Michael Saylor, cofundador e rosto principal da Strategy (ex‑MicroStrategy), confirmou que a empresa continua sua histórica trajetória de aquisições de Bitcoin pela 11ª semana consecutiva, uma série iniciada em 14 de abril de 2025. No dia 23 de junho, a empresa adquiriu 245 BTC por US$ 26 milhões, elevando suas reservas para 592.345 BTC, avaliadas em mais de US$ 63,6 bilhões.
Saylor lidera 11ª semana seguida de compras de Bitcoin pela Strategy e sinaliza consolidação institucional
Michael Saylor e Strategy completam 11 semanas consecutivas comprando Bitcoin, totalizando mais de 592.000 BTC. Especialistas debatem impacto no mercado.
Em comunicação a seus 4,4 milhões de seguidores no X (ex‑Twitter), Saylor reforçou a confiança no longo prazo:
“Daqui a 21 anos, você vai desejar ter comprado mais”.
Essa estratégia institucional sistemática atrai tanto elogios quanto preocupações quanto aos impactos no mercado cripto — especialmente no que diz respeito à possível escassez de oferta e à replicação da estratégia por empresas menos capitalizadas.
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Profile da estratégia de compras da Strategy
Curto histórico das aquisições
- Início da série de compras: 14 de abril de 2025;
- Compra de 23 de junho: 245 BTC a ~US$ 105.856, totalizando US$ 26 milhões;
- Tesouro total: 592.345 BTC, adquiridos a um preço médio de US$ 70.681 cada, totalizando cerca de US$ 41,87 bilhões de investimento;
- Retorno acumulado em 2025: 19,2% de valorização, perto da meta de 25% definida pela empresa.
A empresa financia essas compras via emissões sucessivas de ações preferenciais e convertíveis, além de ofertas de dívida perpétua e outras modalidades, como parte do seu plano “21/21” para levantar US$ 42 bilhões até 2027.
Impactos no mercado e opinião dos analistas
1. Possível choque de oferta
Com a Strategy adquirindo consistentemente grandes volumes de BTC, analistas sugerem que isso pode levar a um shock de oferta — ou seja, uma redução visível da disponibilização de moedas no mercado — o que exercerá pressão nos preços de forma ascendente.
2. Riscos do modelo de tesouraria corporativa
Por outro lado, alguns market watchers alertam que empresas imitadoras que se endividam ou diluem ações para comprar Bitcoin poderão sofrer grandes perdas em momentos de baixa. Uma quebra em ritmo de preço pode causar insolvência desses players .
3. Relatório da venture capital Breed
A Breed destacou que a Strategy tem maior resistência frente a quedas de mercado, graças à sua escala, histórico de compras em ciclos anteriores, e gestão disciplinada:
“Novas empresas de tesouraria enfrentarão condições de captação mais difíceis e alavancagem maior do que a Strategy”.
As falhas, segundo o relatório, provavelmente gerarão uma consolidação do setor, beneficiando aqueles com maior solidez financeira.
Road to S&P 500: reconhecimento institucional à vista

Para amplificar seu prestígio institucional, a Strategy mira inclusão no S&P 500, o principal índice de ações dos EUA. O investidor e analista Jeff Walton estimou 91% de chance de a empresa ingressar no índice já no segundo trimestre de 2025.
Esse possível ingresso daria à empresa maior visibilidade junto a fundos tradicionais, desencadeando inclusive mais demanda por Bitcoin via ETFs e outros veículos.
Estratégia “Buy the Top Forever”: postura firme mesmo em altas
Em meio a oscilações, como a queda para cerca de US$ 99.000 em junho, a Strategy manteve seu ritmo de compras — menos volumes pontuais, mas contínua. Isso demonstra convicção ao projeto de acumular o máximo possível, mesmo em momentos de máxima aparente.
Saylor reforçou isso em declarações que parecem virar mantra:
“Estou certo de que estarei comprando Bitcoin a US$ 1 milhão a moeda — provavelmente US$ 1 bilhão por dia, se for esse o preço”.
Comparação com outros players corporativos de Bitcoin
A Strategy detém mais do que o dobro de BTC acumulado pelas 20 maiores empresas públicas que possuem tesouraria em Bitcoin, segundo o site BitcoinTreasuries.
Empresas como Metaplanet — que comprou 1.111 BTC por US$ 118 milhões — também estão construindo tesourarias robustas, porém ainda bem distantes da escala da Strategy.
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Cenários para o futuro: inevitabilidade ou bolha?
Se a estratégia da Strategy seguir sólida, junto à falência de concorrentes alavancados, poderia resultar em consolidação substancial do setor. Empresas maiores absorvendo concorrentes menores definiriam o futuro da adoção institucional do BTC.
Por outro lado, uma retração abrupta de preços — possivelmente motivada por crises macroeconômicas, regulação ou pânico institucional — pode levar empresas endividadas a vender BTC no prejuízo, contribuindo para um mercado de baixa prolongado.
Repercussão do mercado
Reação dos investidores de varejo
Nas comunidades cripto, muitos veem as compras da Strategy como confirmação de institucionalização e adoção em massa de Bitcoin. Porém, existe quem critique o modelo:
“Se você alavanca ações e dívida para comprar BTC, pode estar construindo a próxima LUNA/FTX”.
Tentativas de replicação
Outras empresas vêm seguindo o manual do Saylor, porém não com a mesma escala ou ponderação. Isso aumenta a preocupação sobre efeitos de contágio financeiro em caso de turbulências.
Conclusão: Saylor, Strategy e o novo patamar institucional do Bitcoin

Em pouco menos de três meses, Michael Saylor elevou a Strategy ao posto de maior detentora corporativa de Bitcoin, com quase 600 mil BTC em tesouraria. A 11ª semana seguida de compras simboliza uma postura irreversível de longo prazo, evidenciada pelas declarações e pela disciplina institucional da empresa.
O impacto, porém, pode ser profundo. A crescente escassez no mercado, aliada à consolidação setorial e ao possível ingresso no S&P 500, transformam a Strategy em um ator-chave no futuro do Bitcoin.
Da outra ponta, o risco de replicação desenfreada e alavancada por players menos estruturados mantém o cenário incerto. O próximo ciclo de queda, se ocorrer, pode abrir caminho para uma nova elite cripto — e redefine os fundamentos de quem realmente possuirá Bitcoin no futuro.
