  • Consolidação do Pix como meio principal de financiamento ao consumo;
  • Redução de tarifas e juros, por aumento de competição;
  • Novas alianças entre bancos, fintechs e bandeiras.

Enquanto isso, instituições como o Santander seguem se posicionando para liderar a transformação digital e influenciar os rumos do mercado.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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